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terça-feira, 29 de novembro de 2016

Protestos preocupam Temer e policia joga bomba para dispersar manifestação



Depois de o presidente Michel Temer (PMDB) dizer nesta terça-feira, 29, que o governo não devia se preocupar com as manifestações e que elas são legítimas numa democracia, o acirramento dos protestos que acontecem neste momento na Esplanada gerou preocupação no Palácio do Planalto.

Interlocutores do presidente reforçam que o próprio Temer destacou que os protestos  há sim um temor de que o episódio de hoje possa inflar os atos que estão sendo convocados para o dia 4, em São Paulo. 

A manifestação foi convocada contra um eventual projeto de anistia ao caixa 2.Há também protestos contra a PEC do Teto e contra a MP do Ensino Médio sendo convocados para o dia 11, véspera da previsão do segundo turno da votação da PEC no Senado.

Em relação à votação do primeiro turno da PEC do Teto, que está acontecendo no Senado, um auxiliar do presidente disse que ainda é cedo para avaliar o impacto dos protestos e se a manifestação pode interromper os trabalhos e atrapalhar o objetivo do governo de aprovar a matéria hoje em primeiro turno.

Estudantes, sindicalistas e manifestantes contra Michel Temer e a Pec do Teto fazem ato em frente ao Congresso
Hoje  a PEC55 será votada em 1º turno no Senado. Estudantes ocupam Brasília para garantir o futuro do país. Luta
Manifestantes se reúnem no gramado em frente ao Congresso contra a PEC 55, MP do Ensino Médio e o Governo Michel Temer                                               Manifestantes contra PEC 55  #OcupaBrasilia
 A manifestação na Esplanada estava linda até o momento em que infiltrados, autoidentificados com pautas reacionárias, iniciaram a confusão. Agora no inicio da noite, infiltrados  na manifestação queimaram carro para justificar ação da polícia que bateu e jogou bomba de gás pimenta nos estudantes para dispersar os manifestantes

     A truculência da PM contra estudantes em Brasília
 As bombas de gás pimenta que a policia atira nos manifestantes.A ação policial na Esplanada envolve o uso da cavalaria, tropa de choque e bombas de gás. Manifestantes acusam a polícia de ter agredido uma das pessoas que invadiu o espelho d'água do Congresso, o que teria iniciado o conflito
Leia mais: Depois de derrubar o governo para se proteger, Jucá quer ressuscitar MDB

Campanha de Dilma pagou comício de Temer no Rio de Janeiro



Na lista de despesas de Michel Temer bancadas pela campanha de Dilma Rousseff em 2014 está a "montagem e desmontagem" de um comício na quadra da Portela, no Rio de Janeiro. O serviço foi prestado pela Focal, uma das empresas investigadas no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob suspeita de participar de esquema de lavagem de dinheiro na campanha.

No evento, no dia 18 de outubro de 2014, Temer, então candidato a vice, elogiou Dilma: "Quando o governo vai bem, ele deve se reeleger. Vamos reeleger Dilma pelo que ela fez pelo Brasil e particularmente pelo Rio", disse

Outra lista de documentos mostra os voos feitos por Temer e pagos pela campanha de Dilma. Do fim de julho a meados de agosto, por exemplo, ele fez sete viagens, em helicópteros e jatos Citation e Falcon 2000. Os gastos chegaram a R$ 390 mil.
 Na lista de voos há também o nome dos passageiros que acompanharam o vice nas viagens. Eliseu Padilha, hoje ministro da Casa Civil, estava em quase todas.

"Os documentos comprovam que a chapa Dilma/Temer era única, arcando com os gastos da campanha da candidata a presidente e do vice com viagens e eventos. Ela era única porque não existe presidente sem vice nem vice sem presidente", diz o advogado da campanha de Dilma, Flavio Caetano.

Gustavo Guedes, advogado de Temer, diz que pediu a separação das contas no TSE apenas na parte de arrecadação, e não de gastos, sobre os quais não pairaria "nenhuma suspeita de irregularidade". O tribunal analisa se as contas devem ser julgadas em conjunto ou de forma isolada, o que salvaria Temer de eventual condenação imposta a Dilma. Da Coluna de Monica Bergamo Leia mais: Depois de derrubar o governo para se proteger, Jucá quer ressuscitar MDB

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Moro veta perguntas feitas por defesa de Cunha sobre reuniões na casa de Temer


Começou a delação de Cunha

O juiz Sergio Moro indeferiu, na manhã desta segunda (28), 21 de um total de 41 perguntas feitas por escrito pelo ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) a Michel Temer.

Temer é testemunha de defesa de Cunha. Ele responderá aos questionamentos também por escrito.

Cunha chega a perguntar se Temer recebeu Jorge Zelada, ex-diretor da Petrobras envolvido em corrupção, em sua própria residência, em São Paulo, e se teve conhecimento de reunião de fornecedores da Petrobras também em seu próprio escritório, em São Paulo, "com vistas à doação de campanha para as eleições de 2010".

Em outra questão, pergunta qual é a relação do presidente "com o sr. José Yunes", um dos melhores amigos de Temer, e se ele "recebeu alguma contribuição de campanha" para alguma eleição de Temer.

Em caso positivo, diz Cunha, "as contribuições foram realizadas de forma oficial ou não declarada?".

O ex-parlamentar questiona ainda se Temer "indicou o nome do sr. Wellington Moreira Franco para a vice-presidência do Fundo de Governo e Loterias da Caixa Econômica Federal".

E indeferiu as questões. O Moro vetou 13 perguntas “por serem inapropriadas”. E indeferiu outras oito

Moro afirma que o teor das perguntas é inapropriado

A defesa de Cunha perguntou a Temer, por exemplo, se ele recebeu alguma vez em sua casa Jorge Zelada, que foi diretor da área internacional da Petrobras: "Vossa Excelência recebeu Jorge Zelada (ex-diretor da área internacional da Petrobras) alguma vez na sua residência em São Paulo, situada à Rua Bennett, 377?".

 "Quantas vezes Vossa Excelência esteve com Jorge Zelada?"; "Caso tenha recebido, quais foram os assuntos tratados?";

"Vossa Excelência encaminhou alguém para ser recebido por Jorge Zelada na Petrobras?". Todas essas perguntas foram vetadas pelo juiz.

 A defesa de Cunha fez outras perguntas - e também vetadas por Moro - ao presidente Temer:

 "Vossa Excelência conhece João Augusto Henriques?"; "Caso conheça, quantas vezes esteve com ele e quais assuntos trataram?".

Henriques é apontado pelo Ministério Público Federal como um operador de propina do PMDB. As duas foram igualmente vetadas.

Também foi perguntado a Temer - e vetado - se "Houve alguma reunião com fornecedores da área internacional da Petrobras com vistas à doação de campanha para as eleições de 2010, no seu escritório político na Avenida Antonio Batuira, em São Paulo, juntamente com João Augusto Henriques".

Os advogados de Cunha perguntaram ainda se José Yunes recebeu alguma contribuição de campanha para Temer ou para o PMDB e se, caso tenha recebido, foi de "forma oficial ou não declarada". Yunes é assessor especial de Temer e é seu amigo pessoal há pelo menos 40 anos.

Em despacho, Moro afirmou que "merece censura" a defesa de Cunha em "relação a parte dos quesitos apresentados".

Nos depoimentos extrajudiciais de Nestor Cerveró, o ex-diretor da Petrobras disse ter procurado o então deputado federal Michel Temer para "lograr apoio político para permanecer no cargo de diretor da Petrobras", mas ressaltou que "não há qualquer referência de que a busca por tal apoio envolveu algo de ilícito ou mesmo que a conversa então havida tenha tido conteúdo ilícito".

Cunha e o presidente Michel Temer faziam parte da bancada do PMDB na Câmara, que teria pressionado o governo a ceder a diretoria Internacional da Petrobras para o grupo. Na época, a bancada peemedebista na Câmara teria conquistado a diretoria Internacional da Petrobras em troca de apoio para votar a continuidade da CPMF, segundo contou o delator e ex-senador Delcídio do Amaral.

