A administração José Serra (PSDB) paga até R$ 5.000 (dinheiro de nossos impostos) para famílias de sem-teto deixarem a cidade de São Paulo. Além do dinheiro, a prefeitura cede as passagens de ônibus para os municípios de origem dos desabrigados.
Assistentes sociais confirmam a informação. Dizem que muitos dos sem-teto beneficiados pela verba usam o dinheiro para pagar dívidas ou comprar objetos pessoais. E continuam na cidade.
"[O valor] depende de cada caso. Tem gente que tem família grande, vários filhos, então a gente dá R$ 5.000. Se é sozinho, não precisa de R$ 5.000, pode ser R$ 1.000, R$ 1.500", disse o secretário .
"Não vou ficar lá. Peguei o dinheiro e vou visitar minha família, que não vejo há sete anos", disse Vanessa Ajala, 22, que é de Birigüi, no interior de São Paulo.
Já Anderson de Lima, 45, que viajou com a mulher e três filhos, diz que fará um "teste" de dois ou três meses em Recife. Dependendo do resultado, vou retornar.
Saria Amaral, 32, voltou à noite com o marido e os dois filhos para Salvador e quer continuar por lá.
Seis passagens não foram usadas no último sábado, apesar de as pessoas terem retirado a verba. Os destinos eram Rio, Recife e Salvador.
Todos que recebem o recurso, são considerados atendidos pela administração e retirados dos cadastros de programas de moradia da cidade. Por isso voltam depois e pegam mais dinheiro.
O desempregado João Batista dos Santos, 54, no entanto, diz que ficou a "ver navios". "Eu não recebi a bolsa-aluguel. Quando vi que os colegas conseguiram o dinheiro, fiz um pedido para a prefeitura .
Já a catadora de papel Hilda Ramos da Silva quer a verba, mas diz que compraria com ela um barraco na zona leste. "Sou sincera, não quero mentir para a prefeitura."
"Kit despejo"
Para um dos coordenadores da União Nacional por Moradia Popular, Benedito Barbosa, o que a prefeitura fez foi criar um "kit despejo".
Segundo ele, muitos compraram "celular, bota nova, sapato novo".
Isso jamais vai ser instrumento para resolver o problema da moradia". "É uma simples maquiagem do problema, dinheiro jogado no ralo que poderia ser usado para eliminar áreas de risco e regularizar ocupações em áreas públicas". A prefeitura não teria como impedir a volta dos sem-teto para a capital. "É o direito de ir e vir".
Tom Cruz





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