A CPI dos Sanguessugas, criada a pedido da oposição para investigar a máfia das ambulâncias, não tem condições políticas de investigar o envolvimento dos quatro últimos ministros da Saúde — os tucanos José Serra e Barjas Negri, o petista Humberto Costa e Saraiva Felipe, do PMDB. Depois de acusar 69 deputados e três senadores de envolvimento com as fraudes na compra de ambulâncias pelas prefeituras com dinheiro de emendas parlamentares ao Orçamento, o relator da CPI, senador Amir Lando (PMDB-RO), reconheceu ontem que as investigações feitas até agora não conseguirão apontar os verdadeiros responsáveis pelas irregularidades dentro do Poder Executivo.
Não há mais tempo para que a comissão aprofunde as investigações e consiga confirmar as acusações levantadas pelo empresário Luiz Antônio Trevisan Vedoin. O sócio da Planam denunciou tráfico de influência dentro daquela pasta que, na gestão de Fernando Henrique Cardoso. No caso de Humberto Costa e Barjas Negri, Luiz Antônio levantou a suspeita de pagamento de propina a pessoas próximas a eles para que seus interesses fossem defendidos.
A audiência de ontem da CPI foi a prova de que a comissão não conseguirá aprofundar as investigações até seu encerramento, em meados de dezembro. O governo escalou uma tropa de choque, composta por deputados e senadores petistas, para acompanhar os depoimentos de Humberto Costa e Saraiva Felipe, mas eles não tiveram trabalho. Parte da oposição boicotou a audiência e os poucos que compareceram não criaram problemas para os dois ex-ministros de Lula. Costa, por sua vez, fez questão de elogiar o trabalho dos ex-ministros do governo FHC.
Apesar de não dispor de provas suficientes do envolvimento dos ex-ministros com a máfia das ambulâncias, o senador Amir Lando mostrará no seu relatório que a fraude envolveu sim os ministérios. O relator ressaltará que o esquema de corrupção só conseguiu êxito por causa da participação de servidores do Executivo e ocorreu debaixo das barbas dos quatro ex-ministros. “Ele (o esquema de corrupção) vem com fôlego atravessando governos”, disse o senador.
Em sua defesa, durante a audiência ontem de manhã da CPI, Humberto Costa confirmou ter encontrado o sócio da Planam Luiz Antônio Trevisan Vedoin no Ministério da Saúde em fevereiro de 2003, mas negou favorecimento da pasta à empresa. O encontro, segundo ele, foi agendado a pedido do ex-vice-governador do Distrito Federal, Benedito Domingos (PP). “Não houve nenhum tipo de beneficiamento para a Planam. Se o Vedoin pagou qualquer propina, ele foi ludibriado”, afirmou. Costa ocupou o ministério entre janeiro de 2003 e julho de 2005.
O ex-ministro explicou também aos parlamentares que a liberação de cerca de R$ 8 milhões feita pela pasta à Planam no início de 2003 obedeceu a critérios legais. “Eles (os donos da Planam) não tinham de pagar propina a quem quer que fosse porque a empresa se enquadrava nos quesitos”, afirmou.
Na vez de Saraiva Felipe, em sessão realizada à tarde, o ex-ministro admitiu que chegou a receber propostas “não-republicanas” de alguns parlamentares interessados na aprovação de convênios para a compra de ambulâncias. Questionado sobre a influência da bancada do seu partido, o PMDB, para a liberação de verbas, Felipe, que é deputado federal, citou como exemplo o caso do senador Ney Suassuna (PB). O ex-ministro lembrou que muitas das emendas do parlamentar não foram liberadas por impropriedades técnicas. Felipe se eximiu de responsabilidade pela nomeação da ex-assessora especial do ministério Maria da Penha Lino, um dos braços da máfia dos sanguessugas no Executivo.
Helena





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