 A defesa de Cunha se referiu ainda a uma matéria do Globo, de 26 de setembro de 2007, citada na denúncia contra o ex-deputado, para perguntar se Temer e o líder do partido, Henrique Alves, foram chamados a uma reunião no Planalto com o então ministro Walfrido Mares Guia para tratar de nomeações na Petrobras, após uma interrupção na votação da CPMF.

 Os advogados de Cunha queriam saber se a informação era ou não procedente. E quer saber se nesta reunião foi tratada a nomeação de Zelada para a diretoria Internacional da Petrobras....

Veja as perguntas da defesa de Cunha ao presidente Michel Temer

1 – Quando da nomeação do Sr. Jorge Zelada na Petrobrás, qual era a função exercida por Vossa Excelência?

2 – No início de 2007, no segundo governo do Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, houve um movimento na bancada de deputados federais do PMDB visando a sua pacificação e isso incluiu a junção dos grupos antagônicos. Vossa Excelência tem conhecimento se isso incluiu o apoio ao candidato do PT à presidência da Câmara com o compromisso de apoiá-lo como candidato no segundo biênio em 2009?

3 – Vossa Excelência tem conhecimento de acordo para o então líder da bancada, Sr. Wilson Santiago, concorrer à Primeira Secretaria e o Sr. Henrique Alves assumir a liderança?

4 – Vossa Excelência tem conhecimento da divisão da maioria da bancada em coordenações, sendo o Sr. Tadeu Filippelli no Centro-Oeste, Eduardo Cunha no Rio de Janeiro e o Sr. Fernando Diniz em Minas Gerais?

5 – Vossa Excelência tem conhecimento da nomeação do Sr. Geddel Vieira de Lima para o Ministério da Integração Nacional, do Sr. Reinhold Stephanes para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e do Sr. José Gomes Temporão para o Ministério da Saúde?

6 – Vossa Excelência indicou o nome do Sr. Wellington Moreira Franco para a Vice- Presidência do Fundos de Governo e Loterias da Caixa Econômica Federal?

7 – Vossa Excelência fazia a interlocução com o governo como presidente do PMDB juntamente com o líder Sr. Henrique Alves quando se tratava da Câmara dos Deputados?

8 – Vossa Excelência tem conhecimento se as coordenações ficaram responsáveis por indicações levadas ao Governo Federal para atendimento dos seus deputados?

9 – Vossa Excelência tem conhecimento se na coordenação do Rio de Janeiro, coordenada pelo Sr. Eduardo Cunha, coube a indicação do ex-prefeito, ex-vice-governador do Rio de Janeiro e à época Secretário de Estado da Cultura do Rio de Janeiro, Sr. Luiz Paulo Conde, para a presidência de Furnas?

10 – Vossa Excelência tem conhecimento se na coordenação do Centro-Oeste, coordenada pelo Sr. Tadeu Filippelli, couberam as indicações do vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal e da vice-presidência de Governo do Banco do Brasil?

11 – Vossa Excelência tem conhecimento se na coordenação de Minas Gerais, coordenada pelo Sr. Fernando Diniz, coube a indicação do diretor da área internacional da Petrobrás, tendo sido indicado o Sr. João Augusto Henriques, vetado pelo Governo, e depois substituído pelo Sr. Jorge Zelada?

12 – Vossa Excelência tem conhecimento se a interlocução com o Governo era feita com o ex-presidente, Sr. Luiz Inácio Lula da Silva?

13 – Vossa Excelência tem conhecimento de quais ministros mais participavam?

14 – Vossa Excelência foi procurado pelo Sr. José Carlos Bumlai para tentar manter o Sr. Nestor Cerveró na Diretoria Internacional da Petrobrás?

15 – Vossa Excelência já conhecia o Sr. José Carlos Bumlai? De onde?

16 – Vossa Excelência recebeu o Sr. Nestor Cerveró para discutir a permanência dele na Diretoria Internacional da Petrobrás?

17 – Quando Vossa Excelência o recebeu? Onde e quem estava presente?

18 – Vossa Excelência foi comunicado pelo Sr. Nestor Cerveró sobre uma suposta proposta financeira feita a ele para sua manutenção no cargo?

19 – Caso Vossa Excelência tenha sido comunicado pelo Sr. Nestor Cerveró, quem teria feito a proposta e qual foi a vossa reação? Por que não denunciou?

20 – Vossa Excelência tem conhecimento se o Sr. Eduardo Cunha teve alguma participação na nomeação do Sr. Jorge Zelada para a Diretoria Internacional da Petrobrás?

21 – Quantas vezes Vossa Excelência esteve com o Sr. Jorge Zelada?

22 – Vossa Excelência recebeu o Sr. Jorge Zelada alguma vez na sua residência em São Paulo/SP, situada à Rua Bennett, 377?

23 – Caso Vossa Excelência o tenha recebido, quais foram os assuntos tratados?

24 – Após a morte do Sr. Fernando Diniz, Vossa Excelência tem conhecimento de quem o substituiu na coordenação da bancada de Minas Gerais?

25 – Vossa Excelência recebeu alguém para tratar de algum assunto referente à área internacional da Petrobrás?

26 – Vossa Excelência encaminhou alguém para ser recebido pelo Sr. Jorge Zelada na Petrobrás?

27 – Vossa Excelência encaminhou algum assunto para ser tratado pela Diretoria Internacional da Petrobrás?

28 – Vossa Excelência tem conhecimento sobre a negociação da Petrobrás para um campo de petróleo em Benin, na costa oeste da África?

29 – Vossa Excelência tem conhecimento de alguma participação do Sr. Eduardo Cunha em algum assunto relacionado à Petrobrás?

30 – Vossa Excelência tem conhecimento de alguma participação do Sr. Eduardo Cunha na compra do campo de petróleo em Benin?

31 – Vossa Excelência conhece o Sr. João Augusto Henriques?

32 – Caso Vossa Excelência conheça, quantas vezes esteve com ele e sobre quais assuntos trataram?

33 – Vossa Excelência sabe de alguma contribuição de campanha que tenha vindo de algum fornecedor da área internacional da Petrobrás?

34 – Vossa Excelência tem conhecimento se houve alguma reunião sua com fornecedores da área internacional da Petrobrás com vistas à doação de campanha para as eleições de 2010, no seu escritório político na Avenida Antônio Batuira, no 470, em São Paulo/SP, juntamente com o Sr. João Augusto Henriques?

35 – Qual a relação de Vossa Excelência com o Sr. José Yunes?

36 – O Sr. José Yunes recebeu alguma contribuição de campanha para alguma eleição de Vossa Excelência ou do PMDB?

37 – Caso Vossa Excelência tenha recebido, as contribuições foram realizadas de forma oficial ou não declarada?

38 – Matéria publicada no “O Globo” no dia 26/09/2007, citada na denúncia contra Eduardo Cunha, dá conta de que após uma interrupção na votação da CPMF na Câmara dos Deputados, Vossa Excelência foi chamado ao Planalto juntamente com o então líder Sr. Henrique Alves para uma reunião com o então ministro Sr. Walfrido Mares Guia para tratar de nomeações na Petrobrás. Vossa Excelência reconhece essa informação?

39 – Caso esta reunião tenha ocorrido, quais temas foram tratados? A nomeação do Sr. Jorge Zelada para a Diretoria Internacional da Petrobrás foi tratada?

40 – A matéria cita o desconforto do PMDB porque haveria o compromisso das nomeações na Petrobrás, mas só após a votação da CPMF. No entanto, a então chefe da Casa Civil e presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, Sra. Dilma Rousseff, teria descumprido o compromisso e nomeado a Sra. Maria das Graças Foster para a Diretoria de Gás e Energia e o Sr. José Eduardo Dutra para a BR Distribuidora. Vossa Excelência reconhece essa informação?

