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quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Futuro chefe da Anvisa: o deputado e a quadrilha



Com o nome em alta para a Anvisa, o deputado André Moura (PSC-SE), líder do governo Temer no Congresso, tem encontro marcado com o STF.

Mesmo sem foro, ele será julgado no STF em três ações pelas quais é réu por formação de quadrilha e peculato na época em que foi prefeito de Pirambu (SE).

Em fevereiro, a PGR pediu a condenação do parlamentar, que alega inocência.(Coluna do Estadão)

Elio Gaspari pergunta de novo: Cadê o Queiroz?



O PM Fabrício Queiroz continua sumido. Quem conhece o mundo das malfeitorias garante: "É suicídio". Ele não aparece em casa e não compareceu aos depoimentos combinados com o Ministério Público.

Admita-se que esteja com os nervos em pandarecos, pois passou de amigo da Primeira Família para o centro de uma rede de movimentações financeiras pra lá de suspeitas. Seu ex-chefe, o senador eleito Flávio Bolsonaro, diz que ouviu seu relato e achou-o "bastante plausível". Só se poderá confiar nessa plausibilidade depois que o relato se tornar público.

Uma coisa é certa: a história segundo a qual Queiroz deixou a assessoria de Flávio Bolsonaro no dia 15 de outubro para tratar de sua aposentadoria não fica em pé.

Ele foi exonerado no dia seguinte ao aparecimento da notícia de suas movimentações bancárias "atípicas". Além disso, no mesmo dia, foi exonerada sua filha Nathalia, que estava lotada no gabinete de Jair Bolsonaro, em Brasília. Quando os dois tornaram-se "ex-assessores", faltavam 13 dias para o segundo turno.

O silêncio de Queiroz faz com que suas movimentações financeiras "atípicas" continuem apenas como algo suspeito. Um depósito de R$ 24 mil na conta da mulher de Jair Bolsonaro já foi explicado por ele como parte do pagamento de um empréstimo pessoal.

O presidente eleito reconheceu que não informou a transação à Receita Federal, mas atire a primeira pedra quem já não fez isso com uma pessoa de suas relações.

Outros murmúrios, saídos de fontes anônimas, falam em venda de objetos eletrônicos a conhecidos. Coisa de R$ 600 mil ao longo de 13 meses, caso se olhe só para o que entrava em sua conta. Mesmo assim, o feirão de Queiroz movimentava quantias muito superiores ao seu rendimento como suboficial da PM e assessor de um deputado estadual.

Queiroz não é um PM qualquer. Além da ligação com os Bolsonaro, sua folha é a de um militar premiado. Foi homenageado pela Assembleia Legislativa e ganhou a medalha Pedro Ernesto.

Há anos, como soldado, recebeu o abono, hoje extinto, dado aos PMs por atos de bravura em confrontos com bandidos. Era a "gratificação faroeste". (Quando esse benefício foi instituído, em seus confrontos a PM do Rio matava duas pessoas e feria uma. Dois anos depois, matava quatro para cada ferido.)

Está nas livrarias "O Infiltrado - Um Repórter dentro da PM que mais mata e mais morre no Brasil", de Raphael Gomide. Em 2007 ele fez concurso para a PM do Rio, passou pelo treinamento e serviu por 22 dias como soldado. Lá, um ex-comandante da corporação admite que a "gratificação faroeste" foi um estímulo à "cultura da violência".

O silêncio de Queiroz pode ser eficaz para quem olha para o tempo político. É suicídio porque esse tempo nada tem a ver com o do Ministério Público. Os procuradores não têm pressa, têm perguntas. Se ele movia tanto dinheiro porque transacionava com mercadorias, deverá dizer de quem as comprava e para quem as vendia.

A esperança de que Queiroz passe pelo Ministério Público administrando um silêncio seletivo é suicida. Peixes grandes como Marcelo Odebrecht e Antônio Palocci tiveram a mesma ilusão. Queiroz é um lambari, sua movimentação financeira não compraria um dos relógios com que as empreiteiras mimavam maganos.

Contudo, sua trajetória e seu silêncio são ilustrativos do que vem junto com a "cultura da violência". Ele foi da PM para um gabinete na Assembleia Legislativa do Rio, empregou parentes e tem a confiança da Primeira Família da República, cujo chefe elegeu-se presidente com uma plataforma moralista e justiceira.

Elio Gaspari

Projeto facilita contratação de brasileiros para trabalhar no exterior



Empresas brasileiras ou estrangeiras que atuem no Brasil poderão ter facilitada a transferência ou contratação de brasileiros para missões ou trabalhos a serem realizados no exterior. Esse é o objetivo do Projeto de Lei do Senado 138/2017, que busca atualizar a legislação vigente, para facilitar e desonerar a contratação desses funcionários.

De autoria do senador Armando Monteiro (PTB-PE), a proposição será votada ano que vem na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), sob a relatoria do senador Jorge Viana (PT-AC), em decisão terminativa. Se aprovado na comissão, segue direto para exame da Câmara dos Deputados, a não ser que haja recurso dos senadores para apreciação em Plenário. O projeto já foi aprovado na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), onde também foi relatado pelo senador do Acre.

"No momento em que a legislação cria dificuldades para se alocar mão de obra nos projetos no exterior, isso cria dificuldades para a própria operação das empresas. Portanto, esse projeto vai representar um avanço no sentido de estimular esse movimento de internacionalização das empresas brasileiras e, o que é mais importante, sem que isso signifique nenhum sacrifício, nenhum comprometimento dos direitos do trabalhador. Aplica-se o princípio da territorialidade, ou seja, aplicar a legislação trabalhista do país em que ocorre a prestação do serviço, mas sem nenhum prejuízo dos direitos do trabalhador", afirma Armando Monteiro, autor do texto.

De acordo com Jorge Viana, a atual legislação (Lei 7.064/1982), somada a jurisprudências posteriores do Tribunal Superior do Trabalho (TST), provoca grandes entraves para a contratação ou transferência de brasileiros para o exterior.

Na prática, no entender do relator, a legislação contribui para a perda de postos de trabalho especializados, prejudica a internacionalização das empresas nacionais e retira oportunidades de cidadãos brasileiros, que antes eram transferidos por suas próprias empresas para o exterior, o que já não ocorre atualmente devido a encargos extras e insegurança jurídica. O relator diz ainda que o projeto retira custos extras para contratação e garante direitos dos funcionários.

"Esse projeto é a regulamentação da conhecida Lei Mendes Júnior, que é de 1982. O mundo mudou e as regras também mudaram, o que já não garante mais que empresas brasileiras trabalhando no exterior tenham vantagem em dar emprego para brasileiros. Com esse novo projeto, que tem apoio inclusive do setor empresarial e também garante os direitos dos trabalhadores, teremos um estímulo para que empresas que tenham contratos no exterior levem brasileiros especializados para assumir funções no exterior, com seus direitos garantidos e ao mesmo tempo dando oportunidade de trabalho aqui no Brasil. Para cada brasileiro que conseguir trabalhar numa empresa brasileira no exterior, certamente são vagas que se abrem aqui no Brasil", afirma Jorge Viana.

