Aloizio Mercadante (PT), candidato ao governo de São Paulo, chamou os 16 anos de governo demo-tucano paulista de "A oligarquia mais longa da história do Brasil recente é do PSDB em São Paulo".
Foi durante a sabatina promovida pelo portal UOL e jornal Folha de S. Paulo, na quarta-feira (28).
Questionado sobre um suposto conservadorismo do eleitor paulista, Mercadante afirmou: "Primeiro, a máquina do governo é muito forte; de outro lado, nós temos de ser um pouco mais competentes na mensagem. O grande diferencial é que nós não estamos dizendo que vamos fazer, estamos mostrando o que fizemos [no governo Lula]...
... Eu não vejo o FHC na campanha e eu vejo uma disputa pelo Lula...
... Por que tem tanta dissidência do lado de lá [referindo-se a prefeitos do PMDB, DEM e PPS que o apoia]? Porque as pessoas querem mudar São Paulo”.
Mercadante a seguir abordou os principais problemas de SP:
Segurança
“Quero colocar todas as ocorrências de polícia online e georeferenciadas. Você vai saber se houve aumento na criminalidade na sua região...
... [Precisamos] aumentar a jornada de trabalho. Eu prefiro pagar mais para melhorar rapidamente a presença do efetivo”, disse.
Educação:
“Vamos acabar com a aprovação automática imediatamente. Se o aluno está indo mal, vai ter que ter uma política de reforço. Mas escola que não avalia não ensina...
... [Esse sistema] não é para reprovar. É para dizer que não está satisfatório e tem que haver uma política de recuperação desse aluno. Na aprovação automática você finge que aprovou, mas a vida reprova”
O petista também denunciou o descaso com o funcionalismo no estado e a falta de reajustes salariais, que vem contribuindo para um desânimo dos trabalhadores. “Você, na Folha, fica cinco anos sem receber reajuste?”, disparou o candidato para a jornalista que o indagou se, no caso de ser eleito, aumentará o salário dos professores.
Afirmou não ser contra bônus por desempenho, "mas não adianta se não tiver carreira... Os professores de São Paulo estão cinco anos sem receber reajuste. Aí tem um bônus que só 20% da categoria pode ganhar. Quem ganha, só pode ganhar de novo dali quatro anos", criticou.
Copa 2014
Sobre a polêmica em relação à Copa 2014, da qual São Paulo corre o risco de ficar de fora, o candidato petista disse que "primeira coisa" que vai fazer "é sair do muro".
"Futebol é uma coisa fundamental na cultura do paulista. Eu quero só lembrar que Tóquio ficou fora da Copa (do Japão e da Coreia, em 2002) por causa da mesma indefinição que existe aqui", disse.
Pedágios
"Há um abuso nas tarifas (de pedágio) ... Existe uma cláusula de equilíbrio econômico e financeiro que permite alterar o contrato"
Alckmin começa a cair em São Paulo
Passada a Copa do Mundo, o cenário da eleição para governador de São Paulo começa a se mexer.
Geraldo Alckmin, caiu 4 pontos em relação à última pesquisa (tinha 51%, caiu para 47%, o número de indecisos, em vez de diminuir, saltou de 7% para 15%).
Apesar da ampla vantagem que o demo-tucano ainda tem, há uma percepção de que as pessoas estão citando Alckmin porque a campanha ainda não esquentou. Nas eleições municipais de 2008, Alckmin também surgiu na frente e foi caindo, não chegando nem ao segundo turno.
Com o decorrer do tempo, é difícil acreditar que Mercadante não alcance pelo menos 30% a 35% no primeiro turno. Uma candidatura do PT em São Paulo, historicamente sempre alcança essa votação.
Com a coligação inédita de partidos que o apóia (PT, PC do B, PDT, PR, PRB, PSDC, PTN, PRP, PT do B e PRTB), a votação tem tudo para ser maior do que nos anos anteriores. O apoio do presidente Lula, que tem elevada aprovação também em São Paulo, pode elevar esses votos bem acima dos 35%.
A comparação do que o governo do PT do presidente Lula fez pelo Brasil, com o desempenho pífio do que os governos Serra e Alckmin fizeram por São Paulo, também favorece Mercadante.
E ainda tem o legado de problemas que os governos tucanos deixaram sem resolver na na segurança pública, pedágios, funcionalismo, educação, enchentes, falta de moradias para tirar pessoas das áreas de risco, esquemas de corrupção abafados em mais de 70 CPIs engavetadas, crescimento econômico abaixo do potencial que São Paulo tem.
Por outro lado, Alckmin deve dividir um pouco dos votos tradicionalmente tucanos com Celso Russomano (PP) e com Paulo Skaf (PSB), conforme a campanha se desenvolver mais, na TV e nos debates. (Com informações do Portal
Vermelho e da
Rede Brasil Atual)