41 – Vossa Excelência tem conhecimento se o desconforto teria causado a paralisação da votação da CPMF, que só foi retomada após o compromisso de nomear os cargos prometidos ao PMDB?

Depois de derrubar o governo para se proteger, Jucá quer ressuscitar MDB


Talvez envergonhado por ter o terceiro presidente da República não eleito pelo voto (os outros dois foram Sarney e Itamar) e, desta vez, tendo subido ao cargo por meio de um golpe contra a democracia; talvez também por estar mergulhado em denúncias de corrupção de algumas de suas principais lideranças; cite-se ainda por ter o ex-governador Sérgio Cabral e Eduardo Cunha presos e por estar na mira da Lava Jato; e o que dizer da desgaste da falência do estado do Rio, que governa desde 2007?. E, enquanto Michel Temer lia carta de demissão do ministro  a Policia Federal Batia na casa do secretário e assessor de Geddel.....Romero Jucá anunciou no sábado (26), que o PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) pretende mudar de nome, retornando ao nome antigo, MDB (apenas Movimento Democrático Brasileiro), usado de 1966 a 1979.... Continue Lendo aqui

Campanha de Dilma pagou funcionários de Temer em 2014



A campanha presidencial de Dilma Rousseff (PT) em 2014 pagou o salário de assessores pessoais de seu vice na chapa e hoje presidente da República, Michel Temer.

Segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a chefe de gabinete de Temer e o atual secretário de Comunicação da Presidência foram, por exemplo, remunerados pela "candidata Dilma Rousseff" durante a disputa presidencial, embora o peemedebista tenha registrado uma conta própria na Justiça Eleitoral.

Os dados do TSE colidem com um dos argumentos da defesa de Temer contra o pedido de cassação da chapa pela qual foi eleito: a de que, com uma conta independente, ele não pode ser responsabilizado por eventuais irregularidades cometidas durante a campanha.

Derrotados no segundo turno, o PSDB e seus coligados entraram com três ações de impugnação da chapa Dilma/Temer por abuso de poder político e econômico nas eleições. Nas ações, requerem a posse dos senadores tucanos Aécio Neves (MG) e Aloysio Nunes Ferreira (SP) como presidente e vice.

O processo passa agora por uma fase de complementação de provas. A expectativa é que vá a julgamento pelo plenário do TSE no primeiro trimestre de 2017.

Para evitar a cassação de seu mandato, a assessoria jurídica de Temer solicitou que o então vice tivesse seu caso julgado separadamente de Dilma, sob o argumento de que, com uma conta própria, houvera "movimentação distinta de recursos".

Mas, segundo comprovantes de depósitos e recibos apresentados ao tribunal, quatro colaboradores diretos de Temer –a chefe de gabinete, dois assessores de imprensa e o assessor jurídico– receberam, juntos, R$ 543 mil de julho a outubro de 2014.

Ao lado do peemedebista há 19 anos, a atual chefe de gabinete da Presidência, Nara de Deus Vieira, recebeu R$ 164,2 mil no período que vai de julho a outubro de 2014. Nas prestações de contas apresentadas ao TSE, ela figura como responsável pela movimentação e abertura da conta em nome de Temer para a disputa presidencial. Seu salário mensal, de R$ 41 mil, foi, no entanto, pago pela campanha de Dilma.

Atual secretário de comunicação de Temer, Márcio de Freitas Gomes recebeu R$ 109 mil transferidos da conta da campanha de Dilma, R$ 27,3 mil mensais. Outro assessor de imprensa de Temer, Bernardo Gustavo recebeu o mesmo valor.

Então assessor jurídico de Temer, tendo atuado diretamente na Vice-Presidência e hoje desembargador, Hercules Fajoses recebeu R$ 160 mil como consultor da campanha de ex-presidente na área.

Ex-assessor do PMDB, Fajoses foi chefe da assessoria jurídica da Vice-Presidência, de abril de 2011 a maio de 2014, quando passou a prestar consultoria na campanha presidencial.

Até junho de 2015, foi advogado de Temer no TSE nas ações que propõem a impugnação da chapa com Dilma Rousseff. Em junho de 2015, ele foi nomeado por Dilma como desembargador no Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Com isso, o advogado Gustavo Bonini Guedes assumiu a defesa de Temer.

No dia 13 de abril de 2016, antes do impeachment de Dilma, Bonini Guedes entrou com uma petição no TSE solicitando a "separação das responsabilidades entre titular e vice, o que é perfeitamente possível no caso, diante da movimentação distinta de recursos".

Em maio, o vice-procurador-geral eleitoral, Nicolao Dino, se manifestou contra o pedido de Temer, afirmando que os atos do titular repercutem na situação do vice. As informações são da Folha

Temer manda Petrobras vender áreas no pré-sal para o grupo francês Total



A Petrobras negocia a venda de uma participação nas áreas mais cobiçadas do pré-sal –próximas aos megacampos de Lula e Sapinhoá– para o grupo francês Total.

A transação faz parte de um acordo de parceria estratégica anunciado pelas duas empresas em outubro e deve incluir também duas usinas térmicas e o aluguel de um terminal de gaseificação na Bahia.

O objetivo é concluir a operação ainda neste ano, colaborando para a Petrobras obter US$ 15,1 bilhões com a venda de ativos até dezembro. Esses recursos serão utilizados para reduzir o nível de endividamento da estatal.

Até agora, a Petrobras conseguiu US$ 10,7 bilhões ao se desfazer de empresas na Argentina e no Chile, ativos de distribuição e transporte de gás, a distribuidora Liquigás e o campo de Carcará.

Os campos em negociação com a Total ficam nos blocos BMS-9 e BMS-11 na Bacia de Santos –região considerada a jóia da coroa do pré-sal por incluir os dois maiores campos em produção no país.

Lula e Sapinhoá não vão entrar no negócio, mas a infraestrutura montada nesses campos para escoamento de gás natural pode ser compartilhada, reduzindo os custos de novos investimentos.

Além disso, a operação na área permite usar em conjunto recursos como logística de transporte de suprimentos e pessoal para as plataformas.

Segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo), Lula é o campo com maior produção do país, com 639.700 barris por dia, seguido por Sapinhoá, com 264.000 barris por dia.

Podem entrar no pacote dos franceses os campos de Iara, Berbigão, Sururu e Oeste de Atapu (situados no bloco BMS-11, onde está Lula) e também o campo Lapa (no BMS-9, vizinho a Sapinhoá).

A expectativa é que haja disputa entre a Total e a Shell pelos campos que estão no bloco BMS-11. A Shell e a portuguesa Galp já são sócias da Petrobras nesse bloco, com 25% e 10% de participação, respectivamente. Como sócias, tem direito de preferência e poderiam cobrir a proposta feita pela Total.


TÉRMICAS

O acordo com a Total também deverá incluir duas usinas térmicas e o aluguel do terminal de regaseificação na Bahia. É um negócio pequeno que a estatal vê como uma espécie de laboratório, para testar esse modelo de parceria e oferecê-lo a outras empresas no futuro.

A Petrobras vem tentando vender suas térmicas desde 2015, mas as negociações esbarram em entraves regulatórios. No início deste ano, a estatal decidiu negociar pacotes que incluem acesso aos terminais de gás natural líquido. Foram criados pacotes na Bahia, no Rio e no Ceará.

