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domingo, 21 de novembro de 2010

Folha e Globo mentem: havia uma guerra civil no Brasil durante a ditadura

Não é D. Judith Brito fantasiada. É D. Maria I, a Louca, rainha de Portugal que condenou Tiradentes à forca.
O que a Folha e Globo diriam do processo contra Tiradentes, feito a serviço de D. Maria, a Louca?

Folha e Globo, seguidas de Veja e Estadão fizeram "reporcagens" a partir do processo da ditadura contra Dilma Rousseff no STM (Superior Tribunal Militar).

Processos como estes exigem do repórter e do editor um mínimo de conhecimento da história e visão crítica da época para não escrever bobagens, principalmente usando de má-fé como fizeram os jornais.

Ignorar a realidade da época é o mesmo que publicar uma reportagem sobre o processo de D. Maria, a Louca, contra Tiradentes, e endossar as acusações tiranas de que Tiradentes seria um "traidor infame".

A má-fé dos dois jornais não está em publicar o conteúdo dos autos do STM, que pertencem à história, e podem ser estudados, para evitar novas tiranias, com a devida crítica (por exemplo, considerando sem valor, a princípio, informações obtidas sob tortura, sem que haja confirmação).

A má-fé está em confundir o leitor, principalmente aquele que não conhece o contexto da época, querendo atribuir caráter criminoso em ações de combate, de insurgência contra a tirania, de guerra de guerrilha (como tomada de armas do inimigo, expropriação à bancos), da mesma forma que a Corôa Portuguesa atribuiu como criminosa a insurgência política de Tiradentes.

Como a mentira tem pernas curtas, é fácil desmascarar essa imprensa corrupta: se as ações rebeldes fossem crimes comuns, porque Dilma e seus companheiros eram julgados por um Tribunal Militar, e não pela justiça civil comum?

À Justiça Militar compete processar e julgar os crimes militares, crimes de guerra. É a prova irrefutável de que a própria ditadura reconhecia haver uma guerra de guerrilha em curso, e que as ações da guerrilha eram de combate.

O Brasil viveu uma guerra civil durante a ditadura camuflada pela censura e pelo PIG

Não foi uma guerra civil ostensiva, foi guerra de guerrilha.

Guerrilha é quando um combate se trava entre forças desproporcionais. Sem poder bélico para enfrentar um exército regular, a guerrilha precisa ficar escondida, e só apontar a cabeça em ações típicas de emboscada e sabotagens (como tomada de armas em quartéis e de policiais, expropriação a bancos, ataques à alvos da ditadura), para depois se esconder de novo. A guerrilha não pode ter quartéis visíveis, nem campos de batalha previsíveis, senão é facilmente dizimada pela inferioridade numérica e bélica.

A guerrilha não visa necessariamente vencer na força bélica. Visa criar focos de resistência, inserindo o espírito de luta (mesmo não armado) e resistência na população, na nação.

Num país continental e urbano, como o Brasil, caso houvesse apoio popular, as ações armadas tenderiam a ser substituídas por greves e protestos de massa, criando um ambiente político tal, que faria o tirano bater em retirada do poder. Esse resultado acabou acontecendo, na abertura lenta e gradual, com as greves do ABC, com as manifestações das Diretas Já, culminando com a redemocratização.

Esse mesmo tipo de ação guerrilheira - com poderio bélico inferior, mas apoio popular - levou Nelson Mandela à democracia racial sul-africana e levou à criação da República da Irlanda (exceto a Irlanda do Norte, que ainda faz parte do Reino Unido).

No Brasil, a ditadura montou um conjunto de dispositivos para não deixar a guerrilha atingir seu principal objetivo: a organização e mobilização popular.

Para isso era preciso esconder que havia uma guerra civil legítima em curso contra a ditadura. Além da censura, era preciso demonizar na propaganda noticiosa os guerrilheiros como "criminosos", para não despertarem empatia popular, não criar mártires, nem despertar admiração, nem ideais a serem seguidos.

Foi preciso fazer o mesmo com os guerrilheiros, que D. Maria, a louca, fez com Tiradentes e os demais inconfidentes.

E lá estavam as velhas conhecidas familias Marinho, Frias, Mesquita e Civita, da velha mídia, engajadas em demonizar os guerrilheiros, em entusiasmados editorais, colunas e na deturpação do noticiário. Hoje, coerentes com o passado em prol da ditadura, fazem o mesmo ao colocaram suas mãos sujas no processo de Dilma, vilipendiando a verdade.

