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terça-feira, 12 de agosto de 2008

O juiz na CPI


O juiz da 6ª Vara Criminal Federal, Fausto Martin De Sanctis, responsável pela prisão de Daniel Dantas, Naji Nahas e Celso Pitta, alvos da Operação Satiagraha da Polícia Federal, presta hoje depoimento à CPI dos Grampos - a contragosto. “Eu não esperava ser convocado como testemunha em uma CPI que apura grampos ilegais. E não iria por vontade própria”, disse ontem, durante palestra na Escola Superior do Ministério Público, em São Paulo. “Não tem cabimento.”

De Fausto Sanctis informou apenas que vai fazer um apanhado de como são feitas as interceptações telefônicas no Brasil.O juiz vai enumerar colaborações entre a Justiça brasileira e autoridades estrangeiras, que se utilizaram de técnicas especiais de investigação.

Segundo ele, ações controladas, interceptações telefônicas e infiltração de agentes na organização criminosa são estratégias de uso corrente. Todas balizadas por convenções internacionais, abraçadas “sem restrições” pelo Brasil.

Por isso, de acordo com De Sanctis, questionar técnicas como as utilizadas na Operação Satiagraha e deixar os fatos de lado “causa estranheza” entre juízes de varas especializadas.

“Dizem que a técnica que o Brasil adotou não é a usual. É a usual, sim. É muita ingenuidade achar que o inquérito policial tradicional vai conseguir combater o crime organizado”, criticou De Sanctis.

O juiz aproveitou ainda para sublinhar que o Brasil é membro, desde 1999, do Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI). A entidade desenvolve propostas de leis que garantam a legitimidade de operações contra o crime financeiro.

Fausto Sanctis disse : “Eu gosto de falar com contundência, com veemência. Posso perder minha vida, mas não perco minha capacidade de me indignar com o que está acontecendo”.

E continuou: “O Brasil é o segundo país mais violento do mundo, depois de Serra Leoa. Por que será? Só tem um motivo: impunidade”.

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