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terça-feira, 31 de maio de 2016

Aécio Neves elogia ex-presidente do PSDB preso por corrupção





No vídeo, o senador Aécio Neves (PSDB), elogia o ex-deputado Nárcio Rodrigues  que foi secretário de Anastasia e é interlocutor de Aécio 

O ex-deputado federal e ex-secretário de Estado Nárcio Rodrigues (PSDB) foi preso ontem sob suspeita de desvio de R$ 14 milhões de recursos públicos em obras da Fundação HidroEx, dedicada à pesquisa sobre recursos hídricos e sediada em Fruta], reduto eleitoral do político.

 Nárcio Rodrigues é ex-presidente do PSDB de Minas Gerais e um dos principais articuladores políticos do senador Aécio Neves... Leia também: Os tucanos no governo do PT

Romário (PSB-RJ) e Acir Gurgacz (PDT-RO), já admitem rever voto pelo impeachment


Mudança de posição de Romário e Gurgacz poderia alterar panorama no julgamento definitivo de Dilma

"Meu voto foi pela continuidade da investigação para saber se a presidente cometeu ou não crime de responsabilidade. Porém, assim como questões políticas influenciaram muitos votos na primeira votação, esses novos fatos políticos irão influenciar também" Romário Senador (PSB-RJ)

Em meio à crise política que atinge o governo interino de Michel Temer, que, em 19 dias desde a posse, já teve que afastar dois ministros flagrados em grampos telefônicos tentando barrar a operação Lava-Jato, os senadores Romário (PSB-RJ) e Acir Gurgacz (PDT-RO), que votaram pela abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, admitem agora a possibilidade de rever seus votos no julgamento final, que deve ocorrer até setembro. A virada desses dois votos, caso se concretize e os demais votos se mantivessem, seria suficiente para evitar a cassação definitiva da petista. O Senado abriu o processo de impeachment com o apoio de 55 senadores e, para confirmar essa decisão no julgamento de mérito, são necessários 54 votos.

Romário não descarta que os novos acontecimentos políticos provocados pelos grampos do expresidente da Transpetro, Sérgio Machado, mudem seu voto. O senador do PSB votou pelo afastamento de Dilma, mas diz que "novos fatos" podem influenciar seu voto no julgamento definitivo.

- Meu voto foi pela admissibilidade do impeachment, ou seja, pela continuidade da investigação para que pudéssemos saber se a presidente cometeu ou não crime de responsabilidade. Porém, assim como questões políticas influenciaram muitos votos na primeira votação, todos esses novos fatos políticos irão influenciar também. Meu voto final estará amparado em questões técnicas e no que for melhor para o país - disse Romário ao ontem.

No PSB de Romário, no Senado, cresce a tese em defesa da realização de novas eleições. Esse argumento, de nem Temer nem Dilma, pode ser usado para reverter votos contra Dilma na Casa. Entre os líderes dos partidos aliados de Michel Temer, há uma preocupação com os erros sucessivos e que as crises políticas afetem a votação do impeachment.

O PT vai usar, na defesa de Dilma na comissão do impeachment, a conversa de Machado com o senador Romero Jucá (PMDB-RR), em que o então ministro do Planejamento diz que a aprovação do impeachment de Dilma poderia "estancar a sangria". A interpretação é que o objetivo do impeachment era interromper as investigações da Lava-Jato, que atinge vários integrantes da cúpula do PMDB.

Já Acir Gurgacz assegurou a seu partido, segundo o presidente do PDT, Carlos Lupi, que mudará sua posição e votará contra o impeachment desta vez. Por conta disso, o Diretório Nacional do PDT adiou ontem decisão sobre uma punição disciplinar aos senadores do partido. Ainda de acordo com Lupi, o senador Lasier Martins (PDT-RS) pretende manter seu voto favorável ao afastamento de Dilma.

- O Acir vai votar contra (o impeachment), ele mandou por escrito - disse Lupi.

Procurado, Gurgacz afirmou que ainda não tem posição fechada: - O que eu coloquei é que a admissibilidade (do impeachment) era uma necessidade, porque a população estava cobrando a discussão. O mérito é outro momento, estamos avaliando. Entendo que não há crime de responsabilidade fiscal por causa das pedaladas (fiscais), mas a questão é mais pela governabilidade, pelo interesse nacional.

O Diretório Nacional do PDT expulsou ontem o deputado Giovani Cherini (RS) por ter votado a favor da abertura do processo. Apesar de também terem apoiado o afastamento de Dilma, outros cinco deputados receberam uma punição praticamente simbólica, a suspensão por 40 dias.

Parecer da Comissão de Ética do PDT apontou como agravantes do caso Cherini o fato de ele ter supostamente feito campanha contra a orientação partidária, ter tentado virar outros votos no partido, e ter dado declarações a favor do impeachment.

Foram suspensos os deputados Sérgio Vidigal (ES), Flávia Morais (GO), Mário Heringer (MG), Subtenente Gonzaga (MG) e Hissa Abrahão (AM).

- O fechamento de questão é uma coisa, a decisão sobre quem não cumpriu é outra. É legítima qualquer decisão (do diretório)- disse Lupi, irritado, ao rebater crítica de um integrante do partido, que defendia a expulsão dos seis deputados, já que o PDT havia fechado questão contra o impeachment. Do jornal O Globo - leia também.. Os tucanos no governo do PT

Preso Cacique Tucano...Ex-presidente do PSDB-MG é preso por fraude de R$14 milhões



Auditoria do Estado embasa ação que apura desvios no governo Anastasia

Deputado tucano preso corta fita de inauguração
O ex-deputado federal Nárcio Rodrigues da Silveira (PSDB), que foi secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais durante o governo de Antonio Anastasia (PSDB), foi preso ontem pela Operação Aequalis, realizada pelo Ministério Público Estadual (MPE) em parceria com a polícia civil.

Silveira é suspeito de ter desviado recursos do Centro Internacional de Educação, Capacitação e Pesquisa Aplicada em Águas (Hidroex) para obter financiamento para as campanhas eleitorais do PSDB, em Minas, nos anos de 2012 e 2014. Ele é tido como uma espécie de braço direito do presidente do PSDB, o senador Aécio Neves (MG).
Narcio e Aécio no congresso:  caminhando lado a lado.

Homenagem

O ex-parlamentar é pai do deputado federal Caio Nárcio (PSDB-MG). Durante a votação do impeachment, no dia 17 de março, Caio dedicou o voto a Nácio Rodrigues que, segundo ele, "dizia que decência e honestidade não eram possibilidade, eram obrigação". Além do ex-deputado, a polícia mineira prendeu mais quatro pessoas e executou outros 16 mandados de busca e apreensão.

Outras cinco pessoas foram detidas. A Polícia Militar ainda cumpriu 27 mandados de busca e apreensão na capital, em Uberaba e Frutal, ambas no Triângulo Mineiro, em Conselheiro Lafaiete, São João del Rei e São Paulo. Além do tucano, que é ex-presidente do PSDBMG, foram presos temporariamente Neif Chala, ex funcionário do Estado, os empresários Maurílio Reis Bretas e Hugo Alexandre Timóteo Murcho e os engenheiros Luciano Reis e Alexandre Pereira Horta. Todos são suspeitos de desvios na construção da Cidade das Águas, projeto da Fundação Hidroex, idealizada por Narcio.

Segundo o MPMG, o grupo é investigado por peculato, corrupção, fraude a licitações, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Os mandados foram expedidos pela comarca de Frutal, onde a obra é construída. Em abril, o órgão instaurou inquérito para apurar possíveis irregularidades no projeto. A apuração teve início com uma auditoria da Controladoria Geral do Estado (CGE), que analisou uma amostra de R$ 37,7 milhões da obra.

 A perícia revelou que, só nesse montante, os danos aos cofres públicos chegaram a R$ 18 milhões (48% do valor analisado). No total, a obra foi orçada em R$ 230 milhões. Ontem, o MP avaliou o prejuízo em pelo menos R$ 14 milhões entre 2012 e 2014, período em que Narcio Rodrigues ocupou a cadeira de secretário. Ele foi preso em casa e levado à Promotoria de Combate ao Crime Organizado e seguiu para a penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, mesmo destino dos demais presos na capital.

