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sábado, 10 de setembro de 2016

"Agora estão sendo presos pela ditadura", admite polícia do Alckmin no Riocentro do Temer.

Mais uma notícia gravíssima que a Globo chapa-branca do Temer esconde, e um jornal espanhol, El País, é que publica. A reconstituição da prisão ilegal - nas palavras do juiz que cuidou do caso - de jovens secundaristas (inclusive menores de idade) que manifestavam democraticamente.

A operação contou com a sinistra infiltração - ainda não explicada - de um capitão da inteligência do Exército se passando por manifestante com identidade falsa.

Ao que tudo indica, a prisão "para averiguação" foi mera tentativa de intimidar o povo que vai às ruas. O próprio juiz que soltou os cidadãos manifestantes escreveu na sentença: "Vivemos dias tristes para nossa democracia. Triste é viver em um a país que a gente não pode se manifestar (...) O Brasil não pode legitimar a atuação policial de praticar verdadeira 'prisão para averiguaçõ'".
http://brasil.elpais.com/brasil/2016/09/10/politica/1473466247_649639.html
Seguem os principais trechos

“Vocês não queriam ser presos pela ditadura? Agora estão sendo”

EL PAÍS reconstitui a detenção de 21 manifestantes antes de protesto 'Fora Temer' em SP no dia 4
Juiz considerou a detenção ilegal 24 horas depois e mandou soltar o grupo

(...)
"As pessoas estavam com medo de ir a manifestações, principalmente as mulheres", relatou uma das pessoas do grupo. "Por isso combinamos de irmos juntos". Eles não se conheciam pessoalmente. Haviam se encontrado em um grupo de discussão no Facebook, formado a partir de um evento convocando para outra manifestação que ocorrera dias antes.
(...)
Chegando ao Centro Cultural São Paulo, um prédio amplo, de pé direito alto, alguém do grupo levantou a suspeita de que eles estavam sendo vigiados por "dois senhores, que estavam ali tirando fotos". Os manifestantes saíram do centro e sentaram-se no chão, em frente à entrada, para esperar pelos outros. Foi quando, por volta das 15h30, cerca de 30 policiais militares portando "armamento pesado" chegaram. "Mandaram a gente levantar e encostar na grade". Sobre as cabeças, o helicóptero da PM seguia sobrevoando.
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"As meninas foram então levadas para uma revista íntima dentro do banheiro do Centro Cultural", disse uma delas. "Tive que tirar toda a roupa diante das policiais femininas". Os ouvidos pela reportagem não relataram episódios de violência física.
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"Eu perguntava o que a gente tinha feito e eles só diziam que era 'ordem de cima'", relata. Os celulares também foram confiscados pela polícia que, em seguida, devolveu o aparelho para apenas um deles: Willian Pina Botelho, ou Balta Nunes como se apresentava, apontado como infiltrado pelos participantes do grupo. "Ele dizia que precisava ficar com o celular na mão porque a mulher dele ia telefonar", contam. Botelho, que é capitão do Exército, se dizia preocupado porque estava com "um documento de identidade falso".
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Um garoto que estava ali fazendo uma pesquisa para seu Trabalho de Conclusão de Curso foi colocado no mesmo grupo dos manifestantes que neste momento era de 22 pessoas.
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Um dos policiais disse: 'o sonho de vocês não era ser preso pela ditadura? Vocês não queriam ser presos pela ditadura? Tá aí, agora estão sendo presos pela ditadura".
(...)
os policiais não informaram onde e nem por que estavam levando os manifestantes
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"Percebemos que o Balta não estava lá no ônibus", disse um deles. Foi quando suspeitaram que o amigo era, na verdade, um infiltrado.
(...)
Dentro do ônibus os celulares foram devolvidos aos seus donos, que puderam avisar amigos e parentes sobre a detenção, embora não puderam dizer para onde estavam sendo levados, já que não sabiam.

Pausa para um comentário meu: é possível que os celulares tenham sido devolvidos para espalhar a notícia da prisão e esvaziar a manifestação, já que a prisão ocorreu antes. Claro que os celulares devem ter sido bisbilhotados, virados do avesso antes de serem devolvidos, para tentar achar alguma coisa que rendesse manchetes contra as manifestações e algum movimento social.

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No estacionamento do Deic, os manifestantes ficaram novamente enfileirados. Os policiais tiraram fotos e filmaram os rostos e os pertences de cada um deles. Uma barra de ferro azul, do tamanho de um pé de um banquinho, foi atribuída a um deles que dizia o tempo todo que queria "deixar claro" que aquela barra de ferro não era dele.
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Enquanto milhares desciam a avenida Rebouças pedindo pelo fora Temer, a notícia dos detidos corria. Passava da meia noite quando Eduardo Suplicy (PT), ex-senador e ex-secretrário dos Direitos Humanos da gestão Haddad, foi até a delegacia, acompanhado pelo deputado federal Paulo Teixeira (PT) e o vereador Nabil Bonduki (PT). O delegado Fabiano Fonseca Barbeiro informou que os manifestantes estavam "detidos para averiguação".
(...)
Foi somente depois das duas da tarde do dia seguinte que os detidos foram encaminhados para o Fórum Criminal da Barra Funda, onde seria realizada uma audiência de custódia. Lá, a decisão do juiz Paulo Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo determinou que a prisão fora ilegal. "O Brasil como Estado Democrático de Direito não pode legitimar a atuação policial de praticar verdadeira ‘prisão para averiguação’ sob o pretexto de que estudantes reunidos poderiam, eventualmente, praticar atos de violência e vandalismo em manifestação ideológica. Esse tempo, felizmente, já passou", dizia a decisão. Os detidos foram soltos no início da noite de segunda-feira.
(...)
Todos os 21 manifestantes que foram detidos estão soltos. Nenhum tinha passagem pela polícia. Quase todos estão bastante assustados. Os que conversaram com a reportagem afirmaram que estão com medo de ir a outras manifestações agora. "Suspeito que fizeram isso para dar um susto em quem tá saindo de casa para se manifestar", disse um dos detidos, três dias depois do episódio. "Tinha gente ali que nunca tinha ido a uma manifestação. Não eram black blocs. A gente estava se encontrado apenas para não irmos sozinhos ao ato".

3 Comentários:

Mary Silva disse...

Realmente a forma que foi feita, tinha como propósito intimidar para que o povo tenha medo de ir se manifestar! Mais acho que nós não podemos nos acovardar não... Gente Força quando estamos juntos somos mais, somos forte!

Tudo pela democracia disse...

Quem diria que voltaríamos a viver no nosso país uma ditadura em plena democracia conquistada a tanto custo. Mas o povo nunca perderá o poder se for para as ruas fazer barulho contra essa ditadura fria e covarde.

Tudo pela democracia disse...

Quem diria que voltaríamos a viver no nosso país uma ditadura em plena democracia conquistada a tanto custo. Mas o povo nunca perderá o poder se for para as ruas fazer barulho contra essa ditadura fria e covarde.

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