Veja A LISTA DE FURNAS
Ouça A ENTREVISTA
"Eu tenho pavor de político desonesto" - Nilton Monteiro-
Ele é acusado pela oposição de bandido e estelionatário. Está envolvido com a lista que traz os nomes de 156 políticos beneficiados em 2004 com R$ 36,5 milhões de um suposto caixa dois de Furnas. E diz estar disposto a contar tudo na CPI dos Correios.
A convocação dele foi aprovada, mas ainda não foi marcada a data do depoimento. A oposição quer vê-lo pelas costas e ameaça convocar o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.
O lobista mineiro Nilton Monteiro é um sujeito enrolado. Tem vida obscura. Já falsificou a assinatura do próprio pai em um documento de aposentadoria. Mas é inegável que sabe muitas coisas sobre corrupção.
Sente-se perseguido desde que denunciou no ano passado o esquema de caixa dois do senador Eduardo Azeredo para a campanha ao governo de Minas em 1998.
Foi ele que entregou à Polícia Federal documentos que comprometem Azeredo e seu ex-caixa de campanha, Cláudio Mourão. Logo depois, entregou também a suposta lista de Furnas feita, segundo ele, por Dimas Toledo, ex-diretor da empresa.
Monteiro alega que Dimas o contratou para ajudá-lo a se manter no emprego depois que começou o governo Lula. E que lhe pagaria R$ 3 milhões pelo serviço.
O repórter do blog Leandro Colon encontrou Monteiro ontem na casa de um irmão dele no bairro Cachoeirinha, em Belo Horizonte. Abaixo, os principais trechos da entrevista gravada:
Por que você entregou essa lista na Polícia Federal?
Primeiramente, eu não entreguei essa lista. A única pessoa que teve acesso a ela, que ficou com o original e com a cópia fiel autenticada chama-se Augustinho Valente (ex-deputado federal). Eu confiei nele. Eu entreguei para ele no ano passado. Ele foi à Brasília e mostrou para o pessoal do PT.
E depois eu cobrei e ele me trouxe a cópia autenticada e o original. E me devolveu. E fui surpreendido quando a lista vazou na imprensa, na internet, até de uma forma para queimar o documento. Dizendo que o documento era falso. Isso me aborreceu muito.
Até que chegou o momento onde eu fui surpreendido, um dia, terminando meu depoimento ao doutor Zampronha (delegado da PF) sobre o caso do Cláudio Mourão. Quando entreguei os documentos a ele para que fossem examinados para perícia, ele chegou com a cópia da lista, jogou na mesa e pediu que eu desse informação sobre ela.
Eu não estava preparado para falar sobre isso. Estava tomando remédio. Mas já que ela estava na internet, com o xerox do xerox do xerox, eu resolvi dar a informação. E fiquei surpreso. Me senti traído. Não achava que isso iria vazar e todo mundo tirasse proveito. Eu iria guardar para o mês de maio.
Por que?
Porque eu queria desmascarar as pessoas que estão naquela lista.
Ps: Insisto nesse assunto que não pode ficar esquecido. Nos últimos dias, um "batalhão" de jornalistas amestrados fizeram de tudo para desqualificar a LISTA DE FURNAS.
Tom Cruz





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