O  ex-deputado  afirmou não saber o motivo da prisão e se disse tranquilo. "Estamos numa crise política. É preciso inventar culpados para nivelar por baixo". . Filho do ex-secretário, o deputado federal Caio Narcio (PSDB) seguiu a mesma linha e disse que o pai é vítima de "perseguição política". As investigações foram conduzidas pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Frutal e pelo Grupo Especial de Promotores de Defesa do Patrimônio Público. Foram feitas buscas em diversos endereços, entre eles a Cidade Administrativa. Dois investigados, cujos nomes não foram divulgados, acabaram presos em flagrante por posse de arma. ainda havia foragidos,incluindo o presidente do grupo português Yser, Bernardo Simões Moniz da Maia.Informações de O tempo - Leia também... Tucano em cargo comissionado no governo do PT

Caiu mais um ministro do governo biônico. 2ª queda em 18 dias


Os grampos feitos pelo ex-diretor da Transpetro Sérgio Machado derrubaram o segundo ministro do governo biônico de  Michel Temer em um período inferior a dez dias. Na segunda-feira da semana passada, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) deixou o Ministério do Planejamento; ontem foi a vez do servidor de carreira do Senado Fabiano Silveira, que pediu exoneração do Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle do governo federal.
 Silveira entregou sua carta de demissão ontem à noite após ter sido flagrado em conversas com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), nas quais ele ajudava o peemedebista a montar um plano de defesa do parlamentar contra a investigação da Lava Jato. Ele chegou a afirmar: "Eles estão perdidos", em referência aos inquéritos contra o senador.

Após a divulgação dos áudios, cerca de 300 ocupantes de cargos de direção, inclusive os 27 chefes regionais do ministério entregaram seus cargos. A ONG Transparência Internacional também pediu a exoneração de Silveira.

Pressão

Mesmo com a pressão da opinião pública, Temer decidiu não exonerar Silveira para não contrariar o presidente do Senado, que é padrinho político do então ministro de Transparência, Fiscalização e Controle. Na sua carta de demissão, Silveira afirma que a permanência no cargo poderia "trazer reflexos para o cargo". "Jamais intercedi junto a órgãos públicos em favor de terceiros", alegou Silveira, negando a intenção de influenciar investigações da Lava Jato.Na semana passada, Jucá deixou o governo após ser flagrado em áudios defendendo "um pacto" contra a Lava Jato.

Protesto

Protestos, que tiveram até uma 'lavagem' do gabinete, ajudaram a elevar pressão sobre ministro
A"demissão" de Fabiano Silveira começou a ser desenhada logo cedo com o protesto dos servidores da antiga Controladoria-Geral da União (CGU), hoje Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle, na sede do órgão. Com cartazes e gritos de guerra que chamavam Silveira de "ex-ministro", os funcionários promoveram uma "faxina" simbólica na entrada do gabinete de Silveira e nas escadas do prédio do ministério.

Vassouras coloridas deram o tom da "higienização" feita no protesto bem-humorado. Nas faixas, o ministério era tratado pela sigla "Tráfico", referência às sílabas iniciais de cada tema do nome da pasta e em crítica às mudanças consideradas inadequadas pelos servidores. Além da saída de Silveira, flagrado em gravações comprometedoras, eles reivindicavam o retorno da CGU, ligada à Presidência da República. Para os funcionários, a alteração promovida por Temer esvaziou o órgão, deixando-o vulnerável à ingerência política.

A divulgação dos áudios de Silveira levou os servidores a antecipar uma marcha que estava prevista para hoje. Cerca de 300 servidores da antiga CGU, nos cálculos da organização, fizeram uma caminhada até o Palácio do Planalto. As faixas não economizaram críticas contra Silveira: "Fora, capanga de Renan!", "Temer, demite", "Procurado! Cadeia já!" e "Tchau, querido!".

No ato, eles também pediram a aprovação da PEC 45/2009, que coloca no texto constitucional a CGU como órgão "de natureza permanente".

Uma das líderes do movimento, com megafone em punho, comandava o coro: - Viemos comunicar que o senhor Fabiano Silveira está demitido pelos servidores da CGU.

A queda de dois ministros em uma semana, num governo com míseros 19 dias de vida, é provavelmente um recorde. Mas, para além de curiosidades estatísticas, levanta sérias dúvidas sobre a capacidade de resiliência de Michel Temer e torna imprevisível o desfecho da crise política.

Como se sabe, Temer fez uma opção clara ao montar seu governo interino: escalou um time político, de reputação duvidosa, com o propósito de ter o controle do Congresso.Além da urgência em aprovar uma pauta econômica controversa, precisa, afinal, confirmar o impeachment de Dilma para seguir no poder.

Em outras palavras, o presidente interino voltou-se para o Legislativo e virou as costas para as ruas, cuja pauta principal desde 2013 é a ética. Para um governo que começa em crise e impopular, parece uma aposta alta demais.

A demissão do ministro da Transparência, Fabiano Silveira, dá margem ainda à versão de que o objetivo da troca de comando seria domar a Lava-Jato. Algo que soa razoável quando o homem responsável por cuidar do combate à corrupção no governo é apanhado dando orientações ao presidente do Senado, Renan Calheiros, de como se livrar de seus incontáveis inquéritos no STF.

A verdade, como quase sempre, é provavelmente algo no meio do caminho. Há, de certo, quem tenha visto em Temer apenas a chance de se livrar das investigações. Mas é bom lembrar que o PT exigiu - e conseguiu - até a troca do ministro da Justiça por considerar que Dilma perdera o controle da PF a ponto de ameaçar Lula de prisão.

O fato é que as gravações de Sérgio Machado já fizeram um estrago no governo recém-nascido. Mais alguns áudios, e Temer poderá pedir música. E a Lava-Jato está mais forte do que nunca. Seu controle é impossível. Suas consequências, imprevisíveis.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Depois de denúncias contra ministro, Transparência Internacional rompe com o Brasil



A organização internacional classificou como “decepcionante” o fato do ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, Fabiano Silverio, estar sob suspeita de corrupção
A organização Transparência Internacional anunciou nesta segunda-feira (30) que irá suspender o diálogo com o Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle (MTFC) do Brasil até que “uma apuração plena seja realizada e um novo ministro com experiência adequada na luta contra a corrupção seja nomeado”.

“É decepcionante que o ministro encarregado da transparência esteja agora sob suspeita, como parte de uma operação abafa”, disse Alejandro Salas, diretor para as Américas da Transparência Internacional. A organização ainda escreveu, em nota, que “o governo deve garantir que quaisquer membros do ministério envolvidos em corrupção ou trabalhando contra o curso das investigações sejam exonerados”.

O atual ministro da pasta, Fabiano Silveira, foi flagrado em áudios orientando o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado a se defenderem na Operação Lava Jato. O presidente em exercício Michel Temer decidiu manter Fabiano no cargo. Ele foi indicado por Renan Calheiros e o Planalto não quer desgastar a relação com o presidente do Congresso, tendo em vista as medidas que precisam ser aprovadas.

A parceria entre a CGU e a Transparência Brasil abrangia três frentes de trabalho, uma delas envolvia a participação na elaboração de propostas para a parceria internacional de Governo Aberto (Open Government Partnership – OGP).

Mobilização continua
 Os funcionários do MTFC afirmam que continuarão mobilizados até que Fabiano seja exonerado do cargo. Hoje, cerca de 300 servidores bloquearam a entrada do ministério e marcharam até o Palácio do Planalto para pressionar Michel Temer. Servidores da Controladoria anunciaram também que não acatarão mais ordens do atual ministro.

Amanhã (31) o presidente da Unacom Sindical, Rudinei Marques, anunciou que o protesto continuará a partir das 7h. Os servidores se mobilizam para fechar o ministério e impedir a entrada de Fabiano, caso ele tente. “Na nossa CGU esse cara não pisa mais”, dizem os manifestantes.

