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terça-feira, 18 de abril de 2017

Papa envia carta a Temer recusando convite de visita


                                                O Papa sabe que Temer é golpista
 Em uma carta na qual recusa um convite para visitar o Brasil, o papa Francisco cobrou  de  Michel Temer para evitar medidas que agravem a situação da população carente no País.

A correspondência foi uma resposta a outra enviada pelo mandatário no fim de 2016, na qual o líder da Igreja Católica era convidado formalmente para as celebrações dos 300 anos da aparição de Nossa Senhora Aparecida, comemorados em 2017.

"Sei bem que a crise que o país enfrenta não é de simples solução, uma vez que tem raízes sócio-político-econômicas, e não corresponde à Igreja nem ao Papa dar uma receita concreta para resolver algo tão complexo", escreveu o Pontífice, segundo trecho publicado pelo jornalista Gerson Camarotti, da Globo News .

"Porém não posso deixar de pensar em tantas pessoas, sobretudo nos mais pobres, que muitas vezes se veem completamente abandonados e costumam ser aqueles que pagam o preço mais amargo e dilacerante de algumas soluções fáceis e superficiais para crises que vão muito além da esfera meramente financeira", acrescentou.

A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) já criticou abertamente a reforma da Previdência defendida por Temer. "Os direitos sociais no Brasil foram conquistados com intensa participação democrática; qualquer ameaça a eles merece imediato repúdio", disse a instituição católica em nota de março enviada a parlamentares.

No apelo, a CNBB evocou Francisco para atacar a reforma previdenciária. "Fazemos nossas as palavras do papa: 'A vossa difícil tarefa é contribuir a fim de que não faltem as subvenções indispensáveis para a subsistência dos trabalhadores desempregados e das suas famílias. [...] Não falte o direito à aposentadoria, e sublinho: o direito –a aposentadoria é um direito!– porque disto é que se trata."

 Sobre o convite

Em 2013,  Rio abrigavou a Jornada Mundial da Juventude, evento católico que reuniu 3,5 milhões de pessoas.

O papa veio e, em sua despedida do Rio, Temer discursou: "Vossa Santidade disse que Deus é brasileiro. Pois eu digo que nesta semana a sua presença fez do Brasil um paraíso permanente. [...] Com toda informalidade, mas com todo respeito, eu quero dizer-lhe: boa viagem, papa Francisco! Volte logo!".

Na sua hora de dizer adeus em Aparecida (SP), o papa prometeu: teria volta. "Peço um favor. Com jeitinho. Rezem por mim. Eu preciso. Que Deus os abençoe. E até 2017, quando voltarei."

No fim de 2016, com o impeachment de Dilma já selado,Temer  reiterou formalmente o convite "numa longa correspondência em que falava do novo momento brasileiro", segundo a assessoria de imprensa do Planalto.

Nesta semana, chegou o "não". O papa justificou a ausência com problemas de agenda.

Citando sua exortação apostólica "A Alegria do Evangelho", Francisco também lembrou que não se pode "confiar nas forças cegas e na mão invisível do mercado", em um momento em que o governo Temer tenta aprovar reformas econômicas para garantir a confiança dos investidores.

Em setembro passado, na inauguração de uma imagem de Nossa Senhora Aparecida no Vaticano, o Pontífice já havia dito que o Brasil passava por um "momento triste". Um mês antes, Francisco enviara uma carta não oficial em apoio a Dilma Rousseff, que na época ainda não tinha sofrido o impeachment.


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