O projeto define que a legislação trabalhista aplicável é a do local da prestação de serviços, como ocorre na grande maioria dos países - o princípio da territorialidade. Resguarda, ainda, a aplicabilidade da lei brasileira no tocante aos recolhimentos para a Previdência Social, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e o Programa de Integração Social (PIS/Pasep).

Uma alteração importante é a desoneração das empresas do pagamento dos encargos trabalhistas e previdenciários sobre a parcela paga ao empregado em razão de sua transferência ao exterior, o que eleva em demasiado o custo da contratação de brasileiros para esses postos de trabalho. Tal previsão assegura ao empregado transferido todas as alterações ocorridas no salário base da categoria profissional durante a transferência, com os respectivos recolhimentos das contribuições para a Previdência Social, FGTS e PIS.

O projeto propõe adicional de 25% do salário base em razão da transferência, de caráter indenizatório, que serve como auxílio para custos adicionais com moradia, ensino, diferença de custo de vida, dentre outras despesas decorrentes dessa transferência. Também aumenta o benefício que pode ser concedido ao trabalhador, ao prever que o adicional pode ser pago em espécie ou por meio de benefícios como moradia, custeio da escola dos filhos ou outras vantagens oferecidas pela empresa no exterior.

Outro ponto relevante é o aumento do prazo de transferência provisória para o exterior para um ano sem que haja a aplicação do regime da Lei de Expatriação. Atualmente esse prazo é de 90 dias, período insuficiente tanto para a adaptação do empregado quanto para a prospecção comercial. A alteração compatibiliza a legislação brasileira com a realidade da maioria dos países, que consideram a residência fiscal a partir do 183º dia.

O texto também permite expressamente a negociação entre empregado e empregadores para ampliar os direitos do trabalhador previstos na lei, como por exemplo, a antecipação do pagamento pelas férias no Brasil. As verbas rescisórias serão compensadas pelo desconto em salários futuros e não mais sobre o saldo do FGTS, após o retorno do trabalhador ao Brasil, respeitando-se a margem consignável do salário.

O projeto inova ao possibilitar a conversão da transferência do empregado de transitória para definitiva após sua permanência no exterior por prazo superior a três anos. Nesse caso, o contrato de trabalho no Brasil será rescindido, com o pagamento de todos os direitos inerentes à rescisão contratual e a consequente conversão da transferência em contratação definitiva pela empresa no exterior ou pela sucursal da empresa brasileira constituída no país da prestação de serviços. O trabalhador, então, será contratado no exterior, como empregado local.

A proposta prevê a contratação obrigatória de seguros de vida e acidentes pessoais a favor do trabalhador e dos seus dependentes. Além do seguro saúde, o projeto obriga as empresas a fornecerem passagens de ida e volta quando o empregado ou seus dependentes necessitarem, em caráter de urgência, de assistência médica fora do local de trabalho no exterior. Assegura também passagens de regresso ao Brasil, pagas pelo empregador ao trabalhador, no caso de retorno antecipado por motivo de saúde, e aos dependentes, no caso de falecimento do empregado.

O relator também buscou harmonizar o projeto às alterações promovidas pela nova Lei de Imigração (Lei 13.445, de 2017). Com a aprovação do novo marco regulatório de imigração, houve a revogação da necessidade de autorização do Ministério do Trabalho para a contratação de estrangeiros que venham trabalhar no Brasil. Por isso, a proposta de comunicação e autorização ao Ministério do Trabalho da contratação de brasileiro para prestar serviços no exterior é suprimida pela proposição.

 Repatriação - Emendas apresentadas por Jorge Viana na CAS estabelecem que correrão por conta do empregador as despesas de repatriação dos empregados e seus dependentes, em outras situações de emergência, tais como catástrofes naturais e situações de conturbação da ordem pública, que apresentem risco à integridade física dos nacionais brasileiros.

A permanência do empregado no exterior poderá ser ajustada por período superior a cinco anos, desde que seja assegurado a ele o direito de gozar as férias anuais no Brasil, após o segundo ano de permanência no exterior, com as despesas de transporte do empregado e seus dependentes, pagas pela empresa estrangeira.

Os eventuais valores pagos ou remetidos pelo empregador a título de reajustamento de rendimento bruto, com fins exclusivos de compensar o empregado pelos descontos fiscais exigidos conforme legislação do local de realização dos serviços no exterior, são isentos de impostos e contribuições federais no Brasil.

Na hipótese de liquidação de direitos, a empresa empregadora no Brasil, que cedeu ou transferiu o empregado, ou aquela do mesmo grupo econômico para a qual retornar o empregado, fica autorizada a deduzir tais valores dos salários futuros, observada a margem consignável prevista na Lei 10.820, de 2003, ou de eventual rescisão.

 Agência Senado

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Em cinco anos, nenhum registro de erro médico foi feito contra cubanos, informa MS


Já os casos envolvendo médicos brasileiros, somam seis mortes por hora

Em que pese a desconfiança do presidente eleito, Jair Bolsonaro, sobre o preparo dos médicos cubanos que atuam no Brasil por meio do programa Mais Médicos, o Ministério da Saúde afirma que, em cinco anos de atuação deles em solo brasileiro, não houve registros de erros médicos nem foram feitas denúncias nesse sentido.

Não podemos dizer o mesmo em relação aos médicos brasileiros.

O governo cubano encerrou contrato de  parceria com o Brasil após Bolsonaro questionar a capacitação deles e aventar a possibilidade de exigir a revalidação dos diplomas dos cubanos.

Há cerca de 8 mil médicos cubanos no Brasil.

Seis mortes por hora

A cada uma hora, seis pessoas morrem por “eventos adversos graves”, ocasionados por erros, falhas assistenciais ou processuais ou infecções nos hospitais brasileiros. Desses óbitos, quatro poderiam ser evitados com a realização dos procedimentos corretos. 

No ano passado, 54,76 mil mortes foram causadas pelos chamados eventos adversos graves, sendo que 36,17 mil poderiam ter sido evitadas. O Brasil registrou sete mortes violentas intencionais por hora, o que mostra que os óbitos gerados por falhas em hospitais estão em um patamar próximo ao das mortes violentas.

Os dados correspondem ao ano de 2017, e fazem parte do 2° Anuário da Segurança Assistencial Hospitalar, feito pelo Instituto de Pesquisa FELUMA (Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais) e pelo IESS (Instituto de Estudos de Saúde Suplementar).  “Os eventos adversos são inerentes a qualquer serviço de saúde, mesmo nos melhores e mais sofisticados sistemas do mundo. Não se trata, portanto, de buscar culpados, mas, de propor medidas que enfrentem o problema”, afirmou em comunicado Renato Couto, professor da FELUMA e um dos responsáveis pelo Anuário.

Entre os eventos adversos graves captados com mais frequência estão septicemia (infecção generalizada), pneumonia, infecção do trato urinário, infecção do sítio cirúrgico, complicações com acessos, dispositivos vasculares e outros dispositivos invasivos, lesões por pressão, erro no uso de medicamentos e complicações cirúrgicas, como hemorragia e laceração.