Existe ainda a expectativa de greve geral na CGU, porém ainda não há confirmação. Chefes de 23 representações estaduais da CGU e outros 200 ocupantes de cargos de direção e assessoramento superior (DAS) anunciaram a entrega de seus cargos para pressionar pela saída de Fabiano Silveira. Congresso em foco...E leia também: Devassa ordenada por Temer encontra tucanos em cargo de confiança  no governo Dilma

Devassa ordenada por Temer encontra tucanos em cargo de confiança no governo Dilma



Ao levantar total de cargos comissionados ocupados por indicação de partidos, governo interino descobre que PSDB ocupou mais espaço nos governos de Lula e Dilma que partidos como o PDT, aliado desde sempre
 Em mais um dos seus espasmos revanchistas desde que chegou à presidência de forma indireta e biônica, Michel Temer ordenou ao ministro Vital do Rêgo, do Tribunal de Contas da União (TCU), um levantamento dos cargos ocupados por filiados do PT no funcionalismo federal, incluindo Executivo, Legislativo e Judiciário. Mas deve ter ficado surpreso com a quantidade de servidores indicados por partidos que se alinharam ao golpe contra o governo Dilma....Continue lendo aqui


Grupo de deputados europeus pede que UE não negocie com governo de Temer



O  deputado espanhol Xavier Benito enviou uma carta para a representação da União Europeia para Política Externa e Segurança para que a entidade não negocie com o presidente interino brasileiro, Michel Temer, que lidera o acordo comercial entre a UE e o Mercosul.

No documento, que foi assinado por mais de 30 eurodeputados de diferentes grupos políticos e nacionalidades, Benito, do partido espanhol Podemos, denuncia a falta de "legitimidade democrática" do governo de Temer, que substitui  a presidenta Dilma  enquanto a presidente passa pelo processo de impeachment.

A carta foi direcionada a Federica Mogherini, responsável da UE para política externa e segurança.

"O acordo comercial com Mercosul", argumenta Benito na carta, "não só se limita a bens industriais ou agrícolas, mas inclui outros afastados como serviços, licitação pública ou propriedade intelectual. Por isso, é extremamente necessário que todos os atores implicados nas negociações tenham a máxima legitimidade democrática: a das urnas", afirmou.

Benito, também primeiro vice-presidente da delegação do Parlamento Europeu (PE) para as relações com o Mercosul, lembra na que estes acordos devem levar em conta "a dignidade das pessoas e os direitos humanos, e não devem nunca priorizar o lucro econômico ao bem-estar das pessoas", disse.

"Duvidamos que este processo de negociação tenha a legitimidade democrática necessária para um assunto desta magnitude", afirmou, ao tempo que considera que "o mandato de Dilma Rousseff só pode ser mudado mediante o único método democraticamente aceitável: as eleições".

Benito afirma, por outro lado, "compartilhar a preocupação expressada também pelo secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) e pela Unasul sobre a severa situação na qual Dilma Rousseff foi condenada por um Congresso doente de corrupção e claramente orientado por obscuras intenções".

"É necessário suspender as negociações entre a UE e Mercosul já que tal acordo comercial não deveria ser negociado com o atual governo brasileiro", frisou.

"Reivindicamos que a UE dê o seu total apoio e envolvimento para o restabelecimento da ordem democrática no Brasil", acrescentou. Agência de notícias EFE

Operação Aequalis prende secretario de Anastasia e mira esquema de financiamento de campanhas do PSDB


Nárcio Rodrigues (PSDB) foi um dos presos pela força-tarefa do Ministério Público, Polícia Federal e Rotam.Operação mira esquema que teria financiado campanhas do PSDB


Segundo fontes da investigação, há provas de que Rodrigues se valeu de contratos relacionados ao projeto Hidroex para captar recursos ilícitos para campanhas eleitorais do PSDB em 2012 e 2014.

A Polícia Militar e o Ministério Público Estadual de Minas Gerais deflagraram na manhã desta segunda (30) uma operação que cumpre 16 mandados. Entre os alvos então o ex-secretário de infraestrutura do governo Anastasia e ex-presidente do PSDB de Minas Nárcio Rodrigues, que foi levado para a sede o Ministério Público em Belo Horizonte.

Rodrigues teve decretada prisão temporária de cinco dias. Segundo fontes da investigação ouvidas pela Folha, há provas de que o tucano se valeu de contratos relacionados ao projeto Hidroex para captar recursos ilícitos para campanhas eleitorais do PSDB em 2012 e 2014.

Também foram cumpridos mandados em Frutal, no Triângulo Mineiro, cidade natal do tucano que funciona como sua base eleitoral, São Paulo e Belo Horizonte.

A Operação foi batizada de Aequalis, e significa 'igualdade', em latim.

Nárcio é visto como homem forte de Anastasia e também do senador Aécio Naves (PSDB-MG), chegando a despontar como um dos principais interlocutores quando foi deputado federal e Aécio governador de Minas.

'VERÁS QUE UM FILHO TEU NÃO FOGE À LUTA'


 Na votação da aprovação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara, o deputado Caio Nárcio (PSDB-MG), filho de Rodrigues, votou pelo afastamento da presidente Dilma citando a honestidade do pai.

"Por um Brasil aonde meu pai e meu avô diziam que decência e honestidade não eram possibilidade, eram obrigação", disse Caio antes de votar a favor do impeachment. O deputado encerrou a fala com a citação: "Verás que um filho teu não foge à luta".

Caio Nárcio acompanhou o pai até a dese do Ministério Público na manhã desta segunda. Até o momento que teve contato com a reportagem, o tucano não tinha nenhum advogado atuando em sua defesa.

Caso Hidroex

No  dia 30 de abril, o Ministério Público de Minas Gerais havia instaurado inquérito civil para apurar irregularidades em obras públicas no município de Frutal, no Triângulo Mineiro, durante gestão do então governador Antonio Anastasia (PSDB), atualmente senador.

A investigação,  estava sob responsabilidade do Grupo Especial de Promotores de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e seguia em sigilo.

Reportagem da “Folha de S.Paulo” na edição do dia 29 de abril mostrou que uma auditoria realizada pela Controladoria Geral de Minas apontou corrupção, desvios e mau uso de dinheiro público na construção do complexo “Cidade das Águas”, centro de pesquisa e gestão em recursos hídricos instalado na cidade.

A controladoria auditou amostra de R$ 37,7 milhões da obra, 16% dos R$ 230 milhões do projeto. Dessa parte, os danos aos cofres públicos chegaram a R$ 18 milhões, 48% do investigado. As irregularidades incluem pagamentos indevidos a empresas por serviços não prestados ou em desacordo ao contratado, superfaturamento, não entrega de equipamentos, armazenagem e controle inadequado e restrição à competitividade de licitações.

Parada gay grita 'Fora Temer'


Com gritos e cartazes, ativistas da causa LGBT protestaram contra o governo Michel Temer (PMDB) neste domingo, na 20ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo. O ato ocorreu na Avenida Paulista, na região central, e foi marcado para as 10h, mas cerca de uma hora depois os participantes ainda estavam chegando.

Elas gritavam 'Fora Temer' e 'Volta Dilma' Erguendo um cartaz de 'Fora Temer
 Com gritos e cartazes de "Fora Temer" e "Volta Dilma", ativistas protestaram contra o governo Michel Temer (PMDB) ontem, na 20ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo.
 A parada teve ainda alguns cartazes contra Dilma  e em apoio ao juiz federal Sergio Moro, mas em ações mais isoladas e tímidas. A organização estima que 2 milhões de pessoas participaram do evento e a participação de 17 trios elétricos. O ato ocorreu na Av. Paulista, na região central, com início às 10h e ontem à noite ocupou o Vale do Anhagabaú.

A parada teve como principal bandeira a aprovação da Lei de Identidade de Gênero para travestis e transexuais.

 Phamela Godoy  citou o fim do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, além da Coordenação de Política LGBT e da redução no orçamento de políticas de prevenção da aids.