Nesta semana, a Petrobras anunciou a venda da distribuidora de gás de cozinha Liquigás para o grupo Ultra, por R$ 2,8 bilhões. Também estão à venda a participação da Petrobras na petroquímica Braskem –onde é sócia da Odebrecht–, em refinarias de petróleo e em unidades de produção de etanol, entre outros empreendimentos.

domingo, 27 de novembro de 2016

Protesto em São Paulo pede #ForaTemer e 'Diretas Já'



A Frente Povo Sem Medo levou 40 mil pessoas à Avenida Paulista na tarde deste domingo para se manifestar contra a PEC do Teto, pedir #ForaTemer   e eleições diretas. "Não dá para o senhor Michel Temer continuar no comando do Brasil, sentado naquela cadeira lá no Planalto.
  Temer não tem mais condições. Vai embora Temer. Renuncie", cobrou o coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos.
O ato começou com uma homenagem ao líder da revolução cubana Fidel Castro, morto neste sábado aos 90 anos.
Em todos discursos, os oradores lembraram as declarações do ex-ministro da Cultura Marcelo Calero que, à Polícia Federal, disse ter sido pressionado por Temer para intervir junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para liberar a construção do edifício La Vue, em Salvador, embargado por estar em área de patrimônio histórico, onde o ex-ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima tem um apartamento.
Movimentos sociais protestam na tarde deste domingo na Avenida Paulista, região central de São Paulo, contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55, que limita o teto de gastos públicos. Os manifestantes se reuniram às 15h em frente ao Masp e seguiram para a avenida Paulista

Além de Boulos, participaram do ato o senador Linbergh Farias (PT-RJ), o presidente da Central única dos Trabalhadores (CUT) Vagner Freitas, o vereador eleito Eduardo Suplicy (PT), os deputados Ivan Valente e Luiza Erundina (PSOL) e a presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Carina Vitral. "Está na hora de fazer greve para tirar este governo. A nossa bandeira é 'Diretas Já'. Este Congresso não tem legitimidade (para eleger um presidente)", disse Freitas.
 Ato na avenida Paulista contra PEC 55 tem a presença do cantor Chico César
O protesto foi organizado pela frente de mobilização Povo Sem Medo, que reúne mais de 30 movimentos sociais, como o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto). Além da PEC do teto, os manifestantes protestam contra a anistia do caixa 2.



Destruir Lula é roubar a voz dos pobres, diz sociólogo amigo de FHC



O sociólogo italiano Domenico De Masi, 78, é um senhor de aparência simpática, do tipo que gesticula bastante.

Fã declarado do Brasil, país que frequenta e estuda há 30 anos, ele abriu na quinta (24) o Fórum do Amanhã, em Tiradentes (MG). O tema de sua mesa no seminário foi "Qual o sonho brasileiro?". Antes, o italiano passou por Curitiba e São Paulo, onde um de seus compromissos foi jantar com Fernando Henrique Cardoso, de quem é amigo.

Professor da Universidade La Sapienza, em Roma, De Masi é conhecido por conceitos como "ócio criativo" (aliar trabalho, estudo e lazer ao mesmo tempo) e "teletrabalho" (produção a distância facilitada por meios tecnológicos).

Sua mulher, Susi Del Santo, amante da língua portuguesa, fez as vezes de tradutora na entrevista, em que o sociólogo falou de assuntos como o impeachment da presidente Dilma Rousseff, a transformação dela e de Lula em "delinquentes" e a eleição de Donald Trump nos EUA.

SONHO BRASILEIRO

Não existe um único sonho. Cada classe social tem o seu. Na favela o sonho é a instrução ou comer. O sonho global do Brasil corresponde a se tornar uma nação capaz de dar um grande modelo de vida ao mundo. A sociedade pós-industrial, diferentemente das precedentes, é sem modelo. O Brasil há 500 anos vem imitando a Europa e os EUA. E não tem que copiar. É obrigado a criar um modelo.

O Brasil é um pouco infantil. Porque no fim de 2014 Lula era um grande personagem e Dilma também. Passado 2014, Lula é um delinquente e Dilma também. Essa transição foi rápida, uma transição infantil. Não foi madura.

Por quê [isso ocorreu]? Não sei. Olhando da Europa, lembro que durante o período de Lula o Brasil era feliz. Ele era um mito, as pessoas choravam diante dele. Dilma era um mito também no primeiro mandato. Porém em dois meses Dilma passa a ser odiada. Quem olha de fora não entende. Só um povo infantil faria uma coisa dessa.
O modelo de sociedade não deriva da elite, mas da cultura popular. E a cultura popular do Brasil tem grandes valores, como o de acolher bem. A Europa está demonstrando que não acolhe bem imigrantes. Só os brasileiros não amam o Brasil. Não sou eu que digo isso, é Nelson Rodrigues. O Brasil não é popular no Brasil. Sobretudo entre a elite.

OS INTELECTUAIS

Há duas características: uma grande inteligência social e uma grande coragem. Os intelectuais brasileiros têm o dever de ter a consciência da importância do Brasil. São muito críticos ao país, e uma crítica global, não de classe. Intelectuais passados, Gilberto Freyre, Darcy Ribeiro, eram críticos à elite, mas orgulhosos do modelo brasileiro.


A CORRUPÇÃO

É interessante porque o Brasil descobriu pela primeira vez em sua história a corrupção. Que maravilhoso, porque o mundo conhece a corrupção desde sempre. Desde as obras de Shakespeare, Ésquilo, Sófocles. E o Brasil descobriu em 2014 [irônico], com Dilma. Acredito que há corruptos aqui desde o início. Estava no Rio e assisti ao último debate de 2014, com Aécio Neves, Dilma, Marina Silva. [Com expressão de incredulidade] Nenhum candidato disse a Dilma que ela era corrupta. Em dois meses, "pá", "pá" [faz gesto com os braços para indicar mudança de lado]. Foi de repente.

OS LIBERAIS

É um problema mundial: o grande retorno do neoliberalismo. Em todo o mundo há uma reação contra governos de esquerda. É uma coisa muito interessante, que como sociólogo percebo, mas não consigo explicar. No Brasil houve também um trabalho midiático. Em dois, três meses, tudo foi feito [no impeachment].

A RUA

Foram consequência do trabalho da mídia [os protestos contra Dilma]. Era organizadíssimo! Esse foi o grande triunfo midiático do mundo!

AS MÍDIAS SOCIAIS

Trump é um exemplo disso [influência das mídias sociais]. Antes disso, [Barack] Obama também. Acredito que é uma primeira face da mídia social, a comunicação sem reflexão, enquanto na televisão a comunicação é com hiper-reflexão. É tudo estudado nos mínimos detalhes. As mídias sociais se dirigem à "pancha" [estômago], de estômago para estômago. Já a TV é um instrumento de cérebro que se dirige ao estômago. Ela começa a criar uma certa atmosfera, e a mídia social se encarrega do resto.

OS MONSTROS

Não entendo de modo ofensivo dizer que o Brasil age de modo infantil. É uma constatação, de uma presença muito forte do estômago em detrimento da cabeça. Diz-se que "o sono da razão gera monstros". Se só funciona o coração, surgem os monstros. Como Hitler, Mussolini. Quando se inicia um movimento de grande emotividade, é um momento muito perigoso.

TRUMP

A presidência de Trump será um impulso liberal para todo o mundo. No Brasil, um efeito da social democracia no Brasil foi a redução da distância entre ricos e pobres. E isso fica em risco. Mas eu espero que o Brasil resista.

Um dos erros de Dilma é que ela implementou uma política mais liberal que a de Lula. Creio que, quando um governo é social-democrata, deve fazer política social-democrata. Não pode ter um ministro da Fazenda que é neoliberal. Ela fez uma mistura.

OS POBRES

Hoje o Brasil está precisando de uma forte reflexão. Há um número de pobres altíssimo. E eles não têm uma voz. Não há um papa Francisco aqui. Lula foi a grande voz dos pobres, quando era sindicalista. A última coisa que foi retirada do pobre foi Lula.

OS RICOS

É a grande vitória dos ricos sobre os pobres do Brasil. Desmitificar Lula é um crime. Mesmo que ele fosse um criminoso. Mandar policiais levarem Lula para depor [a condução coercitiva dele, em março] é tolher um mito. É um crime.

