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sexta-feira, 24 de novembro de 2006

CPI se cala sobre Serra


Os parlamentares da CPI dos Sanguessugas não questionaram o empresário Abel Pereira, acusado de ser o elo entre os tucanos e a máfia das ambulâncias, sobre as suspeitas levantadas contra o governador eleito de São Paulo, José Serra.Nem mesmo os parlamentares do PT não tocaram no assunto. Empresário em Piracicaba, Abel foi acusado pela família Vedoin de cobrar propina de 6,5% para facilitar a liberação de verbas federais para o esquema durante a gestão do tucano Barjas Negri no Ministério da Saúde em 2002, no governo FHC. Nos últimos dias, a imprensa divulgou que a propina paga a Abel teria sido usada para quitar dívidas da campanha presidencial de José Serra (PSDB), em 2002.

Ninguém da CPI questionou Abel sobre a acusação contra Serra. "Acho que todos consideraram que o Serra não está envolvido", disse o presidente da comissão, deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ). Segundo o deputado Fernando Ferro (PT-PE), os petistas não questionaram Abel porque este negaria que recebeu cheques e depósitos da família Vedoin. Em seu depoimento, Abel negou participação em irregularidades ou que tenha tentado comprar o silêncio dos Vedoin, acusados de coordenar a máfia.Abel foi a Brasília a passeio, não foi questionado e ao ser perguntado sobre Vedoins e dossiê, repetia; "Desconheço todos esses fatos. "Os Vedoin queriam que eu procurasse alguém do PSDB para oferecer os documentos. (...) A ética é ouvir, não tomar conhecimento, não dar importância, não ir atrás", respondeu Abel ao questionamento sobre por que não denunciou a suposta oferta. "Estamos diante de uma interpretação muito peculiar sobre o que é ética", ironizou Raul Jungmann (MD-PE).

Abel negou conhecimento sobre os cheques e transferências bancárias que os Vedoin dizem ter feito a pessoas e empresas indicadas por ele. "Não conheço, não tive contato, nem sei se essas empresas existem." Ele afirmou que só estreitou a relação com o ex-ministro Barjas Negri após este ter deixado o posto. "Conhecia-o de vista [antes de 2003], por ele ser de Piracicaba. Não tinha contato e relações com ele. O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP)fez o que na verdade os deputados do PT deveriam ter feito, cobrou explicações de Pereira sobre 19 ligações, de 28 minutos, que teria trocado com os Vedoin de dezembro de 2002 a julho de 2003. Abel não conseguiu responder...

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