O deputado federal Jean Wyllys disse que a Parada LGBT demorou para incluir na sua agenda o segmento T. "Nessa sopa de letras, os homens e as mulheres trans são os que mais sofrem.

Não existe armário para eles. Gays e lésbicas podem se esconder, mas trans, não. Eles estão muito mais expostos à violência e ao preconceito, afirmou.

Houve também protestos contra o caso de estupro coletivo no Rio de Janeiro.  A presença do elenco da série Sense 8, produzida e exibida pela Netflix, no evento causou alvoroço no público na Avenida Paulista.

Filho de 7 anos de Michel Temer tem R$ 2 milhões em imóveis



Aos 7 anos de idade, completados em 2 de maio, Michel Miguel Elias Temer Lulia Filho, mais conhecido como Michelzinho, é proprietário de pelo menos dois imóveis cujos valores somados superam R$ 2 milhões. O pai, Michel Miguel Elias Temer Lulia, de 75 anos, presidente em exercício da República, passou para o nome do único herdeiro do seu casamento com Marcela Temer dois conjuntos comerciais que abrigam seu escritório político em São Paulo.

Localizados no Edifício Lugano, no Itaim-Bibi, zona sul da capital paulista, cada conjunto tem 196 m² e valor venal de R$ 1.024.802, segundo a Prefeitura de São Paulo - os dados são públicos e podem ser consultados na internet. O valor de mercado costuma ser de 20% a 40% mais alto do que o valor de referência usado pela Prefeitura para calcular o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).

Mesmo assim, na declaração de bens que Temer apresentou à Justiça Eleitoral em 2014, cada conjunto é avaliado em apenas R$ 190 mil. Isso é comum nas declarações de políticos, pois os imóveis costumam ser declarados pelo valor de quando foram comprados. A legislação não obriga a atualização do valor.

Luciana, Maristela e Clarissa, fruto do primeiro casamento de Temer, são proprietárias de imóveis residenciais na zona oeste de São Paulo, segundo a Prefeitura. A primeira também é dona de um escritório no mesmo prédio onde ficam os imóveis transferidos para seu irmão.

Outros bens

No caso da declaração de bens de Temer apresentada quando foi candidato a vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff, a casa que possui na zona oeste de São Paulo também está subavaliada. Em 2014, o presidente em exercício declarou a residência de 415 m² no Alto de Pinheiros, comprada em 1998, por R$ 722.977,41. Na Prefeitura, o valor venal é de R$ 2.875,109. Sobre esse valor incide a cobrança de IPTU.

Se a casa e os dois conjuntos do Itaim-Bibi tivessem seu valor corrigido para pelo menos o valor venal, o patrimônio declarado de Temer aumentaria em pelo menos R$ 3,6 milhões e chegaria a um total de mais de R$ 11 milhões. Isso não inclui outra casa, de R$ 1.434.558, no bairro do Pacaembu, pela qual ele responde a uma ação por não pagamento de IPTU, e que Temer diz ter vendido.
O patrimônio do presidente interino cresceu rapidamente desde 2006. Naquele ano, Temer foi candidato a deputado federal e declarou bens no valor de R$ 2.293.645,53. Se corrigido pelo IGP-M da Fundação Getúlio Vargas, eles corresponderiam, em 2014, a R$ 3.678.526,22. Porém, seu patrimônio declarado à Justiça Eleitoral em 2014 já havia crescido para R$ 7.521.799,27. Ou seja, mais do que dobrou acima da inflação entre duas eleições - e isso sem levar em conta a valorização dos imóveis. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Com laudo próprio, OAS aumenta custo de obra no governo tucano em pelo menos R$ 390 mil



Imagine vocês queridos leitores, se fosse um governador do PT superfaturando uma obra, na vista de todos. Será que todos permaneceriam em silêncio?Será que o ministério publico,  e todos os tipos de policia já não estariam investigando e vazando para a imprensa? Com o PSDB, nada disso acontece....Veja o que diz a reportagem da Folha A direção da Dersa, empresa controlada pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB-SP) e responsável pelo Rodoanel Norte, firmou aditivo com a construtora OAS com base somente em um relatório feito pela própria empresa interessada. O aditivo aumentou em 290% o custo da terraplanagem em um dos lotes da obra.

O relatório da OAS precisava ter a assinatura de um responsável técnico, como geólogo ou geotécnico, mas não tem. Nele, a empresa alegou que o projeto original da Dersa não previu a enorme quantidade de matacões (grandes rochas) existente no local, o que dificulta a terraplanagem e aumenta o custo do serviço.

A direção da Dersa acatou o argumento da OAS sem consultar todas as áreas técnicas do órgão, como os setores de Projeto –que teria falhado ao não prever os matacões– e o de Planejamento. A Dersa disse que o trâmite para a assinatura do aditivo foi regular.

Hoje, com cerca de metade da obra executada, o governo já prevê que todo o trecho norte do Rodoanel, licitado em 2012 por R$ 3,9 bilhões, sairá ao menos 10% mais caro (R$ 390 milhões a mais).

O empreendimento também atrasou, sobretudo devido à demora nas desapropriações. Era previsto para março deste ano e ficou para 2018.

Os aditivos que reajustaram a terraplanagem, firmados em setembro de 2015, são alvo de inquérito da Polícia Federal em São Paulo desde março.

Segundo a Folha apurou, o caso tem atraído atenção de investigadores da Lava Jato –a OAS é investigada por suposto envolvimento no petrolão e negocia delação no âmbito da operação.

O lote 2 do Rodoanel Norte, da OAS, foi o que sofreu maior aumento nos custos, mas todos os seis lotes tiveram aditivos de forma semelhante e também estão sob apuração na PF. A construtora OAS detém ainda o lote 3.

Os demais são do Consórcio Mendes Júnior-Isolux (lote 1), da Acciona Infraestructura (lotes 4 e 6) e do Construcap-Copasa (lote 5).

À PF, que instaurou inquérito após denúncia de um ex-funcionário terceirizado da Dersa, profissionais disseram que a escavação e a remoção de matacões já estava prevista no projeto original, porque o local da obra, próximo à Cantareira, sabidamente tem essa característica geológica.

Conforme o que foi licitado, as empreiteiras são pagas por metro cúbico de rocha removida –os matacões já estariam incluídos no pacote. A polícia apura se eles serviram de desculpa para um aumento indevido do preço.

No caso do lote 2, a Dersa previa pagar, quando abriu a licitação, R$ 27 por metro cúbico de rocha removida. A OAS venceu cobrando R$ 16. Com o aditivo, o valor foi para R$ 46. A terraplanagem como um todo subiu de R$ 26 milhões para R$ 102 milhões.

Uma parte desse aumento também se deve ao transporte do material escavado –a distância até o descarte aumentou, porque caminhões foram proibidos de transitar pelo bairro próximo à obra.

A PF também apura um suposto jogo de planilhas: no aditivo, a Dersa manteve inalterado o preço global dos contratos. Isso foi possível subindo os valores dos serviços de terraplanagem e reduzindo –ao menos por ora– os dos serviços posteriores.

Com o andar da obra, boa parte do investimento total previsto terá sido consumida só na terraplanagem, faltando dinheiro para as etapas finais. Será preciso, então, injetar recursos lá na frente.

ESTUDO

Em março, após o caso chegar à PF e com os aditivos já vigentes, a Dersa decidiu encomendar ao IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) um estudo sobre os matacões.

Também ligado ao governo, o IPT teve, de 2012 a 2015, um contrato para assessorar no Rodoanel. A parceria previa dar "apoio tecnológico à Dersa quanto aos aspectos específicos de geologia e geotecnia envolvidos no projeto".

O diretor de Engenharia da Dersa, Pedro da Silva, disse que não solicitou o parecer antes de assinar os aditivos porque não queria deixar a obra paralisada. A saída, afirmou, foi assinar o aditivo com "preço provisório" até que o estudo fique pronto.

À Corregedoria do Estado, que também apura o caso, testemunhas disseram que dois engenheiros da Dersa se recusaram a assinar os aditivos, segundo a reportagem apurou.