O IMPEACHMENT

Não sei. Mas é estranho que um povo mude de ideia em dois meses. A impressão externa é que foi um golpe. Mas eu acredito que a dinâmica mudou. Até o que se entendia como golpe mudou. Quando se diz essa palavra, se pensa em militares, de noite, com tanques. Mas um golpe se prepara também pelos jornais, pela televisão.

A JUSTIÇA

A Operação Mãos Limpas levou a uma limpeza da classe política italiana. Mas é um modelo que fica nos limites da democracia.

Quem tirou a maior vantagem foi [Silvio] Berlusconi. E ele foi para a Itália uma tragédia! Foram 20 anos do fascismo de Mussolini e depois 20 anos de Berlusconi. Mas Berlusconi não era Mussolini. Esse é o fato positivo, mas também o negativo. Porque não foi criada uma resistência. Quando há um ditador, há resistência. Mas, se não é ditadura...

A Mãos Limpas acabou com a antiga classe dirigente, só que a velha classe não preparou uma nova. Mas isso não é culpa dos juízes. No Brasil se crê que a situação é mais ou menos igual. Isso é perigoso. Minha impressão é que o povo brasileiro está utilizando Lula e Dilma para liquidar tudo que é negativo.

O magistrado deve cumprir seu dever apesar das consequências. Isso é um problema político, se resolve na sociedade política. Mas foi um grande escândalo no mundo a divulgação da gravação de um telefonema de Dilma a Lula [em março]. Os presidentes têm total autonomia. Não se pode grampeá-los. Isso não pode, não existe. Mas o magistrado deve fazer seu dever, sua obrigação.

A corrupção é sempre ruim, porém, se é na esquerda, é ainda mais grave. Sou de esquerda, mas se Dilma, se Lula, são julgados desonestos, têm que ser punidos.Da coluna de Monica Bergamo

País derrete e presidente ocupa-se com apartamento que nem sequer existe



É ao menos original, para não dizer que é cômico. O país derrete, com as atividades econômicas se desmilinguindo, o desemprego crescendo, cai até a renda dos ricos, a maior empresa  do país é vendida em fatias, pouco falta para trocarem de donos os trilhões do pré-sal –e o presidente da República passa a semana ocupando-se com um apartamento que nem existe. Ou só existe no tráfico de influência de um (ex)ministro e na advocacia administrativa do próprio presidente.

Se Dilma foi processada por crime de responsabilidade, como quiseram os derrotados nas urnas, Michel Temer é passível de processo, no mínimo, por crime de irresponsabilidade. É o que explica a pressa de Aécio Neves e Fernando Henrique para cobri-lo com uma falsa inocência. "Isso [a ação de Geddel] não atinge Temer nem de longe", diz Aécio, que na presidência da Câmara foi o autor de algumas das benesses mais indecentes desfrutadas pelos deputados.

Fernando Henrique define os atos de Geddel e de Temer como "coisas pequenas". Comparados à entrega, por ele, do Sistema de Vigilância da Amazônia à multinacional Raytheon, ou confrontados com as privatizações que manipulou até pessoalmente (e com gravação), de fato as ordinarices atuais são "coisas pequenas". Mas se "o importante é não perder o rumo", só isso, Temer, Geddel, Moreira e outros não o perderam. Nem desviam o país do rumo desastroso, único que lhe podem dar com sua incompetência e leviandade.

O comprometimento de Michel Temer com a manobra de Geddel não precisaria ser mais explícito. Sua acusação a Marcelo Calero, de que "a decisão do Iphan criou dificuldades ao [seu] gabinete" porque "Geddel está bastante irritado", diz o que desejava de Calero: a ilegalidade de uma licença incabível, para não "criar dificuldades" ao gabinete e, portanto, ao próprio Michel. Apresentar a ilegalidade como a forma correta de conduta, quando está em causa um interesse contrário à responsabilidade e à lei, é um comprometimento inequívoco com o interesse e com o tráfico de influência que o impulsiona.

Tem a mesma clareza a igualdade de ideia, e até de palavras, que Calero ouviu de Temer, de Eliseu Padilha e do secretário de Assuntos Jurídicos, Gustavo Rocha, em ocasiões diferentes. Todos lhe falaram em "construir uma saída", mandando "o processo para a AGU", a Advocacia-Geral da União. Lá, como disse Temer a Calero, "a ministra Grace Mendonça tem uma solução". A igualdade demonstra a combinação de uma estratégia para afinal impor a ilegalidade. Fosse por já terem a concordância de Grace Mendonça, como sugere a afirmação de Temer, fosse por a verem como maleável.

Michel Temer não poderia mesmo ser "atingido nem de longe". Está chafurdado na manobra de Geddel, a quem buscou servir em autêntica advocacia administrativa em nível presidencial. Corrupção, nada menos.

PINGA FOGO

1) Desde 1987 ficou demonstrado, aqui na Folha, que a construção do metrô no Rio é superfaturada. Agora, depois de 13 meses de investigação, o Tribunal de Contas do Estado do Rio concluiu que a Linha 4, obra do governo Cabral apressada para a Olimpíada, foi superfaturada em R$ 2,4 bilhões. Logo, em 1/4 do seu custo.

2) Por seis a um, Anthony Garotinho foi liberado pelo Tribunal Superior Eleitoral até de prisão domiciliar.

De um ponto de vista acima do resultado pessoal, há grave problema institucional em sua prisão: se existirem, são mínimas as dúvidas de que Garotinho foi vitima de represália de um delegado da PF e é provável que também de um juiz. No início do mês, o delegado Paulo Cassiano foi objeto de uma representação do ex-governador à Corregedoria da PF, por abuso de autoridade e violência em Campos. O juiz Glaucenir Silva decretou a prisão pedida pelo delegado, sem base para essa decisão. O projeto sobre abuso de autoridade deve ser votado nos próximos dias, caso Sergio Moro e um batalhão de procuradores federais não conseguirem impedi-lo. E, para o bem dos cidadãos em geral, é difícil que consigam.

3) Sinuoso relator das "dez medidas contra corrupção" – todas pretendidas pela Lava Jato, mas nem todas pela democracia–, o deputado Onyx Lorenzoni diz, a propósito do projeto: "Rezo para que o plenário da Câmara não faça bobagem". Entende-se: ele quer exclusividade. 
Por Janio de Freitas

 

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

New York Times dispara: “Presidente do Brasil, Michel Temer, envolvido em novo escândalo de corrupção”



Ultrapassa as fronteiras brasileiras a repercussão sobre a denúncia do ex-ministro da Cultura Marcelo Calero, que acusa o presidente Michel Temer e seu ex-Secretário de Governo, Geddel Vieira Lima, de tráfico de influência em episódio envolvendo a construção de um prédio de luxo em Salvador.

Direto ao ponto, o "New York Times" dispara: "Presidente do Brasil, Michel Temer, envolvido em novo escândalo de corrupção". O jornal americano, em seu texto, aborda a baixa popularidade de Temer, além de analisar o aspecto de gestão econômica em seu mandato. O veículo afirma que a equipe de governo não estaria sendo capaz de consertar uma "economia enferma atolada em sua maior recessão em décadas". O "NYT" também afirma que este "último escândalo está se transformando na mais aguda crise que Temer enfrenta desde que subiu ao poder".
 Já os britânicos da "BBC" pontuam que a oposição já se movimenta em pedir o impeachment de Temer. No texto, intitulado "Michel Temer, presidente do Brasil, acusado de corrupção", a BBC diz que Temer "tentou manter um governo estável, mas foi atormentado por alegações de corrupção contra seu próprio partido".
O francês "Le Monde" deu destaque especial à demissão de Geddel, a sexta mudança de um ministro de Temer desde que o presidente assumiu o poder. O jornal argumenta que o mais novo capítulo desta longa novela de escândalos no Brasil no governo Temer
"Wall Street Journal", a agência Reuters e o espanhol "El Pais" também noticiaram a denúncia de Calero e a saída de Geddel. Este último, em especial, ressaltando que o governo Temer,esta cheio de corruptos

Geddel decide sair do cargo em meio à crise política no governo Temer



O ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima decidiu pedir demissão em meio a crise política no governo de Michel Temer, com possibilidade de abertura de inquérito também contra o presidente e contra o ministro Eliseu Padilha. De acordo com reportagem da Folha de S. Paulo, o ministro encaminhou carta de demissão.