Além disso, segundo o estudo, cinco desses principais “eventos” não contam com algum programa de prevenção ou combate, seja no SUS ou na rede privada hospitalar. São eles: parada cardiorrespiratória prevenível, insuficiência renal aguda, aspiração pulmonar, hemorragia pós-operatória e insuficiência respiratória aguda.

“O fato de os hospitais analisados no estudo serem considerados ‘de primeira linha’ e apresentarem esses números indica que a média nacional projetada a partir da amostra estudada provavelmente está subestimando o problema. É possível que ainda mais brasileiros morram por eventos adversos do que o detectado”, comentou Luiz Augusto Carneiro, superintendente executivo do IESS.

Custos

Segundo o Anuário, os eventos adversos consumiram R$ 10,6 bilhões do sistema privado de saúde. Não foi possível calcular o valor para o SUS, visto que há variação de receita nos hospitais públicos.

Já em relação ao custo em leitos-dia, cada falha ou erro extendeu o período de internação em 14,4 dias, em média. Na rede privada foi de 10,5 dias, e no SUS de 16,4 dias.

Em 2017, foram utilizados 4,3 milhões de leitos-dia em função de eventos adversos. Sendo 4,7 milhões em razão de eventos adversos graves.

“Considerando o período normal de internação para pacientes que não passaram por eventos adversos encontrados no estudo, de 6 dias para o SUS e 3,5 dias para a rede privada, conseguiríamos atender aproximadamente mais 7,7 milhões de pacientes (2,9 milhões relacionados a eventos adversos gerais e mais 4,7 milhões relacionados a eventos adversos graves) sem aumentar os gastos ou ampliar a rede”, destaca Renato Couto em comunicado divulgado com o material.

O Anuário foi calculado com uma amostra de 456.396 pacientes internados em hospitais da rede pública e privada ao longo de 2017. E como os dados foram coletados em municípios de grande porte e com o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) acima da média nacional, “é possível que os números nacionais sejam maiores do que os encontrados”, indica o documento.

Petrobras vende fatia em campo para a Total



A Petrobras informou nesta sexta-feira, 21, que avançou na parceria de novos negócios com a Total e concedeu mais 10% dos direitos do campo de Lapa para a petrolífera francesa, exercendo a opção de venda do restante se sua participação conforme previsto no contrato assinado em janeiro de 2018, quando a Total adquiriu 35% da participação da estatal, ficando com a operação do campo.

Desta maneira, a nova composição do consórcio passa a ser: Total como operadora (45%), BG E&P Brasil - companhia subsidiária da Royal Dutch Shell (30%) e RepsolSinopec Brasil (25%).

Além disso, a Petrobras informou ainda que realizou um acordo de investimentos para a criação de uma joint venture, com participação de 49% da petrolífera brasileira e 51% da Total Eren, que tem como objetivo desenvolver projetos nos segmentos de energia solar e eólica onshore no Brasil.

Segundo fato relevante divulgado pela companhia brasileira, o acordo tem natureza vinculante pelo qual as partes se comprometem a negociar os documentos necessários para a formalização da joint venture.

Inicialmente, a parceria buscará desenvolver uma carteira de projetos de até 500MW de capacidade instalada ao longo de um horizonte de 5 anos. "Nesta nova fase, a Total pagará à Petrobras um valor adicional de US$ 50 milhões, sem considerar os ajustes devidos quando do fechamento da transação", acrescenta a companhia.

Em relação à decisão liminar proferida pelo ministro Marco Aurélio Mello em ação

declaratória de inconstitucionalidade proposta perante o Supremo Tribunal Federal (STF), a Petrobras esclarece que a referida decisão não se aplica à cessão da participação no campo de Lapa.

Francesa Total é condenada a pagar 500 mil euros por corrupção no Irã

A gigante francesa Total foi condenada, nesta sexta-feira (21), em Paris, a uma multa de 500 mil euros por "corrupção de um agente público estrangeiro" durante a negociação de um grande contrato de exploração de gás no Irã em 1997.

Entre 2000 e 2004, a Total chegou a pagar 30 milhões de dólares em subornos a intermediários para conseguir um contrato para explorar o campo de gás de South Pars, no Golfo Pérsico, enquanto Teerã estava sujeito ao embargo dos Estados Unidos.

Durante a longa investigação do caso, o ex-presidente da empresa, Christophe de Margerie, e um dos intermediários iranianos morreram.

Seminário alerta para riscos da previdência privada no Brasil



Temor que 2019 marque o fim do ‘breve ciclo da cidadania’ no país


“Previdência não existe sem solidariedade”, disse José Ricardo Sasseron quase ao final de seminário realizado nesta terça-feira, em São Paulo, que discutia o destino da Previdência e os rumos do país a partir de 2019. Diretor da Associação Nacional dos Participantes de Fundos de Pensão (Anapar), Sasseron participou do debate sobre os modelos previdenciários brasileiro e chileno.

Uma das várias especulações sobre o futuro governo trata da adaptação, aqui, do sistema implementado no Chile ainda sob a ditadura Pinochet. Baseado em capitalização, o modelo consistiu, no início dos anos 1980, na transferência de todas as contribuições previdenciárias de trabalhadores para Administradoras de Fundos de Pensão (AFP) – instituições privadas, a maioria ligadas a grandes bancos e sem participação dos contribuintes na gestão.

O modelo é alvo de críticas e protestos, por excluir grande parte da população e desobrigar as empresas de contribuírem. E está sendo revisto pelo país por não conseguir cumprir a finalidade de assegurar aposentadorias aos trabalhadores.

Sasseron conta que participou de atividade, no país vizinho, do movimento No Más AFP, por mudanças na previdência e restabelecimento do sistema público. “O que me chamou muito a atenção é que a grande maioria era de jovens, preocupados com seu futuro. É um tema que mobiliza e traz preocupação para todos nós”, afirmou.

O professor Eduardo Fagnani, do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), observa que ainda não há clareza sobre o que fará o governo Bolsonaro – se um aprofundamento da reforma tentada por Temer ou a criação de bases para adoção do modelo chileno. Seja qual for a opção, ele receia que 2019 marque o fim do "breve ciclo de cidadania no Brasil", com o desmonte de "um sistema de proteção social extraordinário".

Para Fagnani, já está em curso um "desmonte" do Estado de bem-estar social surgido a partir da Constituição de 1988. Sinais disso, aponta, são a Emenda Constitucional 95, de teto dos gastos, a ampliação da Desvinculação das Receitas da União (DRU) e as "reformas" trabalhista (já implementada), previdenciária e tributária (pelo menos como vem sendo traçada).

Monstro

2018: um grande ano para a desinformação



Da eleição presidencial no Brasil aos "coletes amarelos" na França, o ano de 2018 foi marcado por uma influência cada vez maior das "fake news", propagadas nas redes sociais e que minam a confiança nos meios de comunicação e nas instituições.

A desinformação avança. Muitas imagens, mesmo as reais, são apresentadas como algo que não são. Um exemplo foi a denúncia da violência policial na França durantes os protestos dos "coletes amarelos" usando uma foto de um manifestante com o rosto ensanguentado, mas na verdade a imagem foi feita há muitos anos na Espanha. Uma manipulação tão simples quanto eficaz.

