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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006

Monteiro diz que tem original da lista de Furnas


Monteiro com uma das duas cópias autenticadas em cartório do que ele chama de "a lista de Furnas".




O lobista mineiro Nilton Monteiro avisa que vai entregar à Polícia Federal (PF) o original da suposta lista do Caixa 2 de Furnas. Em entrevista gravada em Belo Horizonte ao repórter do blog DO NOBLAT Leandro Colon, ele tentou, primeiro, evitar o assunto, mas acabou confirmando que possui o original:

- Ele (Dimas Toledo, ex-diretor de Furnas) fez quatro blocos (da lista). Eu fiquei com um. Um ficou com o Dimas. E os outros dois ficaram com o doutor Felipe (advogado de Dimas). Eram também 28 recibos. Eu devolvi 20 e fiquei com oito. Vou entregar tudo. O original e os recibos.

Os tais recibos teriam sido assinados por assessores e alguns dos 156 políticos que receberam para as eleições de 2002 um total de R$ 36,5 milhões doados por dezenas de empresas brasileiras e multinacionais.

A entrevista foi interrompida às 10h30 de ontem por um telefonema do delegado Luiz Flávio Zampronha, da PF. O repórter estava na casa de um irmão de Monteiro em Belo Horizonte. Ouviu quando ele disse a Zampronha:

- A garantia que eu tive era de que iriam encaminhar a lista e um recibo. Deve chegar aí. Eu vou te pedir uma coisa: eu queria acompanhar essa perícia. Como é que eu faço? Eu queria estar aí.

É a primeira vez que Monteiro confessa que possui o original da suposta lista de Furnas. Nos depoimentos dados à polícia, garantiu que o original não estava com ele. E que nem cópia possuía. Mentiu pelo menos quanto à cópia.

Monteiro mostrou ao repórter a cópia autenticada com os selos originais do Cartório de Quarto Ofício de Notas, do Rio de Janeiro. Foram feitas duas cópias. A segunda está com a PF. Antes, a PF havia obtido uma cópia da cópia autenticada.

Foi Monteiro que informou à polícia no ano passado sobre a existência da lista de Furnas e de documentos que comprovaram de fato a existência de Caixa 2 na campanha do atual senador Eduardo Azeredo (PSDB) para o governo de Minas Gerais em 1998.

Ele afirma que entregou a lista à polícia depois que ela começou a circular na internet. E volta a dizer que ela foi feita por Dimas para ser usada caso corresse o risco de perder o cargo em Furnas.

Segundo Monteiro, Dimas pediu a ele que o ajudasse a garantir seu emprego junto ao advogado Portella Barbosa, que tem boas relações com Aécio Cunha, presidente do Conselho de Administração de Furnas. Cunha é pai de Aécio Neves, governador de Minas.

A lista de Furnas seria usada como moeda de negociação. Mas aí Monteiro fracassou na tarefa. E Dimas acabou afastado do cargo depois que o então deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) denunciou o Caixa 2 de Furnas.

Em seus depoimentos à PF e à CPI dos Correios, Dimas negou tudo. Disse que nunca se encontrou com Monteiro. E afirmou que a lista é uma fraude.

Monteiro adianta que teve pelo menos três encontros com Dimas, embora não os tenha provado até agora. Ele é acusado pelo PSDB e PFL de ser um estelionatário.

Quanto ao conteúdo da lista e suas eventuais incoerências, Monteiro alega que o problema não é dele, mas de Dimas.

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