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segunda-feira, 2 de junho de 2008

Corrupção tucana na ALSTOM foi abafada na CPI dos Correios

O caso foi abordado na CPI dos Correios (vulgo "mensalão"). Como sempre, quando uma CPI volta-se contra Tucanos e DEMos, eles não aprofundaram no assunto, e ficou sem maiores apurações.

O dono da empresa Brockveld Equipamentos e Indústria Ltda, fornecedora de esteiras, denunciou na época da CPI, uma licitação combinada no ano de 2000, onde a empresa dele foi preterida para favorecer a ALSTOM e a Siemens.

O empresário havia calculado em R$ 48 milhões o valor da licitação. A ALSTOM e a Siemens cobraram quase o DOBRO.

Detalhe: a ALSTOM embolsou US$ 15 milhões e não cumpriu o contrato com ECT. Está sendo processada pelos Correios, e foi substituída pela NEC (que havia desistido da licitação 2 dias antes).

De quebra, diz o empresário, as escolhidas passaram a gerenciar outros três contratos no valor de US$ 100 milhões (dólares).

A Brockveld havia feito um consórcio com a japonesa NEC, onde a empresa brasileira cuidaria do maquinário de movimentação postal e a NEC dos equipamentos de comunicação e segurança. Dois dias antes da licitação, representante da NEC informou à Brockveld que não poderia participar da licitação, atendendo a interesses da Siemens.

No dia da abertura das propostas, Edson Brockveld diz ter sido "convidado" pelas empresas Mannesmann Dematic Rapistan, Siemens e ALSTOM a não participar da concorrência da ECT, pois estaria tudo certo que as duas últimas seriam as vencedoras da licitação.

Como Brockveld não desistiu, os Correios fizeram uma manobra nas exigências, em desacordo com o estabelecido no edital de licitação, para desabilitar tecnicamente a Brockveld e a Mannesmann, deixando o caminho livre para a ALSTOM e a Siemens vencerem sozinhas.

Logo depois, a direção da Brockveld foi procurada pelas vencedoras, para que não entrasse com recurso administrativo. Em troca, a Siemens e a ALSTOM comprariam da empresa brasileira os equipamentos previstos no contrato.

Com a Alstom, o acordo foi assinado na noite do dia 23 de fevereiro de 2000. A empresa foi representada, segundo Edson Brockveld, por um diretor chamado Jean Bernard Devraignes. A Siemens, no entanto, esperou a data-limite para entrada de recurso, 24 de fevereiro de 2000, para assinar o acordo, em Brasília. Naquele dia, para ter certeza de que tudo sairia conforme combinado, Hélcio Aunhão, diretor da Siemens, foi ao aeroporto da capital federal encontrar com Brockveld, então disposto a entrar com o recurso administrativo contra o resultado da licitação, o que nunca aconteceu. Depois de assinados os contratos, no entanto, as empresas vencedoras não honraram os acordos.

O presidente dos Correios era Hassan Gebrin, ligado aos grupos políticos de José Roberto Arruda (DEMos/PFL-DF) e Joaquim Roriz (PMDB). A indicação havia sido avalizada pelo então ministro das Comunicações, o tucano mineiro Pimenta da Veiga, ligado à Aécio Neves e Eduardo Azeredo.

Fonte: Carta Capital, edição 360

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