Um tema explosivo que desagrada grande parte de petistas e tucanos, mais ainda ao PMDB, e que o DEMos e os Serristas não querem nem ouvir falar, é uma análise de conjuntura da política mineira onde só interessaria à Aécio o lugar de vice, se fosse na chapa de Dilma Rousseff.
Serra é um tosco em política. Seu estilo é de um lutador de vale-tudo: distribuir bordoadas na base da força bruta, abatendo até aliados, tanto de propósito, como sem querer.
Aécio é criado na escola política mineira. Joga como um jogador profissional de carteado, calcula probabilidades, riscos, blefa, recua se for preciso, negocia nos bastidores coisas contrárias ao que diz em público, pode apoiar gente para perder, pode preferir eleger um adversário distante de outro partido, do que um próximo dentro de seu terreiro.
Interessava a Aécio ser o candidato "tucano light" a presidência, ganhar projeção nacional para 2014 ou 2018 e, se desse zebra, ganhar já.
Derrotado por Serra, Aécio busca sair maior do que entra nas eleições de 2010, e nessa equação, a posição de vice só fecha se for na chapa da Dilma, pelos motivos:
- Aécio colocaria em prática o que vem pregando nos últimos anos, e que articulou em Minas na eleição de Belo Horizonte: unir PSDB ao PT em um governo (coisa que parece impossível enquanto a cara do PSDB for a dos tucanos paulistas);
- Mais do que isso, Aécio sairia da órbita política de FHC e passaria para órbita de Lula, saindo do século XX e entrando no século XXI. Melhoraria muito suas chances de um futuro político mais promissor.
- Se ele arrastasse o PSDB para a vice de Dilma, seria o grande líder da oposição de uma "concertação";
- Montaria um palanque único em Minas, e faria o sucessor com 100% de certeza, e seria o grande líder da bancada mineira;
- Coligando o PSDB com o PT nacionalmente, poderia até negociar a vitória tucana em São Paulo, seja com Alckmin, seja com Serra, fazendo campanha de governador sem uma oposição forte.
- Seria o "salvador da pátria" para deputados, senadores, e candidatos a governador tucanos, verem-se livres da situação desconfortável de ir para as urnas fazendo oposição ao governo Lula;
- Colocaria o PSDB em situação competitiva com o PMDB (já que disputam o mesmo perfil de eleitorado de centro-direita) para manter uma grande bancada no congresso, sem sofrer as perdas previstas, caso o PSDB for às urnas como oposição a Lula;
- O termômetro eleitoral dos políticos profissionais é comportamento do PMDB. A maioria do partido sempre pende para o lado que tem mais expectativa de vitória. A quase unidade do PMDB em torno de Dilma, mostra que as expectativas de vitória nos meios políticos apontam para ela. Neste contexto é difícil Aécio embarcar numa candidatura a vice de Serra, fazendo mais sentido optar pelo Senado, como diz.
- Serra é centralizador ao extremo. Ainda que Serra ganhasse com Aécio de vice, seria tratado como Alckmin foi por Serra em São Paulo: como linha auxiliar, podendo ser rifado ou usado conforme a conveniência.
- A pré-campanha de Aécio, nos últimos anos, foi a defesa do federalismo, para angariar apoios regionais em outros estados. No território mineiro, também advogou a alternância do poder dos paulistas para os mineiros. Se Aécio aceita ser vice de Serra, soará como capitulação ao paulicentrismo, tão combatido, e pode até perder um naco de votos em Minas, e perder liderança política nacional, fora de Minas.
Obviamente uma guinada dessa, levaria o PT, PCdoB a rachar nos apoios regionais, como aconteceu em Belo Horizonte, na eleição para prefeito de 2008.
O PMDB também seria o grande prejudicado, e faria esforço para isso não acontecer, pois na prática, o PSDB tomaria o seu lugar como partido aliado preferencial de centro-direita em um governo Dilma, além de perder espaço nos estados, e dividir votos nacionais para formar bancadas no Congresso.
O DEMos também racharia, o fisiológico que está louco para abandonar o barco, seguiria Aécio. O DEMos "ideológico" de Bornhausen naufragaria mais rápido.
Se Serra desistir, e o PSDB ficar sem candidato, Aécio poderia entregar seu apoio a Helio Costa em Minas em troca do PMDB entregar a vice de Dilma para ele, jogando Temer para vice-governador de São Paulo, e negociando apoios do PSDB ao PMDB em outros estados.
Estaria repetindo algo semelhante ao que fez Tancredo no fim da ditadura, quando Maluf venceu Andreazza na convenção do PDS, e o grupo que apoiava Andreazza debandou, atraído por Tancredo, criando o PFL, para sobreviver no poder.
É improvável que isso venha a acontecer. O tempo é curto e depende de Serra desistir. Os palanques da base governista já estão sendo formados com PT, PMDB, PSB, PDT, PCdoB, etc, e entrar o PSDB de última hora ficaria complicado, exigindo habilidade demais de todos, sobretudo com o PMDB. Mas política é como nuvem. Se olhar o céu daqui a pouco, já está tudo diferente.
Também não acho que fosse necessariamente bom para o Brasil. A permanência de tucanos na vida nacional, salvo raras exceções, não tem sido benéfica para a nação, e uma maior renovação é mais saudável, sobretudo no Congresso Nacional.
Mas essa é a lógica política para Aécio, onde só haveria vantagem para ele, em ser vice, se fosse de Dilma.