Além do aparelho repressivo policial-militar e para-militar, a ditadura criou Atos Institucionais e inseriu, na lei de segurança nacional, carta branca para prender e arrebentar qualquer um que insurgisse contra a ditadura, seja sem arma, seja com armas.

O Ato Institucional nº 6, transformou o STM (Supremo Tribunal Militar) em um tribunal de exceção, onde passaram a ser processados todos enquadrados na Lei de Segurança Nacional, inclusive os civis. Foi o reconhecimento pela ditadura de que estava travando uma guerra civil para se manter no poder.

Qualquer atividade civil de oposição de esquerda (ou que "ameaçasse" o regime), como críticas ao presidente e às autoridades, panfletagem, organização e reunião popular, greve, associação de funcionários "desautorizadas", eram punidas, desde a prisão até a pena de morte, pela Lei de Segurança Nacional vigente na época, em processos na Justiça Militar.

Nesse contexto, de proibição à qualquer atividade real de oposição, é que só restou a resistência armada. Qualquer outra atividade de protesto que trabalhadores, estudantes e movimentos sociais fazem livremente hoje, com a maior naturalidade; qualquer coluna de jornal alternativo ou panfleto com críticas contundentes, dava pena de prisão na época. Até discussão de boteco ou na esquina, se alguém falasse mal do ditador ou da ditadura, ia em cana.

A guerrilha, por natureza, quase sempre acontece em movimentos de independência, de libertação nacional, ou contra ditaduras, quando não há liberdade de expressão, onde é proibido disputar o poder no voto livre. É a luta do oprimido contra o opressor.

Escalada da Ditadura levou à proliferação da luta armada

No Brasil, o golpe de 1964 não teve reação suficiente para debelar o golpe, nem mesmo desarmada, em parte porque foi uma ditadura implantada em etapas. Numa primeira hora, chegou a ser encarada como um golpe pontual com "crise política e militar" (uma "quartelada"). Centristas do PSD (mais ou menos equivalente ao PMDB de hoje), consumado o afastamento de Jango, tentaram fazer um acerto com os militares para reconduzir à normalidade institucional.

A constituição dizia que, faltando menos de 2 anos para o fim do mandato, o Congresso Nacional elegeria o novo presidente. Em acordo, JK e todo o PSD apoioaram a eleição de Castelo Branco no Congresso Nacional, inclusive emprestando como vice um hábil articulador político do PSD (o mineiro José Maria Alckmin). A derrubada de Jango foi um golpe, mas, a rigor, a eleição de Castelo Branco, até ali, retomava o caminho constitucional. O acordo previa que Castelo cumpriria o período do mandato de Jango até o fim, como determinava a Constituição, seguraria os militares da chamada linha dura nos quartéis, e cumpriria o calandário eleitoral, havendo eleições diretas para presidente em 1965, como previa a ordem institucional.

Uma vez eleito, Castelo Branco descumpriu os acordos, vieram golpes dentro do golpe (o próprio JK foi cassado em seguida, pelo próprio Castelo), cada vez mais afastando o caminho da redemocratização e transformando o Brasil numa ditadura cada vez mais arbitrária e massacrando a oposição.

Entre 1964 (após o golpe) até 1968, movimentos civis, como dos estudantes e trabalhadores, se reorganizaram em resistência popular (desarmada), nas ruas, escolas e fábricas. Faziam cada vez mais protestos, greves e passeatas. Trabalhadores começavam a voltar a fazer greves, duramente reprimidas, com prisões e intervenções nos sindicatos.

O AI-5, em dezembro de 1968, fechou as portas para qualquer atividade de oposição. A falta de resistência armada em 1964, que havia levado à ditadura cada vez mais atroz, explodiu em 1968, com milhares de jovens (de todas as idades) resolvendo aderir à unica forma de resistência que ainda parecia viável: a luta armada.

Dilma não participou diretamente de ações armadas, mas não há nenhum demérito em quem participou, pelo contrário. Foi um ato voluntário de sacrifício e bravura, como o de qualquer soldado que combate em uma guerra. Muitos sem qualquer preparo, nem aptidão militar, acabaram sacrificando a própria vida, ou em confronto com um exército e polícia bem treinada e bem equipada, ou torturados e executados nas masmorras da ditadura.

20 Comentários:

Comentários de meu cotidiano disse...

Os que fizeram oposição e lutaram contra a ditadura merecem admiração e respeito por todos nós, já que foram a resistência contra um regime que aviltou as instituições e a democracia neste país.
A apologia à ditadura deveria ser considerada crime.