Já se especulava sobre a pressão que o Geddel estava sofrendo para pedir demissão. O ministro tinha declarado ao blog do jornalista Jorge Bastos Moreno, do O Globo, que não tinha "motivo nenhum para pedir demissão". 

Na carta enviada a Temer, remetida de Salvador, Geddel fala sofre o sofrimento de sua família, que este seria o "limite da dor" que ele poderia suportar, e pede exoneração.

'BBC' Londres: “Presidente do Brasil, Michel Temer, acusado de corrupção”



'BBC':  “Temer prometeu limpar a corrupção no Brasil, mas já perdeu três ministros por acusações".
Reportagem fala que presidente do Brasil está sendo acusado de corrupção: “Brazil president Michel Temer accused of corruption”

Matéria publicada nesta sexta-feira (25) pela BBC afirma que o ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, disse que Temer pediu a ele para ajudar outro ministro em um negócio pessoal.

Segundo a reportagem Calero disse que lhe foi solicitado permissão para a construção de apartamentos de luxo em um bairro histórico de Salvador. O ainda Ministro da Cultura bloqueou anteriormente os planos.

O noticiário diz que o presidente Temer nega as alegações. Entretanto, admite ter falado com Calero sobre o projeto.

O presidente prometeu limpar a corrupção no Brasil, mas perdeu três ministros por acusações de corrupção. O escândalo envolve o secretário do governo, Geddel Vieira Lima, que havia comprado uma propriedade em Salvador, no estado da Bahia.

Apenas seis meses depois de chegar ao poder, e ainda com sua legitimidade sendo questionada por muitos, este é o segundo grande escândalo de corrupção para o governo de Michel Temer. Desta vez, o próprio presidente está implicado em alegações.

Marcelo Calero, que está fazendo essas alegações, é um diplomata de carreira e um estranho para a política.

O governo disse que Calero entendeu mal algumas das conversas e que nenhuma pressão foi feita em nenhuma delas.

Mas os críticos perguntam: por que o presidente brasileiro levantaria um negócio pessoal de um de seus principais aliados em primeiro lugar?

A oposição do Brasil  já está pedindo que o novo presidente seja removido do poder.

O ministério de Calero vetou a construção, com o argumento de que o edifício proposto estava em um local de herança.

Ele disse à polícia que tanto o presidente como o ministro haviam pressionado ele para anular a decisão.

No início desta semana, um comitê de ética decidiu abrir uma investigação sobre o Sr. Lima sobre as alegações, antes de suposto envolvimento do presidente veio à tona.

Apesar das pressões para demitir o Sr. Geddel Lima, Temer disse que o ministro manterá seu trabalho.

Temer chegou ao poder no começo deste ano, depois que a ex-presidente Dilma Rousseff sofreu golpe uma longa crise política que dominou o país. Ela foi acusada de manipular o orçamento, mas manteve sua inocência e disse que seus oponentes políticos realizaram um "golpe parlamentar". Temer tentou desde então manter um governo estável, mas foi flagelado com as alegações da corrupção de encontro a seu próprio partido, diz a BBC de Londres

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Calero diz à PF que Temer o pressionou no caso do apartamento do Geddel


O ex-ministro da Cultura Marcelo Calero disse em depoimento à Polícia Federal que o presidente da República, Michel Temer, o "enquadrou" no intuito de encontrar uma "saída" para a obra de interesse do ministro Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo).

O empreendimento La Vue Ladeira da Barra, embargado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em Salvador, está no centro da mais recente crise envolvendo o Palácio do Planalto.

Na semana passada, Calero pediu demissão após acusar, em entrevista à Folha, Geddel de "pressioná-lo" para o que o órgão de patrimônio vinculado ao Ministério da Cultura liberasse o projeto imobiliário onde o ministro adquiriu uma unidade.

"Que na quinta, 17, o depoente foi convocado pelo presidente Michel Temer a comparecer no Palácio do Planalto; que nesta reunião o presidente disse ao depoente que a decisão do Iphan havia criado 'dificuldades operacionais' em seu gabinete, posto que o ministro Geddel encontrava-se bastante irritado; que então o presidente disse ao depoente para que construísse uma saída para que o processo fosse encaminhado à AGU [Advocacia-Geral da União], porque a ministra Grace Mendonça teria uma solução", disse Calero, segundo a transcrição do depoimento enviado ao Supremo Tribunal Federal e à Procuradoria-Geral da República.

Em seguida, o ex-ministro da Cultura afirma que Temer encarava com normalidade a pressão de Geddel, articulador político do governo e há mais de duas décadas amigo do presidente da República.

"Que, no final da conversa, o presidente disse ao depoente 'que a política tinha dessas coisas, esse tipo de pressão'", prossegue Calero.

Na sequência, o ex-ministro afirma que se sentiu "decepcionado" pelo fato de o próprio presidente da República tê-lo "enquadrado".

"Que então sua única saída foi apresentar seu pedido de demissão", declara Marcelo Calero. As informações são da Folha Leia mais em; Combate à corrupção 'esqueceu' do mensalão do DEM, que corre risco de caducar

'Não tenho esse conhecimento', diz delator questionado se Lula pediu propina



'Não tenho esse conhecimento', diz delator questionado se Lula pediu propina
Na ação penal em que Paulo Roberto Costa. Cerveró nega indicação de Lula para cargo na Petrobrás em 2003

O engenheiro Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, cumpriu na quarta-feira, 23, mais uma etapa da sua jornada sem fim como delator da Operação Lava Jato. Arrolado pelo Ministério Público Federal como testemunha de acusação do ex-presidente Lula, Costa foi à audiência na Justiça Federal em Curitiba, sob presidência do juiz Sérgio Moro, e disse a frase "não tenho esse conhecimento", quando questionado se Lula solicitou ou recebeu vantagem indevida em razão do cargo que possuía.

O delator deu a mesma resposta quando perguntado se Lula aceitou promessa de vantagem indevida em razão do cargo e se Costa tinha conhecimento que a OAS, por seus executivos Léo Pinheiro e Agenor de Medeiros, teria oferecido vantagem indevida em razão do cargo ao ex-presidente da República.

Foi o depoimento 207 do delator desde que fechou acordo com a força-tarefa e assumiu o compromisso de atender as chamadas de todas as frentes da Lava Jato.

Na ação penal em que Paulo Roberto Costa depôs, Lula é réu .procuradores acusam Lula de ter recebido R$ 3,7 milhões em propinas da empreiteira OAS.

Costa respondeu cinco perguntas em sequência de um dos advogados do ex-presidente Lula na parte final de seu depoimento. Os diálogos foram os seguintes:

Advogado: Tem conhecimento que o ex presidente Lula solicitou vantagem indevida em razão do cargo?

Paulo Roberto Costa: Não tenho esse conhecimento.

Advogado: Tem conhecimento que o ex-presidente Lula aceitou promessa de vantagem indevida em razão do cargo?

Paulo Roberto Costa: Não tenho esse conhecimento.

Advogado: Tem conhecimento que o ex-presidente recebeu vantagem indevida em razão do cargo?

Paulo Roberto Costa: Não tenho esse conhecimento.

Advogado: Tem conhecimento que a OAS, por seus executivos Léo Pinheiro e Agenor de Medeiros, teria oferecido vantagem indevida em razão do cargo ao ex-presidente Lula?

Paulo Roberto Costa: Não tenho esse conhecimento.

Advogado: Tem conhecimento que os executivos Léo Pinheiro e/ou Agenor Medeiros teriam prometido vantagem indevida em razão do cargo ao ex-presidente Lula?

