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domingo, 18 de setembro de 2016

Lula virou a maior ameaça à Corporocracia mundial. Por isso é alvo de "assassinos econômicos".



Tentando entender com mais profundidade tanto o golpe como o insano processo de assassinato de reputação do presidente Lula me lembrei e revisitei o livro autobiográfico "Confissões de Um Assassino Econômico" de John Perkins, de 2004.

Perkins trabalhava como consultor a serviço de grandes empresas dos EUA com a função de lesar países ao redor do mundo em golpes de trilhões de dólares. Oficialmente era consultor da empresa Chas. T. Main, mas disse ter sido recrutado por um membro da Agência de Segurança Nacional estadunidense, NSA. Isso bem antes de Edward Snowden denunciar a espionagem ilegal, inclusive sobre a Petrobras.



Sua profissão, que ele chamou de "assassino econômico", era sabotar a economia, primeiro financiando o país em obras de mineração, petróleo, energia, agronegócio, etc. E subornando, para obter contratos vantajosos e sem conteúdo nacional. Assim, ao mesmo tempo, o dinheiro emprestado voltava para as empresas estrangeiras que ele representava. Depois de atolar o país em dívidas, vinha a crise da dívida e as imposições do FMI: privatizar tudo na bacia das almas para as empresas estrangeiras a quem ele servia comprarem a preço de banana e o país se limitar a conseguir pagar as dívidas em dia através de programas de ajustes draconianos.

Dá calafrios a semelhança com a agenda do governo golpista do Mr. Fora Temer, por sinal muito semelhante ao que foi o governo FHC. Veja o vídeo acima onde explica de forma resumida como um assassino econômico atua em um país. O livro é de 2004, mas parece que ele está falando hoje do Brasil do golpe em vários momentos.

Isso ajuda a entender o quanto a dimensão do golpe vai além das fronteiras brasileiras. Envolve a Corporocracia (Corporatocracia é sinônimo), ou seja o "governo de Corporações" (grandes empresas), sobretudo as que dominam o fluxo de capitais no mundo, financiam campanhas eleitorais, mandam nos políticos, controlam a imprensa, financiam ongs e movimentos que articulam golpes. É claro que o braço brasileiro dos bancos, da Fiesp, dos barões da mídia fazem parte, como se fossem uma filial menor, da Corporocracia mundial.

Perkins conta como atuava em países como Equador e Panamá. Tentou subornar Jaime Roldós, presidente do Equador que tentou nacionalizar o petróleo de seu país. Roldós foi incorruptível. Morreu em seguida, em 1981, em um acidente aéreo em circunstâncias estranhas, que Perkins acredita ser assassinato planejado. O mesmo ocorreu com o presidente do Panamá Omar Torrijos e no mesmo ano. Recusou suborno e em seguida morreu em acidente aéreo. Torrijos negociava ampliação do canal do Panamá com japoneses, o que contrariava os Estados Unidos e empresas estadunidenses.

Roldós e Torrijos foram aniquilados com a morte porque eram líderes só em seus países, sem dimensão mundial. Fazer o mesmo com Lula no auge de sua boa imagem, da mesma dimensão de um Nelson Mandela, seria mais do que complicado, seria um tiro no pé. Criariam um mártir com suas ideias se alastrando mais ainda por anos e anos.

Lula tornou-se a maior ameaça à Corporocracria depois de 2009, mesmo que ninguém declarasse nem admitisse isso. Em plena crise internacional dos EUA e Europa, Lula virou modelo de sucesso de governo para o mundo com uma nova fórmula de inclusão social com crescimento econômico muito boa para o povo e para o desenvolvimento do país. Todo governante do mundo queria ser Lula. Até a oposição à Hugo Chavez na Venezuela dizia ter Lula como modelo (ainda que possa ser apenas para conquistar votos populares).

Só que o modelo de governar de Lula fazia crescer as fatias do bolo para todo mundo, também para as grandes empresas, mas a fatia dos mais ricos crescia mais devagar do que a fatia dos mais pobres. Isso significava perda de poder da Corporocracia no controle da economia. A médio e longo prazo essa perda se acentuaria.

Pior: Ao descobrir o pré-sal, Lula mudou o marco regulatório do Petróleo (junto com Dilma) deixando o lucro maior do petróleo para o povo e menor para as petroleiras estrangeiras, contrariando-as. E ainda criou uma política de conteúdo nacional. Grandes grupos econômicos nacionais deixaram de trabalhar só com cimento e começaram a investir em estaleiros, plataformas de petróleo, petroquímica e até indústria bélica para defesa do pré-sal e da nação.

Como se não bastasse, Lula articulou o "desarmamento" dos "assassinos econômicos". Primeiro pressionando junto a outros países por reformas no FMI, no Banco Mundial, no BID. Depois com Dilma, junto aos BRICS, fundaram o Novo Banco de Desenvolvimento. A médio ou longo prazo com potencial de abalar o poder estadunidense e Europeu no mercado financeiro mundial.

Mesmo depois de sair da presidência Lula continuou sua pregação de seu modelo de governo mundo a fora. E pior, sua atuação ajudou a abrir mercados para empresas brasileiras em outros países, concorrendo com empresas de países imperialistas.

Apesar da perseguição insana contra Lula servir aos propósitos dos "assassinos econômicos", a própria história recente do marco regulatório do Pré-sal mostra que a Corporocracia mundial não conseguiu corromper Lula, como não conseguiu corromper Roldós e Torrijos.

A Corporocracia disse: "Houston, temos problemas!" (Houston é considerada a capital da indústria do petróleo). Lula não só é uma ameaça aos interesses deles no Brasil pela posição geopolítica no BRICS. É ameaça pela influência no G20, na América Latina e África, pois outros países irão copiar seu modelo de governar quanto mais Lula atuar.

Não se pode matar Lula enquanto ele é modelo para o mundo. É preciso matá-lo em vida, difamando-o, assassinando sua reputação. Isso explica o que estamos assistindo fazerem contra ele.

3 Comentários:

Leonardo disse...

Desde que começou eu e tantos outros com uma inteligência provavelmente mediana, dizíamos que a tal farsa-jato tinha Lula e o PT como alvos a fim de entregarem o Pré-Sal e tantas outras riquezas aos EUA. Não lembro deste blogue denunciar. Uma pena.

claudineia lage disse...

Isso está mais que claro esses golpistas tem apoio interesse dos Americanos e outros. Só vou que o mundo da voltas.

Jorge disse...

Como é consolador e estimulante ver cientistas que testemunham as verdades do que acontece no Brasil. Essas verdades já eram percebidas por muitos que amam o país. Se esperaqva a reação das instituições ditas democráticas para abalar a marcha do progresso nacional, social e cidadã. quem já soube fazer uma vez, fará de novo e melhor, pois aprendeu com erros normais da imperfeição humana

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