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quarta-feira, 25 de janeiro de 2006

Tô com Gil e não abro!,

O mundinho “culturete” brasileiro tem vivido dias de luta, de luta visceral entre quem outrora trocava afagos e elogios em tom fraternal. A gestão de Gilberto Gil frente ao Ministério da Cultura é o motivo para esses sopapos verbais públicos que medalhões vêm distribuindo via imprensa (cada vez mais jogando o jogo de quem quer mudanças em 2006, só que não quer dizer mudanças para o novo. E sim para quem já esteve lá por muitos e muitos anos).
E nessa pancadaria toda, não me furto a dizer:

“Tô com Gil e não abro!”.

Não que eu tenha qualquer ligação com o ministério administrado pelo tropicalista ou simpatia com o que vem sendo desenvolvido lá dentro. Gosto de umas coisas, outras não. Como em qualquer outra coisa do mundo. O que me motiva a demonstrar apoio público ao ministro é justamente de onde vêm as críticas contra seu trabalho.

Elas partem de quem sempre, desde a redemocratização, mama nas gostosas e fartas tetinhas do governo. E se os figurões estão reclamando, eu, como membro do povo e a favor da distribuição democrática de recursos públicos, só posso achar bom. O talento de gente do naipe de Marco Nanini, Paulo Autan, família Barreto, Caetano Veloso (representando, na verdade, Paula Lavigne) e Ferreira Gullar é, naturalmente, inconteste. O problema é que eles não precisam mais de apoio do governo para desenvolver seus trabalhos artísticos. O sucesso pessoal e o peso dos próprios nomes já garante excelentes bilheterias e boas tiragens vendidas, independente do conteúdo em questão. A assinatura do artista é a própria grife.

Quem precisa de dinheiro para trabalhar com cultura é aquele grupo de teatro que você nunca ouviu falar da periferia de Presidente Prudente. É aquela banda fenomenal que seu primo comentou mas que só toca em espeluncas de São Paulo. É aquele gênio do vídeo que só produz filmes com câmeras VHS no interior de Santa Catarina. É aquele escritor que publica romances xerocados no interior de Roraima.

Quando se coloca recursos públicos destinados à cultura na mão dessas pessoas é que estamos falando de democratização e descentralização de políticas culturais. Não dá para ficar colocando verba só em produções que ostentam globais no elenco. O Brasil é muito maior que o eixo Rio-São Paulo. Só que esses privilegiados, que sempre contaram com polpudos orçamentos do BNDES e de diversas estatais, estão sentindo a navalha na carne. Estão levando menos do que estavam habituados. E essa mudança dói. Só que eles têm espaço na mídia para expor suas lamúrias publicamente.

E o tiozinho que toca viola caipira desde os cinco anos no sertão de Pernambuco e só agora conseguiu grana para gravar seu primeiro CD não consegue mais de que generosas notinhas nos cadernos culturais de pequenos jornais do Estado onde vive. Ou seja, sua glória não repercute nacionalmente.

É por isso tudo que já disse e repito: “Tô com Gil e não abro!”.

Helena

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