Freqüentemente, políticos da situação denunciam a postura parcial da grande imprensa na cobertura do governo Lula. Mais do que informar, os veículos de comunicação defendem, em especial na atual crise política, interesses políticos-partidários. Interesses que passam pela não reeleição do presidente Lula. Tais críticas são sempre desqualificadas pela mídia hegemônica.
No entanto, o mais recente crítico da imprensa, não é oriundo da situação. Possivelmente por ter sentido na pele a sanha sensacionalista e punitiva dos meios de comunicação, o deputado Roberto Brandt (PFL) passou a encarar a mídia com um olhar mais severo. Sua análise é interessante. Em entrevista à Carta Capital (edição 385), ele afirma que atualmente os acusados são tratados com o pressuposto de culpa e são vítimas de condenação sem julgamento; constata a existência de uma "cultura do espetáculo" dentro da qual a cobertura da crise política tem sido feita; e condena a onda moralista de partidos e da grande mídia que, na verdade, camufla os interesses dos grupos dominantes que não desejam alterações no status quo.
Na entrevista o pefelista, referindo-se aos jornalistas, também afirma que "há falta de apreço pela exatidão e pela verdade. (...) Enquanto se descrevem fatos, tudo bem. Mas alguns se recusam a descrever fatos".
Brandt tece considerações sobre a opinião pública. "Temos de aprender a encarar a opinião pública. A opinião pública não é o povo, é muito menor do que ele, a opinião pública não acerta sempre. Várias vezes na história a opinião pública estava equivocada. E se nunca, nenhuma vez, políticos e estadistas a tivessem desafiado o mundo hoje estaria pior e não melhor do que está. Como se forma a opinião pública? Forma-se de maneira quase leviana. (...) As pessoas vão aos jornais, às revistas e à televisão não para ler, pensar, refletir e decidir. Não. Vão para se distrair e se divertir, não se aprofundam, têm horror à diversificação e às dificuldades. A opinião pública é formada de maneira quase instantânea e perigosa. (...)A opinião pública é muito menor do que o povo, porque na verdade existe um fosso entre a sociedade brasileira como um todo e a opinião pública. A opinião pública são aquelas pessoas que lêem jornais, revistas. São quantos? Um milhão, dois, três. Quem lê o Estadão, a Folha, o Globo, a CartaCapital?"
Por fim, o deputado conclui: "Dentro de cinco meses algo muito maior do que a opinião pública, que é o povo brasileiro, inscrito no colégio eleitoral brasileiro, vai cassar ou confirmar esses mandatos por si mesmo, por sua própria mão e não pelos seus intérpretes de ocasião, não submetido aos interesses da circunstância."
A recente recuperação da imagem do governo e das intenções de voto no presidente Lula parecem confirmar as palavras de Brandt, ao mostrar claramente o quão equivocados estão alguns dos principais colunistas/analistas da grande mídia – sobretudo impressa – que insistem em se considerar, eles próprios, a expressão da opinião pública brasileira.
O povo é bem maior do que isso.
Jens





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