V disse...

Concordo.
Haviam colaboradores, havia a resistência e os que lavavam as mãos.
Tinha ainda os traidores.


Dilma: Resistência
Serra: Traidor fugiu
Globo (Marinhos): Colaboradores - Máquina de propaganda
Fsp (Frias): Colaboradores - Máquina de propaganda
ARENA: Colaboradores
Maluf: Colaborador
Her Bornhausen: Colaborador
Zé Dirceu: Resistência
Franklin Martins: Resistência
Chico Buarque: Resistência

Podem continuar a lista...

Reginaldo disse...

Vou ser sincero para vocês quem tem a concessão de TV e etc é o povo , o governo.PORQUE O LULA NÃO CANCELA A CONCESSÃO DA GLOBO ?. Não quero ser ditador ou coisa parecida , mas paciência tem limites. A minha tá no limite ver FDP publicando e distorcendo as coisas .... a Dilma tem que ser admirada por lutar contra a ditadura ....

vinícius disse...

O assunto voltar a tona poderá ser boa oportunidade para relembrar o tema.
Tenho certeza que o govrno Dilma saberá aproveitar tudo isso para fazer bom governo.
Ela é Dilmais.

Sérgio Cruz disse...

Zé Augusto,

É muito interessante essa sua comparação do que está acontecendo agora por parte do PIG contra a presidente Dilma, com algumas interpretações que também foram feitas do julgamento farsa de Tiradentes. A primeira dessas "interpretações" foi de um historiador puxa-saco do imperador chamado Joaquim Norberto. Ele publicou o livro "História da Conjuração Mineira". Para agradar o monarca, neto da Maria Louca, assassina de Tiradentes, ele denegriu a imagem do nosso herói do início ao fim do livro. Foi uma vergonha. Depois, quando Getúlio mandou publicar os "Autos da Devassa" - documentos do processo e condenação dos inconfidentes - apareceu um idiota chamado Kenneth Maxwuel(colunista da Folha) e escreveu "A devassa da devassa". Um lixo onde o autor inglês adotou a visão dos algozes para atacar Tiradentes e também para denegrir a historia de luta de nosso povo. Aliás, esse livro, não por acaso, foi, e é, muito badalado pelos "historiadores" tucanos. Agora querem fazer o mesmo com a nossa presidente por sua luta heróica contra a ditadura. Mais uma vez vão dar com os burros n'água. Apesar de todas as mentiras e calúnias, tanto Tiradentes como Lula e Dilma são figuras muito queridas do nosso povo. E isso acontece exatamente porque o país se identifica com seus heróis não com os traidores, os bandidos e os vendilhões. Por isso, quanto mais baterem neles mais ainda o povo vai amá-los.

Um grande abraço

Leila Farkas disse...

Mais uma vez, uma chuva de parabens a vocês
!!!!

Julio disse...

Sobre a questão do PIG no país, a Lei de Médios, o papel da imprensa, etc. Gostaria de dividir com vocês um fato curioso. Ontem vi na TV uma propaganda da Caixa Econômica Federal com o ator Lúcio Mauro Filho. Esse idiota é um deslumbrado representante da pseudo elite que odeia o Lula e o PT. Já vi esse senhor no Jô Soares (outra mala sem alça) sentando o cacete no governo. E não eram críticas pertinentes, que todo cidadão tem o direito. Era deboche, zombaria e piadinhas de mau gosto. Pois o moço fatura um troco fazendo propaganda pra CX. Pode??? O esgoto VEJA é recheado de propagandas oficiais. (não me venham com essa conversinha que tem que ser assim) Deve haver um jeito de fazê-los sentir no bolso as suas infelizes escolhas.

NOTHEORY disse...

Fácil dar a resposta a altura,

A record tem que transformar a Dilma em Heroína.

Tem que mostrar para que serviu o golpe e a participação amerdicana nele, amerdicana mesmo.

Nós financiamos o lifestyle americano.

Noam Chomsky no livro Razões de Estado menciona um senador americano, que afirmou numa comissão do congresso americano, que eles gastaram em 1964 US$1.600.000.000,00 durante a instalação da ditadura militar.

Célia disse...