Paralelamente, está em ascensão uma nova ameaça muito mais perigosa: as "deep fake". Os vídeos modificados permitem manipular a própria fala da pessoa, com gestos e tom de voz exatos. Apesar de serem difíceis de criar, esta tecnologia está progredindo rapidamente.

Popularizada por Donald Trump, a expressão "fake news" ou "notícias falsas" se transformou em uma arma retórica para atacar os meios de comunicação. Políticos da Espanha, China e Mianmar estão adotando essa ferramenta cada vez mais. É usada para qualquer coisa, como informação falsa divulgada deliberadamente para causar dano, erros, mas também informação verificada.

A situação se complica mais ainda quando o responsável pela fake news é um país, como no caso da Ucrânia, que no final de maio orquestrou a "falsa morte" do jornalista russo Arkadi Babchenko para, segundo as autoridades, evitar uma tentativa de assassinato contra ele. "Um prato cheio para os paranoicos e conspiradores de todo tipo", afirma o Secretário-Geral dos Repórteres Sem Fronteiras, Christophe Deloire.

A propagação das notícias falsas se baseia na queda, mesmo que estável, da confiança nos meios de comunicação: 44%, segundo um estudo da empresa de pesquisas YouGov para o Instituto Reuters feito em 37 países de todo o mundo. O pesquisador John Huxford (Illinois State University) explica que as redes sociais podem amplificar a desinformação atuando como uma "câmara de eco", "dando credibilidade" às matérias simplesmente porque são muito compartilhadas.

As "notícias falsas" tendem a se espalhar muito mais rápido do que a a informação real no Twitter, segundo um estudo do MIT.

Muitos criticam o Facebook e seus mais de 2,25 bilhões de usuários por sua tendência de circulação e até mesmo destaque no "fio de notícias" de uma grande quantidade de informações falsas. A crítica foi agravada pelo escândalo da Cambridge Analytica, em que o Facebook admitiu que os dados pessoais de 87 milhões de usuários foram acessados pela empresa britânica sem a autorização dos autores.

Para mostrar sua vontade de mudar as coisas, em 2018 o gigante americano assinou contratos com mais de 35 meios de comunicação - entre eles a AFP - em 24 países como Argentina, Estados Unidos, França e Indonésia, para "avaliar a exatidão dos artigos" que circulam no Facebook.

O Brasil, que viveu intensamente sua eleição presidencial, é um dos países onde se travou uma batalha feroz contra a desinformação. Cristina Tardaguila, fundadora da agência Lupa, disse em entrevista à AFP que as notícias falsas estão cada vez mais presentes no WhatsApp, que conta com mais de 1 bilhão de usuários em todo o mundo.

Detectar notícias falsas nessa plataforma é particularmente difícil, já que as conversas, pessoais ou em grupo, são encriptadas e privadas.

Na Índia, a desinformação já teve consequências trágicas. Segundo informações da imprensa, pelo menos 25 pessoas foram mortas em um ano devido a rumores que circulam no WhatsApp, que tem 200 milhões de usuários ativos mensais no país.

Algumas medidas foram adotadas, como o "fact-checking" ou "verificação de dados" para tentar conter o fenômeno. Foram 162 iniciativas em todo o mundo segundo o Reporters Lab da Duke University. Mas a desinformação sempre circula mais rápido.

Campanha Natal sem Fome que esteve suspenso nos governos do PT precisou ser retomado


Campanha Natal sem Fome distribui 200 toneladas em cestas básicas

Cerca de um milhão de pessoas serão beneficiadas pela campanha Natal sem Fome deste ano, que já arrecadou 200 toneladas de alimentos.

O projeto, que esteve suspenso por 10 anos, precisou ser retomado no último ano em razão do aumento no número de pessoas que vivem na extrema pobreza, totalizando 24,8 milhões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O coordenador da campanha, Kiko Afonso, alerta para o problema da fome no Brasil. “Só quatro anos depois de sair do mapa da fome da ONU (Organização das Nações Unidas), o Brasil corre o risco de retornar. A sensação é um misto de tristeza com vontade e alegria de ver que as pessoas ainda são solidárias nesse país”, afirmou.

No Rio de Janeiro, cerca de 200 comitês, formados por associações de moradores, ONGs e outras entidades receberam as cestas básicas. Eles serão os responsáveis por repassar os alimentos às famílias carentes de toda Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

A responsável pelo comitê da Praia de Mauá, que atende a comunidade pesqueira, Maria do Nascimento, conta que a comida fará muita diferença para as 100 famílias de pescadores da sua região.

“É só alegria, porque lá em Mauá, nós que vivemos da pesca, somos famílias muito sofridas porque é desemprego. Teve o derramamento de óleo que aconteceu em 2000, agora teve outro vazamento, e é uma alegria porque esse alimento vai ser muito significante para as famílias que não têm trabalho porque sobrevivia da pesca. Vai ser um natal diferente, com comida na mesa”, destacou.

Doações

Embora já tenham começado a distribuir as cestas, ainda é possível contribuir por meio do site do Natal sem Fome. O coordenador Kiko Afonsa explicou que o alimento será distribuído conforme for chegando.

“No ano passado conseguimos arrecadar pouco mais de 800 toneladas e ajudamos 400 mil pessoas pelo Brasil inteiro. Neste ano, a gente está tentando ampliar para um milhão de pessoas. Nossa meta é esta e ainda estamos recebendo doações do Brasil todo”, disse.


 

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Resolução da ONU impede que Bolsonaro mude embaixada de Israel



Promessa de   Bolsonaro (PSL), a transferência da embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém não pode ser realizada devido a uma legislação internacional incorporada pelo Brasil. O dispositivo legal que impede essa mudança é a resolução 478 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, aprovada em 1980.

Essa resolução declara nula a Lei Básica que reconhece Jerusalém como capital de Israel e convida os Estados membros do Conselho de Segurança da ONU a retirarem suas missões diplomáticas da cidade. Atualmente, somente os Estados Unidos e a Guatemala têm embaixada em Jerusalém. O Paraguai havia transferido o órgão, mas voltara atrás em sua decisão, o que irritou o governo israelense.

A Rússia declarou Jerusalém como capital israelense, mas não transferirá a embaixada porque considera Jerusalém Oriental como capital de um futuro Estado Palestino. Assim também anunciou o primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, no último sábado (15), adicionando ainda que a transferência da embaixada depende do compromisso de paz e de solução em dois Estados.

O governo de Michel Temer (MDB) votou a favor da resolução que exige que todos os países sigam as determinações da ONU, após decisão dos Estados Unidos de reconhecer Jerusalém como capital de Israel, em pleito que contou com 128 votos a favor, nove contra e 35 abstenções. Os países membros da ONU são obrigados a seguir os regulamentos internacionais ou podem sofrer represálias

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Em posse com Moro, novo presidente do TCU agradece a Lula e é aplaudido



O ministro José Múcio Monteiro tomou posse nesta terça (11) como presidente do TCU (Tribunal de Contas da União). Em seu discurso de posse, ele agradeceu ao ex-presidente Lula pela indicação para integrar a corte, em 2009.

