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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Exclusivo: O mensalão de Serra na SABESP - Parte 3


Em 1998, o então governador tucano de Minas Gerais, Eduardo Azeredo, usou a CEMIG e outros órgãos do estado de Minas Gerais para patrocinar eventos através de empresas e agências de publicidade de Marcos Valério, como SMP&B e DNA propaganda, com o objetivo de desviar verbas das estatais para financiar campanhas políticas, conforme denúncia do Procurador Geral da República, no episódio que ficou conhecido como mensalão tucano.

Hoje, a escandalosa propagadanda da SABESP em rede nacional é feita pela agência Nova S/B, que também atende a Prefeitura de São Paulo de Gilberto Taxab, e a CDHU também do governo Serra.


Assim como Marcos Valério era um dos donos da SMP&B, quem é dono da Nova S/B é José Roberto Vieira da Costa, conhecido como Bob pelos colegas.


Assim como Marcos Valério, Bob é adepto da discrição. Assim como Marcos Valério, Bob também não é publicitário por formação, e sim administrador de empresas.

Bob não é um empresário de publicidade qualquer. É parceiro dos tucanos desde a primeira geração.

Em 2002 foi ministro de FHC, para o cargo de secretário de Comunicação (com status de Ministro), cuja tarefa principal era a de exibir a melhor imagem do governo federal. Não é preciso lembrar que 2002 foi o ano em que Serra foi candidato à presidente pelos tucanos.

E de onde veio Bob antes de assumir toda a área de comunicação do governo federal em 2002? Do Ministério da Saúde, comandado por José Serra.

Em 1997 Bob foi levado de São Paulo para Brasília por ninguém menos do que o "trator" Sérgio Motta, o ministro articulador todo poderoso, a eminência parda de FHC.

A tarefa encomendada por Motta à Bob era a revitalização do setor de comunicação do Ministério da Saúde, logo após a saída do cirurgião Adib Jatene, quando Carlos Albuquerque absorvia o desgate da demissão de Jatene, e esquentava a cadeira do ministério para José Serra assumir no ano seguinte, sem sofrer maiores desgastes.

Serra assumiu o Ministério da Saúde e manteve Bob à frente da área de comunicação do Ministério, em linha direta com as editorias do PIG e com as agências de publicidade.

Nessa época Bob costumava emplacar manchetes nos jornais e TVs, como se Serra fosse o melhor Ministro da Saúde do mundo, apesar da explosão de epidemias, como dengue, aumento de casos de febre amarela, e piora em diversos outros indicadores. Isso, sem falar que era a época em que os irmãos Vedoin atuavam livremente no caso sanguessuga, e da grossa corrupção que corria solta no ministério de Serra em contratos com hemoderivados, descoberta depois através da operação vampiro. Temos que reconhecer a "competência" de Bob na assessoria de imprensa, pois o PIG fechava os olhos a tudo isso.

No fim de 2001, Serra e FHC promoveram Bob ao posto que era de Andrea Matarazzo, já desgastado no cargo por denúncias.

Bob era tão serrista, que sua nomeação provocou protestos em outros tucanos (clique aqui para lembrar o caso), como Tasso Jereissati que também almejava disputar a presidência pelos tucanos, no lugar de Serra.

Em 2002, durante a campanha eleitoral, quando Serra estava ameaçado de ficar fora do segundo turno, polarizado entre Lula e Ciro Gomes, Bob licenciou-se do governo, para assumir a coordenação de comunicação da campanha de Serra.

Bob tem todo um histórico de serviços prestados ao lado de Serra.

Ele pode tornar-se sócio de uma agência de publicidade privada.

Essa agência ganhar a conta da SABESP quando Serra é governador, já é esquisito, mas ainda daria para engolir, dentro da legalidade e das prerrogativas do governo paulista, mesmo que a moralidade seja pra lá de duvidosa.

Mas, quando aparece uma campanha da SABESP na TV em rede nacional, sem qualquer sentido de atender ao interesse público dos paulistas, nem ao interesse comercial da empresa, aí já é demais.

O Ministério Público Estadual de São Paulo tem obrigação cívica e moral de abrir procedimento para investigar a fundo o que há por trás disso tudo, porque os indícios são fortes demais para serem ignorados.

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