Consultado pela Folha, o assessor técnico do Tribunal de Contas de São Paulo, Orlando Pontirolli, disse, sem se referir ao caso específico, que nunca viu aditivos com preços provisórios. Ele diz que é apropriado que as áreas técnicas de um órgão se manifestem, antes de um aditivo ser fechado, sobre supostas falhas apontadas pela contratada.

OAS repete na Dersa prática adotada no STJ

A construtora OAS aparentemente repete em São Paulo, nas obras do Rodoanel Norte, a mesma prática adotada no final dos anos 80 na construção superfaturada da sede majestática do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília.

A Folha revela nesta segunda-feira (30) que a Dersa –empresa controlada pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB-SP)– firmou aditivo com a construtora OAS, aumentando o custo da obra, com base somente em um relatório feito pela empreiteira.

“O aditivo teve como base única um relatório feito pela própria construtora interessada, e sem a assinatura de responsável técnico”, informa o repórter Reynaldo Turollo Jr.

No caso do STJ, como o jornal revelou em 2005 em reportagem do editor deste Blog, o Tribunal de Contas da União aceitou um laudo técnico, produzido por uma consultoria contratada pela OAS, baseado em planilha fornecida pela empreiteira.

Voto divergente, vencido, um conselheiro propunha perícia pelo TCU.

Sem concorrência e por meio de aditivos, violando a legislação –segundo pareceres técnicos do TCU– a OAS foi contratada para comprar e instalar, entre outros, elevadores, passarelas, sistemas de exaustão de cozinha e conjuntos de poltronas para o STJ.

Uma inspeção extraordinária do TCU apontara “a prática de atos antieconômicos e ilegais”. Detectara falhas nos procedimentos licitatórios, impropriedades em aditamentos, pagamentos adicionais de despesas indiretas por atraso (da administração) e contratação, sem licitação, de equipamentos e serviços.

Vizinhos fazem “quadrilha do Temer” em frente à casa do Michel Temer em São Paulo



Com pipoca, amendoim e quentão, vizinhos do presidente interino Michel Temer se reuniram na praça Conde de Barcelos para o “Arraial do Temer”. Por volta das 17h, cerca de 50 pessoas fantasiadas de caipira dançavam quadrilha, ao som de bumbo, trompetes e cornetas, cantando paródias de canções juninas, com críticas ao governo Temer.
Na frente da casa do presidente, cercada por seis viaturas policiais em um trecho interditado da rua, os manifestantes levantaram faixas enquanto dançavam a “Quadrilha do Temer”. “Com seu amigo Jucá/O Temer resolveu tramar/Vamos fugir da Lava-Jato/Dando golpe parlamentar”, cantava o grupo, parodiando a canção caipira “Pedro, Antonio e João”. “Deixa o Cunha comandar/Pra depois a gente cassar/Sarney estava gostando/Renan estava sorrindo.”

“Queremos mostrar, na sua própria vizinhança, que o apoio a Temer não é unanimidade na elite”, dizia uma manifestante. “É tudo pacífico, é uma crítica com bom humor. Mas queremos incomodar. Só isso”, afirmou outro vizinho. Na semana passada, os vizinhos já haviam feito a “Serenata do Temer”. O grupo organiza ainda uma cerimônia simbólica para mudar o nome da praça Conde de Barcelos, na rua Benett, para “Praça do Golpista”. A praça era tradicionalmente conhecida como praça dos cachorros, por conta das pessoas que passeiam com seus cães e se encontram na região. Enquanto dançavam no “arraial do Temer”, os vizinhos gritavam refrões como “Vem Lava-Jato/E lava tudo agora/Na dança da Quadrilha/Ninguém vai ficar de fora.”
Apesar de o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, ter afirmado na semana passada que “não pode fechar a rua”, o trecho onde está localizada a casa do presidente interino estava cercado por cavaletes, cones e grades metálicas....Estranha-se o fato de só o Istoé ter divulgado a nota...A imprensa geral esta de lua de mel com Temer

Chefe do GSI nomeado por Temer é de ala que vê MST com preocupação



A cada nova informação publicada na  imprensa, faz lembrar da Regina Duarte: "Eu tenho medo" A reportagem da Folha dessa segunda feira (30), é para pensar ....Nomeado ministro-chefe do ressurrecto GSI (Gabinete de Segurança Institucional) pelo presidente interino Michel Temer, o general Sérgio Etchegoyen, 64, faz parte de uma ala do Exército que vê com preocupação as manifestações do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e de outros grupos.

Etchegoyen é o estrategista responsável pelo Plano de Defesa Nacional e sob seu comando está a Abin (Agência Brasileira de Informação), que será usada para cumprir a missão que o general recebeu: monitorar os movimentos de esquerda.

À Folha, por e-mail, ele afirmou que, até o momento, não distribuiu nenhuma diretriz à Abin sobre esses grupos.

Em junho de 2015, em palestra para a sociedade israelita de Porto Alegre (RS), o militar relatou como generais viam o tema: "Não regulamos ainda o crime de terrorismo no país para não atingir os movimentos sociais. É preciso cuidar da preservação da coesão social e olhar aqueles que saem da legitimidade."Militares ouvidos pela Folha afirmam que, sob seu comando, o GSI fará um intenso levantamento de movimentos de esquerda, para evitar que o governo seja surpreendido como nas manifestações de junho de 2013.

MODELO DE CONVÍVIO

Nascido em Cruz Alta (RS) –onde conheceu o atual chefe do Exército, Eduardo Villas Bôas–, Sérgio Etchegoyen vem de uma família que está há 99 anos no Exército: são três gerações de generais.

Seu avô Alcides Gonçalves foi chefe da polícia do Distrito Federal durante o Estado Novo (1937-1945), substituindo Filinto Müller. Seu pai, Leo Guedes, protegeu e fez elogios à atuação do DOI-Codi paulista durante a ditadura militar (1964-1985).

Seu tio Cyro Etchegoyen foi chefe do CIE (Centro de Informações do Exército) durante a ditadura e, segundo testemunhas disseram à Comissão Nacional da Verdade, era um dos responsáveis pelo funcionamento do centro de tortura conhecido como "Casa da Morte", em Petrópolis (RJ).

Formado em administração pela Universidade da Amazônia, estudou também na Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende (RJ), entre 1971 e 1974.

Como capitão, Etchegoyen chegou a ser preso pelo general Newton Cruz, chefe do SNI, em 1983, por ter defendido a decisão de seu pai de depor em uma CPI sobre a dívida externa –Cruz era contrário que militares se apresentassem para depor a civis.

No início da década de 90, o general serviu em El Salvador como chefe de uma missão das Nações Unidas. Depois, foi comandante da Escola de Aperfeiçoamento dos Sargentos das Armas.

Após chefiar a Comissão do Exército Brasileiro em Washington (EUA), entre 2001 e 2003, foi assessor do então ministro da Defesa, Nelson Jobim –apontado como um dos fiadores de sua escolha para o GSI.

Em 2014, como chefe do Departamento de Pessoal do Exército, classificou como "leviano" o relatório final da Comissão Nacional da Verdade. O documento trazia os nomes de seu pai e de seu tio entre os 377 agentes do Estado que atuaram a favor da tortura.

Etchegoyen foi o único militar da ativa a se manifestar sobre o relatório –numa carta que, segundo ele, expressava a opinião da família.

O general é conhecido entre colegas de farda por suas posições claras sobre a Amazônia e os países bolivarianos.

"O bolivarianismo só dá certo na Venezuela pelo baixo nível de suas Forças Armadas", já afirmou. "No Brasil, criamos um modelo de convívio entre Forças Armadas, o governo e a sociedade. As Forças Armadas não oferecem ameaça à sociedade e assim vão continuar."

Seguir a cartilha



Para afastar desconfianças, STF deveria evitar atitudes que destoem das práticas do Judiciário

Há pouco mais de duas semanas, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, tomou uma decisão atípica. Solicitou que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, reavaliasse a necessidade de investigar o senador Aécio Neves (PSDB-MG), supostamente envolvido num esquema de corrupção em Furnas.