A referência a Lula,  foi seguida de aplausos  da plateia, composta por autoridades diversas, servidores do tribunal

​O agradecimento a Lula se deu nos minutos finais da fala de Múcio, quando ele se referia a pessoas que foram importantes em sua trajetória.

“A gratidão é a memória do coração, já disse Santo Agostinho. No campo político, preciso agradecer Roberto Magalhães, que me iniciou na política, ao povo de Pernambuco, que me deu cinco mandatos, e ao ex-presidente Lula, que me fez ministro”, declarou.

Órgão ligado ao Congresso, o TCU é responsável por fiscalizar as finanças do governo federal e julgar as contas do presidente da República.

Nesta terça, também tomou posse como vice-presidente e corregedora do tribunal a ministra Ana Arraes.Os dois terão mandato de um ano, podendo ser reconduzidos aos cargos por mais um.

Múcio fez carreira na política, tendo exercido cinco mandatos como deputado federal. Passou pelos extintos PDS e PFL (hoje DEM), PSDB e, por último, PTB, pelo qual foi ministro das Relações Institucionais de Lula entre 2007 e 2009.

Lula o indicou a ocupar a vaga que cabe ao Palácio do Planalto no tribunal. A indicação foi aprovada pelo Congresso.

Participaram da posse o presidente da República, Michel Temer, os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, do Senado, Eunício Oliveira, e do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, além da procuradora-geral da República, Raquel Dodge.


quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Janio de Freitas: A busca de alternativa



A novidade, citada de passagem pelo vice eleito Hamilton Mourão, divide-se no equilíbrio instável entre prometer uma solução e agravar uma perspectiva tétrica. "Estamos tentando criar um centro de governo", encaixou numa fala o general, sem maior efeito sobre os empresários ouvintes. Um centro de governo é um governo colegiado. Como ideia, muito atraente, para o mundo que testemunha e padece o impasse entre as insatisfatórias formas de governo. O regime brasileiro, no entanto, é presidencialista, com amplo poder administrativo e legislativo. Não sendo a ideia proveniente de uma consolidada concepção de governo, tem significados importantes sobre as circunstâncias atuais.

Melhor seria que o general invertesse os termos da novidade, de centro de governo para governo de centro. Mas vá lá. Esse colegiado, à imagem de um estado-maior, é uma alternativa a Jair Bolsonaro. Ao seu despreparo para o cargo, por ausência de conhecimentos gerais, por imaturidade mental, por suprir suas deficiências com a crença na força e na arma, pela interpretação primária das relações mundiais. Uma carência de qualificação, mínima embora, que disseminou no país preocupações de várias ordens e, no exterior, depreciação lastimosa do Brasil.

A entrega a Paulo Guedes de plenos poderes sobre os planos e escolhas da área econômico-financeira, por confessado desconhecimento do assunto pelo eleito, mesmo no nível comum, antecipou a realidade previsível no futuro governo. Por delegação ou por influência estimulada, a função dos circunstantes de Bolsonaro na Presidência não pode ficar no limite, como nos governos anteriores, da colaboração para as avaliações e decisões presidenciais. Bolsonaro só pode ser um presidente em parte. Parte ainda menor que a exercida pelos generais Médici e Figueiredo, cujos governos foram conduzidos pelo professor Leitão de Abreu, chefe do Gabinete Civil em ambos.

Tal percepção não faltou a circunstantes de Bolsonaro, pode-se supor que sobretudo a alguns militares. O centro de governo que projetam é uma forma de reduzir a corrosiva disputa de influência sobre um presidente. Às quais Bolsonaro, mais do que suscetível, precisa estar oferecido. E, acima de tudo, o centro de governo é um modo aceitável de proporcionar uma instância de decisões menos sujeitas, em princípio, aos riscos de deficiência individual assombrosa.

Também, e talvez na mesma medida, é possível que as disputas se transfiram para dentro do centro de governo e o degenerem. Sejam competições por influência no governo ou de políticas de governo, como privatizações, modalidade de reformas e relações exteriores. Bolsonaro não é capaz de impedir algo assim. Nesse caso, não haverá o presidente ao menos minimamente habilitado, nem a alternativa pensada pelos próprios aliados do candidato inabilitado.

Vazios

A funcionária atacada pelo Conselho Federal de Medicina, por protestar contra a entrada no Mais Médicos do que chamou de "lixo", só errou por estar na moda com seu modo grosseiro. Tempos bolsonaros. Não é decente, mesmo, que os contrários aos médicos cubanos admitam agora, para fingir que os substituem com facilidade por brasileiros, médicos com processos criminais, médicas em vésperas de parto e da consequente licença, outros sem condições de saúde.

Passadas menos de 72 horas da primeira saída de cubanos, jornais deram em manchetes que já 92% dos originários de Cuba estavam substituídos. A mentira perdura. Até agora, nem metade dos cubanos foi de fato substituída nos postos de trabalho.

Janio de Freitas

Nomeado na transição de Bolsonaro, irmão de Magno Malta está quase 20 dias na Europa



Irmão do senador Magno Malta (PR-ES), o diretor de gestão da estatal, Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Maurício Malta, foi nomeado para a equipe de transição do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), em 13 de novembro, mas ele não tem dado expediente no “quartel general” montado no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília. O motivo: está há quase 20 dias na Europa, conforme publicou o jornal O Globo.

A reportagem explica que, na transição, Maurício deveria ficar à disposição de Bolsonaro e assessorá-lo na área de infraestrutura. Contudo, o funcionário comissionado da estatal controlada pelo Partido da República (PR), sigla comandada por Magno Malta, pouco depois de ter o nome publicado no Diário Oficial da União como integrante da transição, teria aproveitado os últimos dias no cargo que ocupa no governo Temer para se aperfeiçoar no exterior. Ainda conforme O Globo, a viagem inclui passagem por Roma (Itália) e Coimbra (Portugal) e já custou R$ 50,3 mil aos cofres públicos.

Segundo informações do Portal da Transparência, aos quais O Globo teve acesso, Maurício Malta embarcou em 17 de novembro para a Itália. Em Roma, passou sete dias em um curso de “boas práticas em compras públicas”. Depois, foi para Coimbra, em Portugal, onde ficará mais 10 dias no curso de “governança e princípios anticorrupção”. Ele regressa no próximo dia 10.

O custo de R$ 50,3 mil, prossegue a reportagem, é referente só a diárias e ao valor dos dois cursos, ministrados pelo Instituto Internacional de Pesquisas e Estudos Jurídicos em Liberdades Civis Fundamentais, sediado em Aracaju (SE) e comandado por líderes do setor evangélico. Segundo o jornal, um dos sócios e coordenador-geral do curso é Uziel Santana, presidente da Associação Nacional de Juristas Evangélicos e da Federação Interamericana de Juristas Cristianos.