Paulo Roberto Costa: Não tenho esse conhecimento

Cerveró nega indicação de Lula para cargo na Petrobrás em 2003

Em depoimento na ação penal no âmbito da operação Lava Jato, o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, afirmou nesta quinta-feira (24) que não conhecia e não teve contato com o ex-presidente quando assumiu o cargo na Petrobrás, em 2003.

“Não houve negociação com o Lula. (....). Não conheci o presidente Lula nessa época e não sei de nenhuma interferência dele neste caso”, afirmou.

O ex-diretor também afirmou que quando assumiu o cargo, não firmou nenhum acordo para pagamento de propina ou arrecadação para fundos partidários. ” Anteriormente a minha nomeção eu não fiz nenhum tipo de acordo preliminar de qualquer tipo de compromisso nesse sentido. Depois da minha nomeação aconteceu, como já descrevi em outros depoimentos”, afirmou.

Em depoimento no dia 8 de novembro Cerveró afirmou que Lula o teria indicado ao cargo de diretor financeiro na estatal, em 2008, como agradecimento pela atuação do ex-diretor pelo perdão de uma dívida de R$ 12 milhões do PT, junto ao banco Schahin, com recursos de um contrato da estatal.

“Não foi um reconhecimento oficial, mas foi um motivo de reconhecimento que levou o presidente Lula a me indicar para a BR Distribuidora. Isso me foi dito pelo pessoal da Schahin”, afirmou em depoimento. “A informação que me foi dada é que isso seria um reconhecimento do trabalho que eu havia feito na liquidação da dívida do PT em 2006. Eu tinha conseguido através da contratação da Schahin Óleo e Gás, operadora de uma das sondas que nós contratamos”, acrescentou Cerveró.

Sobre o triplex no Condominio Solaris, apontado pelo MPF como do ex-presidente Lula, Cerveró foi incisivo em dizer que não conhece o local. “Eu não conheço nem o Guarujá. A informação que eu tenho é a da mídia”, disse.

Sobre o período em que Cerveró deixou a diretoria da área internacional para ocupar cargo na BR Distribuidora, Moro questionou sobre os motivos que o fizeram deixar o a posição já que ele poderia ter permanecido caso atendesse interesses financeiros de grupos políticos ligados à Câmara. Segundo Cerveró, a forma que o acordo foi colocado, com pagamentos mensais, seria uma “loucura”. “Uma coisa é uma contribuição que pode surgir de determinado negócio outra é a maneira como o acordo foi colocado, com pagamentos mensais como uma mesada, isso é uma loucura. Isso não é uma possibilidade e eu disse que não poderia atender este tipo de compromisso”, declarou.

Veja os depoimentos de Nestor Cerveró na íntegra


Leia mais em; Combate à corrupção 'esqueceu' do mensalão do DEM, que corre risco de caducar

Pobres vão pagar a conta do teto dos gastos, dizem analistas alemães



Observadores alemães consultados pela agência de noticias alemã, mas com correspondente no Brasil, a   Deutsche Welle Brasil afirmam que discussão sobre congelamento de gastos aliena maioria da população, e medida comprometerá a capacidade do Estado de atender aos mais necessitados.

O Senado debate a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55, antiga PEC 241, também chamada de PEC do teto dos gastos, e a previsão é votá-la em primeiro turno na próxima terça-feira (29/11). Controversa, a emenda limita o aumento dos gastos públicos à variação da inflação do ano anterior por duas décadas, e é uma das apostas do governo do presidente Michel Temer para reequilibrar as contas públicas.

Quando foi enviada pelo Poder Executivo ao Congresso no primeiro semestre, a proposta ainda incluía os investimentos em educação e saúde no teto de gastos. Mas, devido à repercussão negativa e à pressão de parlamentares da base aliada, o governo recuou e decidiu colocar em prática o limite de investimentos para esses dois setores somente a partir de 2018.

Para analistas alemães a discussão sobre a PEC está sendo conduzida à margem da maioria da população brasileira, e os mais pobres – que mais precisam dos serviços do Estado – vão pagar a conta desse ajuste, já que o governo não terá espaço de manobra para aumentar os gastos em serviços básicos como saúde e educação no momento em que a economia voltar a crescer.

"Os congressistas estão alterando os dispositivos constitucionais de 1988 em um país extremamente desigual e no qual o poder público deveria ter justamente um papel contrário: o de adotar medidas redistributivas para ampliar os direitos e melhorar as condições de vida da população", afirma Gerhard Dilger, diretor do escritório em São Paulo da Fundação Rosa Luxemburgo, ligada ao partido alemão A Esquerda.

Ele afirma que, com a crise econômica, os brasileiros estão usando mais os serviços públicos, e o recado que a PEC dá é que existe uma conta alta a ser paga e quem vai arcar com o custo dela é a população mais pobre. "É uma política distributiva com sinal invertido e com um resultado previsível: a ampliação das desigualdades sociais no país", diz.

(...) Dawid Bartelt, diretor da Fundação Heinrich Böll no Brasil, ligada aos Partidos Aliança 90/Verde, diz que a PEC, além de aumentar a desigualdade social, vai prejudicar o desenvolvimento social e a materialização dos direitos humanos no país.

"Essa medida tem um efeito político muito claro: depois de reduzir os investimentos em áreas sensíveis, o governo vai congelar esses gastos. E, assim, a lei reduzirá a capacidade do governo de tomar decisões políticas de aumentar investimentos nas áreas sociais", opina.
Propostas alternativas

O diretor da Fundação Friedrich Ebert no Brasil, ligada ao Partido Social-Democrata (SPD) da Alemanha, Thomas Manz, concorda que a PEC 55 não é favorável para o país.Ele  explica que a criação de um teto para os gastos públicos não leva em consideração o crescimento da população nos próximos anos e os investimentos em saúde e educação, que deveriam aumentar acima da inflação. "Se não, os gastos per capita vão diminuir, gerando um efeito negativo na qualidade dos serviços públicos. E como as despesas com a Previdência continuarão crescendo acima da inflação, os investimentos em programas sociais precisarão ser reduzidos."

De acordo com Manz, a melhor forma para resolver o problema fiscal no país seria considerar diferentes medidas: estabelecer um teto de despesas por um prazo mais curto, mas flexível para que o governo possa reagir a uma possível melhora da economia; retirar do teto obrigatório despesas como saúde, educação e assistência social; e fazer uma reforma da Previdência que se concentre nas partes deficitárias, como o atual regime dos militares, que é responsável por cerca de 40% do déficit no pagamento das aposentadorias. Leia mais em; Combate à corrupção 'esqueceu' do mensalão do DEM, que corre risco de caducar

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Lula: não estão dando destaque ao apartamento do Geddel como deram ao meu tríplex




Durante discurso em um congresso de professores em Serra Negra (SP), o ex-presidente  Lula
comparou a atenção dada às denúncias contra ele no caso  tríplex no Guarujá com o apartamento comprado pelo ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, em Salvador (BA), objeto da mais recente polêmica envolvendo um ministro de Michel Temer (PMDB).

"Vocês percebem que não dão destaque ao apartamento do Geddel como deram ao meu tríplex", disse Lula, a uma plateia de participantes do Congresso do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo (Apeoesp).

A mídia e a força-tarefa da Lava Jato estão em uma campanha para demonizar sua imagem e fazer com que ele "pare de brigar". Lula se referiu aos procuradores do Ministério Público Federal :"Quando essa molecada não tinha nascido, eu já estava fazendo greve em 78."

O ex-presidente disse também que  os procuradores inventam mentiras contra ele submetidos aos meios de comunicação. "Todo dia produzem uma mentira, vai para a PF, da PF vai para o MP, o MP através desse grupo constrói outra mentira, vai para o juiz Moro. O Moro, ao invés de tentar aceitar ou não pelos autos, orienta como eles têm que fazer", afirmou Lula.