Na semana passada, Gilmar repetiu a atitude incomum. Devolveu a Janot um novo pedido de abertura de inquérito sobre o tucano. Dessa vez o procurador-geral pretendia apurar eventual participação do presidente do PSDB em alegada maquiagem de dados do Banco Rural, que teria o intuito de ocultar o chamado mensalão mineiro.

Levantadas a partir da delação premiada do senador cassado Delcídio do Amaral (ex-PT-MS), as duas suspeitas sobre Aécio -que nega envolvimento nos casos- dependem de maior averiguação para serem confirmadas ou descartadas. Apenas depois disso, havendo indícios suficientes, uma ação penal poderá vir a ser instaurada.

É por isso mesmo difícil entender as duas decisões de Gilmar Mendes. Ao criar obstáculos para o Ministério Público Federal, o ministro do STF não permite nem que se inicie uma tentativa de esclarecer os episódios narrados por Delcídio.

Como regra, os juízes rejeitam a abertura de inquérito apenas em situações excepcionais -por exemplo, quando o promotor ou procurador da República pede para apurar uma conduta que, mesmo se comprovada, não constitui crime. Não é essa a situação de Aécio.

Ainda que não fosse pelo clima de exaltação na política, magistrados em geral deveriam evitar medidas que subvertam a prática forense. Especialmente em tempos de Lava Jato, comportamentos inusuais sempre darão ensejo à formulação de teorias conspiratórias.

Por esse motivo o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, viu-se obrigado a frisar, por meio de nota, que eventuais conversas de ministros com políticos não trazem prejuízo à imparcialidade dos julgamentos. Moveu-se porque alguns, ele inclusive, foram citados nos diálogos gravados por Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro.

Dias antes, Gilmar Mendes dissera algo com o mesmo espírito -e, por enquanto, não há sinais de que estejam errados nesse aspecto.

Mas, até para afastar desconfianças em relação ao único Poder que ainda conta com algum prestígio popular, os ministros deveriam observar com a máxima atenção a cartilha do Judiciário.
Isso vale especialmente para o ministro Gilmar, que agora acumula a presidência do Tribunal Superior Eleitoral com a da segunda turma do Supremo, responsável por julgar os processos da Lava Jato.. achei interessante a folha escrever um editorialzinho cobrando Gilmar Mendes

Em nova gravação, ministro de Temer critica Lava Jato e aconselha Renan


Hoje na Transparência, Fabiano Silveira era conselheiro do CNJ quando teve áudio gravado

Reportagem  do “Fantástico”, da TV Globo, mostra  novos trechos de conversas gravadas pelo ex-senador e ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado.

As gravações contêm conversas de uma reunião na casa do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), com a participação do atual ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, Fabiano Silveira, quando ele ainda era conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Segundo Sérgio Machado, na conversa houve troca de reclamações sobre a Justiça e  operação Lava Jato. Na gravação, Fabiano Silveira faz críticas à condução da Lava Jato pela Procuradoria e dá conselhos a investigados na operação.

Neste mês, Silveira assumiu o Ministério da Transparência, responsável pela fiscalização, controle e ações do governo para combate à corrupção. O ministério foi criado pelo presidente em exercício Michel Temer no lugar da antiga Controladoria-Geral da União.

Funcionário de carreira do Senado, Fabiano Silveira era conselheiro do CNJ, para onde tinha sido indicado Renan Calheiros, antes de entrar para o primeiro escalão do governo de Temer.
Cerca de três meses antes de assumir o cargo, Fabiano Silveira esteve em uma reunião na casa de Renan Calheiros, onde a Lava Jato foi amplamente discutida com investigados. Durante as tratativas do acordo de delação premiada, o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado disse que no dia 24 de fevereiro deste ano foi à casa de Renan Calheiros para conversar, entre outras coisas, sobre, abres "as providências e ações que ele estava pensando acerca da operação Lava Jato".

Machado disse que participaram dessa conversa duas pessoas que ele disse serem "advogados de Renan". Um deles, segundo Machado, se chama Bruno, e o outro, Fabiano. Machado disse: "no inicio relatei aos advogados sobre o que ocorreu em minha busca e apreensão”.  Na revelação mais importante, o ex-presidente da Transpetro diz que, no encontro, ele e os presentes trocaram “reclamações gerais sobre a Justiça e sobre a Java Jato".

Sérgio Machado gravou a conversa. Participam da reunião, além dele e Renan Calheiros, Bruno Mendes, advogado ex-assessor de Renan, e Fabiano Silveira. Ou seja, o atual ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, encarregado de combater a corrupção no governo federal, participou de uma conversa em que, segundo Sérgio Machado disse aos investigadores, foram feitas críticas à Lava Jato e à Justiça.

Além disso, é possível entender que Fabiano orienta Renan e Sérgio Machado sobre como se comportar em relação à Procuradoria Geral da República (PGR). A qualidade do áudio é ruim, há varias pessoas na sala, mas é possível identificar as vozes de Machado, de Renan Calheiros, de Fabiano e de Bruno Mendes.

A TV Globo pediu ao professor da Unicamp e perito Ricardo Molina que também analisasse a gravação. Ele disse que, "acima de qualquer dúvida razoável", a voz é de Fabiano Silveira. A certa altura, Sérgio Machado lê alto um depoimento do ex-diretor da Petrobras e delator da Lava Jato Paulo Roberto Costa. Eles ouvem as acusações e os argumentos de defesa de Machado, que se dirige a Fabiano e diz que as explicações que tem são contundentes. Bruno critica a cobertura da imprensa.

MACHADO: Esse foi o motivo, Fabiano... (inaudível). As explicações que estão aí, você vê que são todas contundentes.

BRUNO: Tudo que eles falam, p****, a imprensa só dá... Rapaz, você acredita que os caras tinham a cara de pau de dizer no noticiário que o (inaudível) ia ser julgado? (inaudível)
Em seguida, Fabiano faz um comentário sobre a situação de Sérgio Machado e diz que ele deve procurar o relator da medida cautelar para prestar esclarecimentos.

FABIANO: Eu concordo com a sua condição de, tendo sido objeto de uma medida cautelar, simplesmente, não... Dizer assim: 'olha, não é comigo isso...' acho que tem que dizer, tem que se dirigir ao relator prestando alguns esclarecimentos, é verdade.

MACHADO: Sobretudo Fabiano...  Não tem nada.

BRUNO: Nós não temos um movimento pra fazer agora.

Inquérito sobre Renan no Supremo

Renan Calheiros diz a Fabiano que está preocupado com um dos inquéritos a que responde no Supremo, o que investiga se o presidente do Senado e Sérgio Machado, entre outros agentes públicos, receberam propina – em forma de doações eleitorais – para facilitar a vitória de um consórcio de empresas em uma licitação para renovar a frota da Transpetro.Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef citaram o negócio em depoimento. A campanha de Renan teria sido contemplada com duas doações no valor total de R$ 400 mil.

Na gravação, Renan diz a Fabiano, sem entrar em detalhes, que está preocupado com um recibo. Machado diz que ele foi incluído em um processo de R$ 800 mil. Uma voz que não é possível identificar pergunta se foi Youssef quem disse que o dinheiro foi pra Renan. Machado diz que não.

RENAN: Cuidado, Fabiano! Esse negócio do recibo... Isso me preocupa pra c******. (...)

MACHADO: Eles me botaram num processo lá de 800 mil que o Youssef tinha dito que era pra... (inaudível) estaleiro. Que eles estão de acordo se tem certeza que era pra você (inaudível).
(voz não identificada): Yousseff disse?

MACHADO: Não. Da conclusão eles entendem que... (inaudível)

Conselhos sobre estratégia de defesa

Nesse momento, Fabiano discute com eles a estratégia de defesa de Machado e Renan nesse caso. Fabiano aconselha Renan dizendo que, aparentemente, ele não deve entregar uma versão dos fatos, pois isso daria à Procuradoria condições de rebater detalhes da defesa.