Cabide de empregos
A reportagem diz ainda que a estatal empregadora de Maurício – que tem remuneração mensal de R$ 29,2 mil – foi criada em 2012, na gestão da ex-presidente petista Dilma Rousseff, com o objetivo de implantar um trem-bala entre o Rio de Janeiro e São Paulo. Segundo o jornal, a EPL deve consumir R$ 69 milhões do Orçamento deste ano para “desenvolver estudos e pesquisas” sobre o “processo de planejamento integrado de logística no país, interligando rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e hidrovias”.

Porém, informa o veículo, a empresa está praticamente sem função atualmente e teria virado cabide de emprego: além do irmão de Magno Malta, tem cargo na empresa o ex-presidente do PR e ex-deputado federal Valdemar Costa Neto, preso no Mensalão.

Procurada pela reportagem, a estatal não informou o total investido no tour de Malta pela Europa, mas disse que os valores serão publicados no Portal da Transparência “de acordo a legislação vigente”. Segundo a EPL, esse tipo de capacitação fora do Brasil segue “preceitos de governança e compliance presentes na Lei das Estatais” e estão previstos no Plano Anual de Capacitação da estatal. “A empresa trabalha para a formação de seus administradores conforme suas competências regimentais e orientações legais”.

Sobre o falto de o comissionado fazer uma formação na Europa em fim de governo – como não é efetivo, pode não permanecer na empresa na próxima gestão –, a EPL disse que o curso realizado em Coimbra faz parte do segundo módulo de um treinamento iniciado em julho. Já o curso em Roma é fruto do programa de formação avançada para altos dirigentes públicos brasileiros, realizado pela Escola Nacional de Administração Pública (Enap) em parceria com a Universidade de Roma, conforme informou a EPL.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Extrema pobreza aumenta e chega a 15,2 milhões de pessoas em 2017



O número de pessoas na faixa de extrema pobreza no Brasil aumentou de 6,6% da população em 2016 para 7,4% em 2017, ao passar de 13,5 milhões para 15,2 milhões. De acordo com definição do Banco Mundial, são pessoas com renda inferior a US$ 1,90 por dia ou R$ 140 por mês. Segundo o IBGE, o crescimento do percentual nessa faixa subiu em todo o país, com exceção da Região Norte onde ficou estável.

Os dados fazem parte da Síntese dos Indicadores Sociais 2018, divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que entende o estudo como "um conjunto de informações sobre a realidade social do país". O trabalho elaborado por pesquisadores da instituição tem como principal fonte de dados para a construção dos indicadores a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) de 2012 a 2017.

O estudo mostra ainda que também aumentou a proporção de pessoas abaixo da linha de rendimentos. Em 2017, era de 26,5%, enquanto no ano anterior ficou em 25,7%. Os percentuais significam a variação de 52,8 milhões de pessoas para 54,8 milhões. De acordo com definição do Banco Mundial, são pessoas com rendimento até US$ 5,5 por dia ou R$ 406 por mês. A maior parte dessas pessoas, mais de 25 milhões, estava na Região Nordeste.

Houve elevação ainda na proporção de crianças e adolescentes (de 0 a 14 anos) que viviam com rendimentos até US$ 5,5 por dia. Saiu de 42,9% para 43,4%, no período.

A pesquisa identificou que em 2017 cerca de 27 milhões de pessoas, ou seja, 13% da população, viviam em domicílios com ao menos uma das quatro inadequações analisadas: características físicas, condição de ocupação, acesso a serviços e presença de bens no domicílio. A inadequação domiciliar foi a que atingiu o maior número de pessoas: 12,2 milhões, ou 5,9% da população do país. Isso significa adensamento excessivo, quando há residência com mais de três moradores por dormitório.

No Amapá o nível atingiu 18,5%, enquanto em Santa Catarina ficou em 1,6%. No mesmo ano, 10% da população do país viviam em domicílios sem coleta direta ou indireta de lixo e 15,1% moravam em residências sem abastecimento de água por rede geral. O Maranhão foi o estado que registrou a maior falta de coleta de lixo: 32,7% da população não tinha acesso ao serviço.

Ainda na ausência de melhores condições, o estado do Acre é o que registrou maior percentual (18,3%) de pessoas residentes em domicílios sem banheiro de uso exclusivo. Já o Piauí, tinha a maior proporção da população sem acesso a esgotamento sanitário por rede coletora ou pluvial (91,7%).

Esses resultados mostram uma diferença grande para o estado de São Paulo, onde houve a maior cobertura para cada um dos serviços. A proporção da população sem coleta de lixo ficou em 1,2%, sem acesso a abastecimento de água por rede alcançou 3,6% e sem esgotamento sanitário por rede foi 7,0%.

Alta Comissária da ONU questiona uso de militares contra criminalidade no Brasil



A Alta Comissária da ONU para Direitos Humanos, Michelle Bachelet, critica a estratégia do uso de militares para combater a delinquência, como sugere  Jair Bolsonaro, além de alertar para os riscos de uma flexibilidade nas leis de acesso a armas. Seus comentários foram feitos em resposta a perguntas da reportagem do Estado sobre sua avaliação das propostas do novo governo brasileiro e seus posicionamentos sobre as forças armadas.

Em sua primeira coletiva de imprensa no cargo de Alta Comissária da ONU para Direitos Humanos, a ex-presidente e ex-ministra da Defesa do Chile apontou que vai monitorar o que ocorrer no Brasil em termos de direitos humanos, lembrando que esse é um trabalho que seu escritório faz sobre todos os países.

Está já há meses no radar da ONU a presença extensiva de militares e de operações como a do Rio de Janeiro, que já foram oficialmente criticadas por relatores das Nações Unidas durante o governo de Michel Temer. 

Mas Bachelet fez questão de voltar a desaprovar a ideia do uso de militares para lidar com a violência. "Parece que, diante de situações de violência e insegurança em muitas partes, acredita-se que a solução é ter uma solução forte, como fazer com que mais militares lidem com a delinquência. Mas não concordo", disse ao responder ao Estado. "Eu nao acho que isso seja o que devemos fazer", disse.

Armas

Durante a campanha eleitoral, Bolsonaro deixou claro que quer rever as leis de acesso às armas, hoje limitada em muitos casos diante da exigência de que alguém comprove a "efetiva necessidade". "A orientação nossa é que a 'efetiva necessidade' [exigida no Estatuto] está comprovada pelo estado de violência em que a gente vive no Brasil. Nós estamos em guerra", afirmou o presidente eleito.

Depois de seus indicado para ocupar o cargo de ministro da Justiça, Sérgio Moro também falou sobre o caso, indicando que poderá maior flexibilização do porte de armas. "As regras atuais são muito restritivas. Existe a proposta de flexibilização do porte de armas. Será discutida a forma como ela será realizada", disse o novo titular do Ministério da Justiça.

Questionada sobre a ideia do governo eleito, ela reagiu de forma negativa. "Não sou a favor de dar armas sem controle", disse Bachelet nesta quarta-feira. "Vimos o que ocorre em muitos lugares, com morte de crianças em escolas. Eu acredito que armas são muito perigosas nas mãos das pessoas que possam não saber usar da forma correta. portanto, Espero que esse anúncio (do governo eleito).…quer dizer, até agora não vimos, é um anúncio. Vamos ver o que ocorre", disse. "No Brasil, assim como em qualquer outro país, vamos acompanhar de perto", disse.