Quantos de nós estivemos na esma condição , correndo risco mas colocando o ideal de liberdade sobre a vida...A Presid4enta Dilma é o exemplo dessa resistencia que erece o nosso respeito por tudo que passou...quantos outros deram suas vidas e não estão hoje aqui pra ver o resultado do seu destemor ..e hj ainda temos uma midia reacionária que não difere das dos anos 60 e 70, com o despudor de usar a sua imprensa pra manchar a honra de quem lutou pela liberdade que temos hoje e que eles mesmo desfrutam.
Viva a democracia!
Viva os heróis anti ditadura!
Viva a nossa presidente!!!!!

Nice Facundo disse...

Na verdade toda essa insitência da mídia em querer criminalaizar a luta contra a ditadura tem uma intenção só, legitimar a ditadura militar dando a ela status de sistema legal, tendo por trás disso tudo, a má intenção de reeditar esse período negro, onde eles ( os donos da mída) se beneficiaro, ou seja, a vontade de dar um novo golpe é grande, e estão tentando conseguir respaldo na sociedade, e praisso estão usando de meios desonestos e uma de suas formas mais suja, é transformar quem lutou contra a ditadura em vilões e os militares ( armados)como as vítimas.
Enfim! Estão louco pra dar outro golpe, já que estão vendo que chegar ao poder pelas urnas está ficando cada vez mais dificil. Vamos ficar de olho e divulgar a verdadeira história e faceta do que faziam parte do golpe militar e mostrar quem de fato foram as vítimas e não deixar que a morte de muitos que foram torturados não caiam em esquecimento.
Golpe de estado, nunca mais!Tortura, nunca mais!

Anônimo disse...

Nós já vencemos a eleição, não entendo a insistência em ficar dando moral pra folha de sao paulo.

Mirella disse...

É a rede bobo, tentando desformar nossas mentes.

Maurício disse...

"As organizações globo,promoveram a ditadura, sustentaram a ditadura e ganharam muito com a ditadura". Leonel Brizola, precisa dizer mais aluma coisa?

Cornélius/Londrina disse...

Em mais um momento colaboracionista/saudosista/redentorista do PIG fica a pergunta: de que lado quero ficar? Eu? quero ficar do lado da liberdade sempre...ainda que tardia!!!

Teo Ponciano disse...

O argumento de maior peso, pelo que entendi, para que a fsp obtivesse acesso aos arquivos da Dilma na época da ditadura é o fato de ela pleitear o cargo de presidente e o povo ter o direito ao conhecimento sobre seu passado.
Sendo assim está na hora de outros orgãos da imprensa (internet, jornal, tv, etc.) a requerer os arquivos sobre o Aluisio Nunes na mesma época e sobre o grupo que ele participava. afinal ele foi eleito senador por São Paulo.
Fica a observação.

george dreux disse...

O Brasil PRECISA dar o devido valor a eeses heróis e impedir que essa imprensa nojenta reescreva a nossa história a maneira deles.

joaquim de carvalho disse...

Discordo do título dado por vocês a D. Maria, a Pia, como é conhecida em Portugal.
Concordo com o que dizem sobre D. Judith, mas a D.Maria pode ficar fora disso.
Fundadora das casas de Misericórdia, no Governo dela teve que enfrentar o maior desastre natural da História, o terramoto de 1755 em Lisboa.
Foi por decisão sua que Sebastião de Carvalho e Melo, Conde de Oeiras, Marquês de Pombal, foi nomeado 1º Ministro, tendo realizado um grande governo em Portugal e Brasil.
Não cometam o mesmo erro do PIG.
Respeitem D. Maria, uma autêntica Lulista daqueles tempos, preocupada com os mais desfavorecidos, de onde ganhou seu cognome, a Pia.

joaquim de carvalho disse...

Acho que ignorar a realidade é, fazer de conta que Tiradentes não era oficial do exército Português.
O azar dele, foi se misturar com os Demo-Tucanos da época, que deram com a língua nos dentes e se safaram, todos filhinhos de papai, tanto que ficaram conhecidos como inconfidentes.
Insultam Tiradentes quando comemoram a inconfidência em vez da Conjuração, pois inconfidência foi o que o levou à forca.
Aliás, como sempre, foi o único a pagar o pato.

maria regina disse...

Zé Augusto

Essa é a História que deverá ficar, não a que a velha mídia quer ensinar. Sua análise foi perfeita para mim que, na época, era uma criança. Porém ouvia minha irmã e primas, que tinham entre 17 e 19 anos, e suas amigas falando sobre os cuidados que deveriam ter em relação às conversas políticas e pessoas ligadas aos "guerrilheiros".
Obrigada pela exposição.

D.Pires disse...

A vá!!! a globo mente? rssss.
eu quero é novidades....

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