FABIANO: A única ressalva que eu faria é a seguinte: está entregando já a sua versão pros caras da... PGR, né.  Entendeu? Presidente, porque tem uns detalhes aqui que eles... (inaudível)  Eles não terão condição, mas quando você coloca aqui, eles vão querer rebater os detalhes que colocou. (inaudível)

Críticas à investigação da PGR

Mais à frente, Fabiano chega a fazer críticas à condução da investigação pela Procuradoria e diz que Janot e os procuradores estão perdidos.

MACHADO: Diz que o... Janot não sabe nada. O Janot só faz... (inaudível) cada processo tem um procurador.

FABIANO: Eles estão perdidos nesta questão.
(...)

MACHADO: A última informação que vocês têm, não tem nada, não apuraram nada até hoje, é isso?

FABIANO: não.

(voz não identificada): É a última informação, né? (inaudível).  Eles, desde o início, Sérgio, eles estão jogando verde para colher maduro. O cara fala: 'eu não conheço o Renan'... (inaudível).

FABIANO: Eles foram lá buscar o limão e saiu uma limonada.

Conversa com PGR

Em outra  conversa, em 11 de março,  sem a presença de Fabiano, Renan e Sérgio Machado comentam a atuação do atual ministro da Transparência, Ficalização e Controle, que teria ido falar com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, depois da reunião que tiveram em 24 de fevereiro.

O “Fantástico” apurou que Fabiano procurou diversas vezes integrantes da força-tarefa da Lava Jato para tentar obter informações de inquéritos contra Renan. E saía de lá com informações evasivas, que eram comemoradas por Renan. Nesta conversa, Renan disse que alguém na Procuradoria nada tinha achado contra ele e que tinha classificado o presidente do Senado de “gênio”.

RENAN: Ele disse ao Fabiano: 'Ó, o Renan... Se o Renan tiver feito alguma coisa que eu não sei... Mas esse cara, p****, é um gênio, usou essa expressão. 'Porque nós não achamos nada'.

MACHADO: Já procuraram tudo.

RENAN: Tudo.

domingo, 29 de maio de 2016

Depois de se encontrar com Gilmar Mendes na calada da noite,Temer se encontra com Janot


O presidente interino, Michel Temer (PMDB), receberá nesta segunda-feira (30), no Palácio do Planalto, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. O encontro será às 17h.A assessoria de Temer afirmou que se trata de uma reunião cotidiana, sem tema específico. A informação está na Folha de São Paulo

É a primeira vez desde que assumiu o poder que o presidente interino se encontra com o chefe do Ministério Público Federal, responsável pela condução das investigações contra políticos suspeitos de participar do esquema do petrolão, entre eles integrantes do PMDB.

Na noite de sábado, Temer recebeu na sua residência, o  Palácio do Jaburu o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, que também é presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Mendes afirmou que discutiu com o peemedebista a recomposição orçamentária do tribunal para as eleições municipais deste ano.A reunião aconteceu em meio à primeira grave crise do governo Temer, com as gravações feitas pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado de líderes do PMDB.

Há receio na base de Temer que os diálogos tratando da Lava Jato ofereçam risco no julgamento do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff no Senado.

Mendes é um dos principais críticos dos governos do PT e é relator das contas de chapa Dilma-Temer, aprovadas pelo tribunal com ressalvas em 2014.O ministro também assume na próxima terça-feira (31) a presidência da Segunda Turma do STF, que é responsável pelo julgamento da maioria dos inquéritos que investigam a participação de políticos na Lava Jato.

sábado, 28 de maio de 2016

Temer e Gilmar Mendes no Palácio do Jaburu em um sábado a noite


O que eles tramam no apagar das luzes?
Gilmar Mendes chegando na casa de Temer nesse sábado a noite

O presidente interino Michel Temer recebeu no Palácio do Jaburu, na noite deste sábado (28), uma visita do ministro do Supremo Tribunal Federal e presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Gilmar Mendes.
 A notinha da Folha de São Paulo nessa noite de sábado informa que, Gilmar Mendes relator no TSE do processo que analisa as contas da campanha da chapa da presidente afastada Dilma  e do seu vice e agora presidente interino está de bate papo com Temer. Pois é. A mídia domesticada partidária  e covarde acha normal encontro de Temer e Gilmar Mendes hoje a noite no Jaburu, sendo que um é o juiz e o outro investigado

O ministro também assume na próxima terça-feira (31) a presidência da Segunda Turma do STF, que é responsável pelo julgamento da maioria dos inquéritos que investigam a participação de políticos no esquema investigado pela Operação Lava Jato.

Ele vai substituir Dias Toffoli, que teve seu mandato de um ano no comando da turma encerrado na última semana.

Advogado-Geral da União nos últimos anos do segundo mandato do tucano Fernando Henrique Cardoso, Mendes é um frequente crítico do PT e das gestões do partido no governo federal.... No inicio desse mes, Gilmar Mendes, viajou para Portugal para assistir palestra com Aécio Neves. Lembram?

Golpe! Dino avisou


Por trás do impeachment 

 As articulações para pisar no freio da Lava-Jato ficaram claras após a divulgação das gravações de Sérgio Machado com as principais raposas do PMDB. E sobre essa tecla, o governador Flávio Dino, aliado de Dilma, vinha batendo: "Há interesses de oportunistas que imaginam que derrubar a presidente seja caminho de parar a Lava-Jato".

Em abril, entrevistado pelo portal Uol, Dino foi direto ao ponto sobre os fatos agora revelados no complô do impeachment.

"Eles querem se proteger exatamente atacando a presidente, sobre a qual não pesa qualquer acusação". Em março, o jornalista Ricardo Noblat deu a senha: "Essa coisa de tirar a Dilma é maneira de salvar os corruptos".

Após a divulgação dos áudios de Sérgio Machado, Dino disparou: "Confirmado: Dilma está sendo vítima dos seus acertos, não dos seus erros. Estes, ela possui. Mas quem não? Os fariseus farsantes". Ou seja: "Dilma foi afastada por não conter investigações contra políticos poderosos", segundo o governador do PCdoB.

Ah sim

O ministro Gilmar Mendes vai assumir a presidência da Segunda Turma do STF, responsável pelas ações da Lava Jato. No último dia 26, ele votou a favor da libertação do empreiteiro Marcelo Odebrecht. Há duas semanas, paralisou o inquérito contra o senador Aécio Neves. Nesta terça, perguntaram a ele se o senador Romero Jucá tentou obstruir as investigações. "Não vi isso", respondeu.

Pedaladas de Temer



Legalidade de operação com BNDES, anunciada por Temer, não está tão clara quanto parece para TCU
A legalidade do pagamento antecipado de R$ 100 bilhões pelo BNDES, anunciado por Michel Temer para aliviar o caixa, não está tão clara quanto parece para o Tribunal de Contas da União. A área técnica tem ressalvas. Um ministro diz que, se o tribunal for “rigoroso”, dirá que a operação fere a Lei de Responsabilidade Fiscal. Já outro tem mais boa vontade: “Precisamos ajudar”. O governo ainda não fez consulta à corte. Se não explicar a conta, corre o risco de levar uma cautelar nas costas.

 Na Fazenda, o entendimento é que se trata do pagamento de uma dívida e não haverá problemas. Mas não se descarta uma verificação prévia junto ao TCU. O gesto acalmaria os técnicos do Tesouro, que sinalizaram receio com a medida.

 A declaração de Júlio Marcelo, primeiro do Ministério Público junto ao TCU a dizer que a operação com o BNDES é legal, causou mal-estar na corte. “Ele opinou sobre um assunto que o plenário não se debruçou”, disse um ministro.