Ditadura

Bachelet, que foi torturada durante o regime militar chileno e teve sua família também como vítima, respondeu ao ser questionado sobre o fato de Bolsonaro insistir em negar a existência da ditadura no Brasil.

"Acredito que, na América Latina, tivemos um tempo em que tivemos muitas ditaduras", disse. "E no Brasil houve uma ditadura. E tivemos vítimas, tortura e tivemos comissões para olhar todo isso. No Chile, também tivemos uma ditadura. Pinochet não foi eleito pelo povo. Foi um golpe de estado. E muita gente desapareceu, mortas e torturas", insistiu.

"Espero que na América Latina tenhamos aprendido a lição de que, mesmo que as democracias não sejam perfeitas, a democracia é a melhor forma para que as pessoas possam se desenvolver e ter os direitos que merecem", apontou.

 Bolsonaro, pediu, em telegrama enviado à Embaixada do Brasil no Chile, que fosse transmitida sua mensagem de solidariedade ao neto do general Augusto Pinochet, Augusto Pinochet Molina, após esse ter sido afastado do Exército por ter feito pronunciamento no sepultamento do avô. Na mensagem, Bolsonaro afirma sua admiração por Molina não ter se curvado às "mentiras da esquerda" e fala do "saudoso" General Pinochet. O telegrama foi enviado à embaixada brasileira em 2006 e o pedido de Bolsonaro foi negado pelo Ministério das Relações Exteriores.

Num programa de TV, de João Cleber, Bolsonaro disse que Pinochet "fez o que tinha de fazer". "No Chile, haverá 30 mil cubanos. tinha que ser de forma violenta para reconquistar seu país", completou.

Exemplo - Bachelet ainda usou sua primeira coletiva de imprensa para alertar que, na comemoração dos 70 anos depois da Declaração Universal dos Direitos Humanos, líderes em diferentes países "parecem ter se esquecido daquelas palavras proféticas". "Temos de lembra-los todos os dias", insistiu.

"Esse texto é uma das construções mais importantes. Mas esse progresso está ameaçado", apontou a chilena, lembrando que direitos de milhões são ainda violados todos os dias. Segundo ela, instituições criadas nos últimos anos estão sendo "minadas" e "tratados internacionais estão sendo ameaçados por lideres que passaram a adotar um foco mais estreito de seus objetivos nacionalistas", alertou.

Pedindo para que as pessoas "se levantem" para questionar essa ameaça contra os direitos humanos, ela admitiu que a comunidade internacional vive um "um ambiente desafiador". "O multilateralismo está passando por uma erosão. Ao mesmo tempo, ninguém pode ser uma ilha. Não vai funcionar. Temos visto pressões sobre os direitos humanos, discursos de ódio e que está dando licença para que a sociedade atue assim", alertou.

"Líderes precisam liderar por exemplo e apontar como os direitos humanos fazem parte importante de sua linguagem e mensagem. É assim que sociedades vão se comportar", completou.

México negocia com Cuba para levar ao México os médicos saídos do Brasil


 O novo presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, está prestes a fechar um acordo para receber pelo menos 3 mil médicos cubanos que vinham trabalhando no Brasil.

 Lázaro Cárdenas Batel, o novo coordenador de assessores da presidência mexicana, tem sido o elo entre Cuba  presidido por Miguel Díaz-Canel, e colaboradores dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. O objetivo: uma adaptação mexicana do Mais Médicos, um programa que envolveu cerca de 15 mil especialistas cubanos designados para 1,6 mil municípios em algumas das áreas de mais difícil acesso do Brasil.

‘Modelo europeu’

Obrador disse que o esquema atual de saúde pública no México é “insuficiente” e prometeu que sob seu governo, os mexicanos terão acesso a um sistema semelhante ao do “Canadá, Dinamarca, Inglaterra e países nórdicos”.

Para lembrar: programa foi criado em 2013

Lançado em julho de 2013 pela então presidente Dilma Rousseff (PT),  o Mais Médicos teve a participação majoritária de cubanos, até o dia 14 de novembro.

O governo cubano decidiu então encerrar a parceria, intermediada pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), depois de Jair Bolsonaro, dizer publicamente que pretendia alterar termos do acordo, entre eles os repasses feitos a Havana pelo convênio.

Desde o rompimento, o programa, que atende principalmente cidades do interior do Brasil com pouco acesso à saúde pública, abriu vagas para suprir a saída de cerca de 8 mil cubanos.

Justiça dos Estados Unidos acompanha investigação sobre Portos no Brasil



O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ, na sigla em inglês) possui informações sobre o inquérito dos Portos. O caso brasileiro chegou às autoridades americanas depois que a empresa sócia da Rodrimar em operação de um dos terminais do Porto de Santos decidiu colaborar de forma espontânea com a justiça americana.

O relatório de conclusão do inquérito do caso feito Polícia Federal aponta indícios da prática dos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa por parte do presidente Michel Temer e de outras dez pessoas.

A decisão de levar o caso aos EUA foi encabeçada pela gigante canadense Nutrien, empresa do mercado de fertilizantes. A empresa é sócia majoritária da Rodrimar no grupo Pérola – sociedade formada para operar um terminal em Santos – pela subsidiária PCS Fosfatos do Brasil. Beatriz Bulla e Fabio Serapião , O Estado de S.Paulo

A Nutrien tem ações listadas na bolsa de Nova York e teve receio de as investigações atingirem sua atuação nos EUA, o que a fez encaminhar ao DoJ informações que vinha prestando de forma espontânea à Procuradoria-Geral da República, no Brasil. Segundo o Estado apurou, os americanos não fizeram diligências sobre o caso dos portos, aguardando os desdobramentos da investigação brasileira. A entrega de documentos foi uma antecipação para mostrar que a empresa vai cooperar, caso os americanos decidam entrar no caso e processar os envolvidos.

Os executivos do grupo Pérola não foram indiciados no inquérito da PF, mas o delegado Cleyber Malta solicitou no relatório final do caso a abertura de um novo inquérito policial para apurar o repasse de R$ 375 mil da empresa para o escritório de advocacia de Flávio Calazans.

Em depoimento à PF, o Calazans assumiu ter recebido dez parcelas de R$ 37,7 mil, entre 2014 e 2015, da Pérola S.A. O advogado admitiu ter emitido notas frias do seu escritório para dissimular a transação. O dinheiro, afirmou, foi encaminhado para contas de outras empresas, entre elas, a Link Projetos, investigada por escoar propina de empreiteiras para políticos do MDB.

Aos americanos, a empresa canadense entregou e-mails e documentos relacionados à operação em Santos, como a documentação que mostra pagamentos feitos para o escritório de advocacia de Flávio Calazans. Como mostrou o Estado, o dinheiro pago pela empresa a Calazans foi parar na conta de uma empresa de fachada usada para escoar propina de políticos do MDB. A transação foi investigada no inquérito dos Portos. A empresa também entregou conversas com pessoas da Rodrimar que podem interessar às autoridades brasileiras e americanas e detalhou saques em espécies feitos no Brasil.