Lula disse que as ações da Polícia Federal, do Ministério Público e da Justiça "se misturam na mesma coisa, a caça ao Lula". Ele disse que entrou com processo contra Moro pela "invasão que fez na minha casa". Também afirmou que processou o delegado "que disse que eu peguei dinheiro de Angola" e está processando "o cidadão do Ministério Público que disse que Lula criou o PT, que é organização criminosa e eu chefe, e que disse: não tenho prova, mas tenho convicção". "Ele que guarde a convicção dele para ele, eu quero prova", falou.

Durante o discurso, o presidente falou que as palestras que fez na África, sob as quais ele é investigado, "quem sabe tenham sido mais honestas que diárias que eles estão recebendo para contar mentiras no Paraná", principal palco da Lava Jato.

Lula disse  ainda que vai entrar com um processo contra os meios de comunicação, mas que "isso demora". "Não vou aceitar que meia dúzia de delegados ou procuradores venham jogar suspeita contra mim, se acham que tenho medo (...) eu não aprendi a ter medo, aprendi a ter respeito", afirmou.

Lula ainda conclamou os militantes a discutirem um projeto para o Brasil e reformular as políticas de educação que, segundo ele, foram desfeitas pelo governo de Michel Temer. "Temos que pedir aquilo que nós seríamos capazes de fazer quando a gente retomar esse governo para o povo trabalhador governar esse País, nós temos competência para isso e acho que a gente pode retomar", discursou.

O ex-presidente ainda falou que os ataques direcionados ao PT não estão sendo feitos "pelas coisas ruins que algum petista fez, é pelas coisas boas que nós provamos que é possível fazer nesse País."

Geddel ganhou relógio de R$ 85 mil da Odebrecht e dinheiro para liberar obras, diz delator



Presente foi dado com cartão assinado por Emílio e Marcelo Odebrecht no aniversário de 50 anos de Geddel, quando era ministro da Integração, em 2009. Naquele ano, pasta do peemedebista liberou R$ 35 milhões para a empreiteira.

Um dos homens fortes da articulação política do presidente Michel Temer, o ministro Geddel Vieira Lima (Secretaria-Geral de Governo) ganhou de presente da Odebrecht em seu aniversário de 50 anos um relógio suíço Patek Philippe, modelo Calatrava, que custou aproximadamente US$ 25 mil dólares (R$ 85 mil no câmbio de hoje).

O presente foi dado em comemoração ao aniversário de 50 anos do político, que aconteceu em março de 2009. (....)   Geddel liberou R$ 35,2 milhões para a Construtora Norberto Odebrecht em 2009.

O dinheiro custeou uma das etapas de implantação do projeto de irrigação Tabuleiros Litorâneos de Parnaíba, executado pelo DNOCS (Departamento Nacional de Obras contra a Seca) – vinculado ao ministério comandado por Geddel.

Junto com presente, Geddel recebeu também um cartão de felicitações assinado por Emílio Odebrecht, por seu filho, Marcelo, e pelo ex-vice-presidente de Relações Institucionais da empreiteira Cláudio Filho.

Marcelo Odebrecht, que assumiu a presidência do grupo, está preso desde junho de 2015 em Curitiba. Ele já foi condenado a 19 anos e 4 meses de prisão.

As revelações fazem parte dos anexos do acordo de delação premiada de Cláudio Filho, um dos muitos ex-executivos da Odebrecht que já firmaram termos de colaboração com o Ministério Público Federal.

Além do relógio, Cláudio Filho contou aos investigadores que Geddel mantinha boa relação com a Odebrecht e recebia recursos regulamente.

Os pagamentos, segundo o delator, eram feitos em períodos eleitorais, na forma de doações de campanha, e também em períodos não eleitorais.O ex-executivo narrou ainda que Geddel recebeu contrapartida para liberar recursos da obra Tabuleiros Litorâneos.

Detalhes e valores das transações serão dados pelos delatores da Odebrecht na próxima fase da colaboração, quando os chamados ‘anexos’ serão esmiuçados em depoimentos aos investigadores.

Geddel, segundo Filho, ainda faria jus ao apelido de “boca de jacaré”. Segundo ele, apesar da Odebrecht sempre ter dado um volume considerável de recursos ao político, ele sempre achava pouco e pedia mais.

Um dos homens da confiança de Michel Temer, Geddel passou a ser personagem-central de uma crise após ser acusado pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero de pressioná-lo para obter a liberação da obra de um prédio de apartamentos de luxo numa área histórica de Salvador.

Calero pediu demissão alegando que Geddel o pressionou para que o Iphan derrubasse uma decisão contrária à obra. Geddel relatou ser dono de um apartamento no empreendimento. Da Agência de notícias BuzzFeedNewsBR
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O deficit de verdade de Temer


Quando Temer diz que 'encarar a verdade é difícil', devia olhar seu governo

Michel Temer foi à reunião do Conselhão e disse que o governo de Dilma Rousseff vivia com um "deficit de verdade", com "tentativas de disfarçar a realidade". Estava num cenáculo onde 96 notáveis enfeitavam um evento inútil. Pela sua composição e pelas normas do seu funcionamento, esse conselho seria mais produtivo se fosse incorporado à Escola de Samba da Mangueira, desfilando logo depois das baianas (70 figurantes). Elevaria a taxa de celebridades do desfile e daria mais notoriedade aos passistas. Estava vazia a cadeira do ministro Geddel Vieira Lima.

Temer fez um discurso pedestre informando que "a comunicação é fundamental". No melhor estilo do cerimonial de Brasília, citou nominalmente 26 ilustres autoridades nacionais presentes. Uma delas, o ministro Henrique Meirelles, estava ao seu lado, amenizando um desconforto cervical com exercícios fisioterápicos.

Seria mais uma cerimônia típica de Brasília se Temer não tivesse jogado um pote de pimenta na própria laranjada, mencionando o "deficit de verdade" do governo da doutora Dilma Rousseff, em cuja chapa se elegeu duas vezes. Bater em Dilma é amassar carta que já saiu do baralho, mas quando o presidente diz que "encarar a verdade é difícil, é delicado, é complicado, é desagradável", deveria olhar para seu governo e para a ausência do ministro de sua Secretaria de Governo.

Na verdade de Geddel está a afortunada transação de um apartamento no 23º andar de um empreendimento panorâmico que só tem autorização para subir até o 13º piso. Se ele e Temer acham que já se explicaram, o ministro poderia elaborar a resposta que deu para explicar seu apego aos R$ 20.354 que recebe como parlamentar aposentado, desde o seu 51º aniversário.

Somados aos R$ 33.763 que fatura como ministro, estoura o teto constitucional. Ele acha que nada há de ilegal nisso. Contudo, o procurador aposentado Michel Temer e o ministro Eliseu Padilha reduziram seus contracheques para respeitar o teto. Como diz Temer, encarar a verdade é difícil. Ou ele e Padilha jogaram dinheiro pela janela ou a verdade de Geddel é outra.

Dilma Rousseff sempre teve uma relação agreste com a verdade. Hoje, quem tem esse deficit é ele. Seu ex-ministro do Planejamento e atual líder no Senado foi grampeado por um correligionário articulando uma forma de estancar "a sangria" da Lava Jato. O ministro do Turismo foi-se embora depois de ter sido apanhado pela Procuradoria-Geral da República. Desde que o doutor entrou no Planalto, só um funcionário do governo foi demitido por má conduta expressa. Foi o garçom Catalão. Acusaram-no de tuitar informações sigilosas para Lula. Afirmação falsa porque o celular de Catalão não tinha aplicativo para tuitar.

É possível que Temer acredite nos milagres da comunicação. Afinal ela é "fundamental". Essa fé leva governantes a acreditarem que versões inverossímeis, eventos coreografados como o encontro do Conselhão, com a ausência estratégica de Geddel, possam fabricar uma realidade própria. Às vezes isso funciona. Sérgio Cabral foi um governador indiscutivelmente festejado. Foi até reeleito com dois terços dos votos. Deu no que deu. Por Elio Gaspari - Na Folha.
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