Veja requenta noticia antiga para desviar o foco das gravações de Machado



Tá certo que a gente não acredita nem em meia vírgula daquilo que escreve a revista Veja. Mas vai que algum desavisado, ou de má fé,  acredita na reportagem que a revista publicou ontem, vamos avisar que a notícia é de março e está aqui no site da Globo. Na imagem abaixo, note a data 26/03/2016


Portanto,  notícia velha. Apenas uma cortina de fumaça para tentar  tirar o foco das denuncias gravadas por Sérgio Machado, que já derrubou um ministro do Temer, o Jucá,  e ainda promete mais bombas para o PMDB

sexta-feira, 27 de maio de 2016

FHC cancela palestra e foge de Nova York após protestos de intelectuais:“No Coup”



Ex-presidente participaria de debate neste sábado sobre democracia na América Latina.

Após protestos de intelectuais, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) cancelou sua participação numa palestra neste sábado em Nova York sobre a democracia na América Latina e deixou a cidade apressadamente. O evento foi organizado pela Associação de Estudos Latino-Americanos (LASA) em homenagem aos 50 anos da entidade e FHC dividiria um painel de debate com o ex-presidente do Chile Ricardo Lagos.

Em carta enviada a LASA, FH explica que desistiu da palestra para não dar discurso a “mentes radicais”.

A polêmica em torno do convite a Fernando Henrique Cardoso para falar sobre democracia no congresso começou no fim de abril. Um grupo de membros da LASA, entre intelectuais brasileiros e estrangeiros, encaminhou à entidade uma petição defendendo ser inapropriado o tucano participar do painel no momento em que o partido dele, o PSDB, é apontado como um dos colaboradores de um “golpe” no Brasil pelos partidos que apoiam a presidente afastada Dilma Rousseff.

“Ao convidar o ex-presidente para falar sobre a evolução da democracia exatamente num momento de fragilidade da democracia brasileira, quando o próprio Cardoso, bem como o partido em que ele ocupa um papel central, não hesitou em pôr em perigo a paz doméstica e os mecanismos básicos da democracia como a Constituição, a LASA estaria desrespeitando estudiosos que têm lutado para constituir uma estabilidade democrática na região nos últimos 50 anos”, diz trecho da petição, que foi liderada pela doutoranda da Universidade de Brasília e membro da LASA Mariana Kalil. Veja video

Para evitar mais polêmica, a LASA mudou o nome do painel, trocando a palavra democracia por vida pública. A versão final ficou “50 Anos de Vida Pública na América Latina”.

O comunicado sobre a desistência de FHC foi encaminhado pela LASA a seus membros por email na quarta-feira passada. A noite, durante a abertura do congresso da LASA em Nova York, está previsto um protesto de intelectuais contrários ao afastamento da presidente Dilma organizado pelo Conselho Latino-americano de Ciências Sociais (Clacso). Broches com a bandeira do Brasil e a frase “No Coup” (Sem golpe, em inglês) serão distribuídos aos convidados.

Entidades como a Clacso (Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais) programaram um protesto contra a participação de FHC e planejam distribuir camisetas com as inscrições "Brasil, La Democracia de Luto" e "Não ao Golpe" –nesta última, o slogan aparece escrito também em inglês e espanhol.

"Respeitamos a decisão da Lasa de convidar a um dos maiores instigadores e incentivadores do golpe no Brasil, porém também convocamos a acompanhar a conferência enchendo o auditório de camisetas pretas em sinal de protesto", diz um convocatório da entidade latino-americana, incluída no site da entidade.

Uma petição de 162 membros da entidade latino-americana e 337 pesquisadores não associados pedia o cancelamento da conferência de FHC. "Respeitamos a contribuição passada de Cardoso para o pensamento internacional. Entretanto, esse convite foi feito em um momento infeliz", diz o texto. Ainda segundo o o abaixo-assinado, o convite foi feito num momento em que FHC e seu partido "não hesitaram em colocar em perigo a paz interna nem mecanismos básicos como a Constituição".

Para os pesquisadores, ao dar voz a FHC a entidade pode incorrer em "um desrespeito grosseiro com pesquisadores que têm lutado há tempos para constituir uma estabilidade democrática na região nos dias atuais e nos últimos 50 anos".

Membro da Clacso e um dos organizadores do ato, o argentino Leandro Morgenfeld disse à Folha a entidade se coloca contra a participação de FHC no evento por que "ter sido um do principais articuladores do golpe contra a presidente afastada Dilma". Disse ainda que "é um desatino" chamá-lo para falar em um debate sobre democracia.

Cristovam Buarque é alvo de protesto de professores em Fortaleza



"Eu te imploro, até de joelhos, vote contra o impeachment da presidente", pediu, chorando, a educadora Lillian Pacheco, da Chapada da Diamantina (BA), ao senador Cristovam Buarque (PPS-DF). Em visita a Fortaleza, Cristovam Buarque que votou pela abertura do processo foi recebido com protesto de professores em defesa do governo Dilma.

Cristovam participava da Conferência Internacional Saberes para uma Cidadania Planetária. Segundo Lillian, emoção é decorrente da certeza do "golpe", além do "retrocesso" que o governo de Michel Temer (PMDB) representaria para a educação. Para a professora que trabalha em comunidades quilombolas, permanência de Dilma garante programas sociais a "indígenas e pobres". Após palestra, cerca de 20 pessoas levantaram-se e dirigiram-se a ele segurando cartazes que pediam pela volta de Dilma.

Questionado por um deles sobre como seria possível melhorar a educação no governo Temer, o senador respondeu: "É impossível fazer o que eu defendi aqui com esse governo que está aí e também com o que ficou por 13 anos no poder (Lula e Dilma), mas quem escolheu o Temer foi a Dilma". Em entrevista ao jornal O Povo  ele lamentou ocorrido, mas disse que votou pelo impeachment "com convicção".

Impeachment foi 'jeitinho' na Constituição, diz 'Economist'



A revista britânica The Economist afirma, em edição publicada nesta sexta-feira, que o afastamento da presidente Dilma Rousseff foi um 'jeitinho' dado na Constituição.

O impeachment de Dilma Rousseff, uma presidente impopular que não foi pessoalmente acusada de malfeitos sérios, é um 'jeitinho' na Constituição", diz o texto, usando o termo em português."Muitos dos políticos que votaram pelo impeachment recorrem a esses jeitinhos de forma incansável, por exemplo com as leis de financiamento de campanha", completa.

A presidente foi afastada pelo Congresso sob acusação de ter editado créditos suplementares sem autorização do Congresso e de ter usado recursos de bancos públicos - as chamadas "pedaladas fiscais". Sua defesa alega que isso não constitui crime de responsabilidade.

Nesta semana, o ministro interino Romero Jucá (PMDB-RR) caiu após revelações de diálogos em que ele dizia que a mudança de governo era necessária para "estancar a sangria" da Lava Jato.

O texto da Economist fala sobre palavras que só existem em português, como saudade, cafuné e jeitinho - "uma forma de contornar algo, normalmente uma lei ou regra".

Afirma que o jeitinho tem uma conotação de ingenuidade mas também de ilegalidade e que é uma marca da identidade nacional.

Cita como exemplo restaurantes que oferecem refeições a policiais que em troca patrulham suas ruas, empresas abertas com uso de "laranjas" para pagar menos impostos e pessoas que usam crianças ou idosos para evitar filas.

A publicação diz que, segundos alguns especialistas, os católicos, tentados a considerar a confissão como alternativa à obediência às leis, são mais suscetíveis ao uso do jeitinho. O artigo prossegue dizendo que sociedades mestiças como o Brasil tendem a ser mais flexíveis - tanto com a lei quanto com a etnicidade. E afirma que talvez a desigualdade tenha seu papel (a lógica seria: se os ricos e poderosos quebram a lei, por que as pessoas comuns não fariam isso?).

Mas conclui que o uso do 'jeitinho' pode estar ficando mais difícil, não apenas devido a investigações como a Lava Jato mas também pelo uso da tecnologia, como câmeras e radares para multar 

A revista cita o antropólogo Roberto DaMatta para dizer que o Brasil pode estar caminhando para um sistema anglo-saxão, onde as leis "são obedecidas ou não existem".

"Se isso acontecer, a satisfação que muitos brasileiros vão sentir pode ser tingida com cores de saudades", conclui a revista. Publicado na BBC Brasil