Denúncia. O Pérola, formado em 2005 para atuar em um dos terminais do Porto de Santos, também tem colaborado com a procuradoria. O material entregue pela empresa pode ser usado pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, em caso de uma denúncia contra Temer com base na investigação sobre o decreto dos portos, finalizada pela PF.

O Departamento de Justiça americano não confirma, nega ou comenta a existência ou não de investigações em curso. Questionada sobre a cooperação com os EUA, a Nutrien respondeu que a empresa “está ciente do inquérito dos portos da Polícia Federal do Brasil e do relatório de investigação”. “A Nutrien tem participação no capital da Pérola e leva a sério a questão da corrupção. Nossa empresa continua a cooperação com autoridades e fornecer assistência conforme necessário”, informou a empresa.

A entrada dos americanos em uma investigação brasileira não seria novidade. O DoJ já participou de investigações criminais e fez acordos com empresas, junto com o Brasil, como no caso da Odebrecht na Lava Jato. No caso da empreiteira, a pressão dos americanos acelerou o processo de acordo. Os americanos ficaram com cerca de 10% dos R$ 6,8 bilhões de multa que a Odebrecht concordou em pagar ao Brasil, EUA e Suíça.

A legislação americana dá aos investigadores locais uma jurisdição ampla para casos de corrupção fora do país. Basta que uma empresa tenha ações na bolsa ou que uma comunicação do ato de corrupção tenha sido feita em servidor de e-mail baseado nos EUA, por exemplo, para que o DoJ possa atuar.

A Rodrimar informou que não é responsável pela administração da Pérola, sendo sócia minoritária não respondendo pelos seus contratos. “No mais, os esclarecimentos relacionados ao inquérito dos portos serão apresentadas no local e momento apropriados.” A Pérola S/A negou qualquer relacionamento com o DoJ no âmbito do inquérito dos Portos. Ela diz ter fornecido “todas as informações solicitadas oficialmente pelas autoridades brasileiras.”

Sem o PT no governo:Desemprego no Brasil subiu para 12,5% entre 2015 e 2017



De acordo com o IBGE, razão entre o topo da distribuição dos rendimentos e a base mostrou que os 10% com maiores rendimentos recebiam 12,4 vezes mais do que os 40% com menores rendimentos
A taxa de desocupação no Brasil, que era de 6,9%, subiu para 12,5% entre 2014 e 2017, o que significa 6,2 milhões de pessoas desocupadas a mais no período, com crescimento em todas as regiões e em todos os grupos etários. O trabalho informal chegou a 37,3 milhões de pessoas, o mesmo que 40,8% da população ocupada, ou dois em cada cinco trabalhadores. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o contingente cresceu 1,2 milhão desde 2014, quando representava 39,1% da população ocupada.

Os dados fazem parte da Síntese dos Indicadores Sociais 2018, divulgada hoje pelo IBGE, que classifica o estudo como “um conjunto de informações sobre a realidade social do país”. O trabalho tem como principal fonte de dados para a construção dos indicadores a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), de 2012 a 2017.

A maior participação em trabalhos informais, em 2017, era de pretos ou pardos (46,9%), ante a de brancos (33,7%), que ganhavam, em média, R$ 2.615, ou seja, 72,5% a mais que os pretos ou pardos, que tinham vencimentos de R$ 1.516. A diferença ocorre também no gênero. Os homens recebiam R$ 2.261, equivalentes a 29,7% a mais que as mulheres, que tinham salários de R$ 1.743.

A proporcionalidade de brancos (45,8%) e a de pretos e pardos (53,2%), na visão do IBGE, “constitui também uma característica importante na segmentação das ocupações e a persistência, ainda hoje, da segregação racial no mercado de trabalho”. A presença de pretos ou pardos era maior em atividades com menores rendimentos médios, como agropecuárias (60,8%), construção civil (63,0%) e serviços domésticos (65,9%), justamente as que no ano passado tinham os menores rendimentos médios. A situação foi diferente nas atividades de educação, saúde e serviços sociais, que tiveram mais participação de pessoas brancas (51,7%).

De acordo com o IBGE, no mesmo ano, a razão entre o topo da distribuição dos rendimentos e a base mostrou que os 10% com maiores rendimentos recebiam 12,4 vezes mais do que os 40% com menores rendimentos. Entre os empregados sem carteira assinada, os da agropecuária tinham a desigualdade mais acentuada. Recebiam, em média, 47,1% do que ganhavam aqueles com o documento assinado. Era também desigual na indústria e na construção civil. Nessas atividades, os trabalhadores recebiam pouco mais da metade do que os de carteira assinada.

Entre 2014 e 2017, houve elevação de 28,9% na população subocupada por insuficiência de horas. No período, subiu de 5 milhões de pessoas em 2014, para 6,5 milhões em 2017. No ano passado, as mulheres que representavam 43,4% da população ocupada chegaram a 53,6% da população subocupada por insuficiência de horas. As pessoas pretas ou pardas eram 53,2% dos ocupados, mas aumentavam e chegavam a 65,4% dos subocupados. Houve diferença ainda entre os trabalhadores de 14 a 29 anos. Eles eram 26,6% dos ocupados, mas 34,1% dos subocupados. Já os sem instrução ou com fundamental incompleto eram 27,6% dos ocupados e 37,7% dos com insuficiência de horas.

Entre os trabalhadores em serviços domésticos, que representavam 6,3 milhões em 2017, ou 6,8% dos ocupados, a maior parte, ou seja, 5,8 milhões é constituída de mulheres, enquanto os homens eram 475 mil. Já na construção civil, a situação é diversa. A atividade caracterizada pela baixa remuneração tem mais trabalhadores (6,8 milhões) do que trabalhadoras (240 mil).

 Confiança dos brasileiros no mercado de trabalho sofre queda em período eleitoral

O Índice de Mobilidade do Brasil, medida que analisa a confiança do profissional e a probabilidade de mudança de emprego nos próximos seis meses, apresentou queda de nove pontos no terceiro trimestre de 2018. O número, que foi de 126 para 117, é parte da pesquisa trimestral WorkMonitor, realizada pela Randstad, líder global em soluções de recursos humanos, e acompanha os dados divulgados pelo IBGE sobre desemprego no país na mesma época.

Para Marcos Antonio, gerente regional da Randstad, a queda não é sintoma permanente do mercado. “Apesar dessa alteração significante, o terceiro trimestre foi um momento complicado para o país, quando a incerteza do mercado em relação às eleições presidenciais acabou afetando as contratações e os profissionais naturalmente se sentiram menos confiantes para trocar de emprego”, explica o executivo. A projeção, de acordo com o especialista, é de que o índice volte a aumentar nos próximos trimestres.

A pesquisa também aponta que 75% dos brasileiros não mudaram nem de cargo, nem de empresa nos últimos seis meses. Quando o assunto é a procura por novas colocações, os dados do relatório revelam que 31% dos profissionais são talentos passivos - não estão procurando vagas ativamente, mas avaliariam boas propostas recebidas -, enquanto 28% estão procurando ativamente e outros 40% não estão interessados na busca no momento.

 Com informações da Agência Brasil