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quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Discussão entre Lava Jato e Odebrecht leva a impasse



A discussão entre dirigentes da Odebrecht e a Lava Jato, sobre um acordo de delação premiada, encontra dificuldades resistentes de parte a parte. A ponto de ser admitida a hipótese de uma situação nova e de decorrências imprevisíveis, com a mais importante das empreiteiras e os métodos da Lava Jato postos em xeque.

Há um mês, Sergio Moro e os procuradores divulgaram que só aceitariam mais um "acordo" de delação. Havendo, porém, duas empreiteiras a discuti-lo, era já um degrau mais alto nas pressões contra as dificuldades de dobrar a Odebrecht e a OAS, nas pessoas de Marcelo Odebrecht e Léo Pinheiro. Nem por isso os dois saíram correndo para conceder o que lhes é exigido, na concepção de preço que a Lava Jato arbitra, sem parâmetros prévios, e submete à aprovação do STF.

Marcelo Odebrecht está preso em Curitiba há um ano e dois meses, a se completarem na próxima semana. Aguardou quatro meses para a primeira e breve inquirição. Só na semana passada foi ouvido pela primeira vez no grupo de procuradores, como noticiado pela Folha. Léo Pinheiro recebeu outra pena. Os ex-diretores da Petrobras, que agiram com várias empreiteiras, estão em suas casas de férias em Itaipava e Angra dos Reis, e em edifícios luxuosos de Ipanema e Leblon.

O impasse entre a Lava Jato e a Odebrecht deixou bem caracterizado o seu início: os vazamentos da força-tarefa curitibana de repente arrefeceram, e logo sumiram mesmo por largo tempo. As informações propostas pela Odebrecht, para análise da possível delação, davam rumo diferente à temática da Lava Jato: entrevam lideranças do PSDB, governo paulista, Michel Temer e PMDB, enfim, muitos daqueles que, se mencionados em depoimentos distantes, foram entregues depressa aos resguardos do silêncio.

A Lava Jato nada foi verificar ou quis descobrir nesses veios da corrupção, como sabem, não o digam ou digam o contrário, os que têm as informações básicas sobre o que se passa lá e nas adjacências. A confluência de novos citados e o sumiço de vazamentos faz parecer a existência de uma contradição nessa fase da Lava Jato, em cobrar mais delações e desprezar delações a mais do que o esperado ou desejado.

Só há quatro dias um assunto da nova temática apareceu, com a revelação da Folha, pela repórter Bela Megale, de que dirigentes da Odebrecht informaram a Lava Jato sobre doação "por fora" de R$ 23 milhões (hoje, R$ 54,5 milhões) "à campanha" presidencial de José Serra em 2010.

Além daquele montante, haveria ainda R$ 2,4 milhões (R$3,6 milhões de hoje) doados por meio do Comitê Financeiro Nacional da Campanha, portanto, legais em princípio.

Parte daquele montante anterior foi depositada no exterior. E aí há, digamos, um equívoco. Partido não precisa de dinheiro no exterior, o que até exige complicadora remessa para o Brasil. Depósito no exterior indica como destino, não campanhas, mas bolsos e contas pessoais, mesmo se encobertas por terceiros.

Ainda no ramal novo, o aparecimento de Michel Temer e Eliseu Pandilha, se bem que citados por "Veja", traz delicada contribuição para o seu governo. Não foi por casualidade destoante que a composição do ministério encheu-se de pendurados na Justiça e estrelas das citações a jato. Pode-se agora deduzir afinidades a conduzirem as escolhas. No fundo, é de fato o mesmo grupo do PMDB e da Câmara. O governo montado por Temer tem unidade, pois. De cima a baixo.

Nem mesmo é casual a proteção que Michel Temer e seus aliados proporcionam a Eduardo Cunha para protelar sua cassação, já adiada, e agora marcada para 12 de setembro.  Artigo de Janio de Freitas

2 Comentários:

Mário Gontijo disse...

Após a penúltima comédia bufa promovida na semana corrente, pelo Senado, com a complacência pilática da Suprema Corte do País – STF – representada no comando de cena por um de seus Ministros, para justificar a trama golpista dando-lhe um ar de “sobriedade” conforme o “ritual legal”, os atores de outra ópera bufa que deram início à série, agora sob o comando do recém-eleito residente da Câmara, deixarão para julgar o processo do RÉU EDUARDO CUNHA só após a última apresentação da Comédia do Senado esperada para o final de agosto.
Assim, consumada a eventual queda da Democracia Social Progressista iniciada em JANEIRO/2003, após o absurdo julgamento realizado por 81 juízes, dos quais uns 35 (Trinta e cinco) poderão SE TORNAR RÉUS caso seja o quase impossível ACORDO ODEBRECHT.
O que impera, hoje, é a mixórdia, donde a lassidão ética. Donde a desmoralização dos partidos, dos políticos e da política, envolvendo de quebra as demais instituições do Brasil.
Vivemos uma farsa, o PROCESSO POLÍTICO E POLÍTICO-ELEITORAL é uma comédia bufa, uma insanidade. Uma perigosa mistificação que pode ser medida pela distância crescente entre povo e política, eleitor e políticos, cidadania e instituições democráticas, solapadas pelo descrédito advindo da desmoralização do mandato eletivo. Uma aberração de políticos despreparados eleitos por VOTOS DE COLIGAÇÕES ou da indicação de parlamentares eleitos para os desígnios da legislação para cargos executivos em postos chaves do Governo, elevando as DESCONHECIDAS FIGURAS DO SUPLENTE escolhido pelo candidato eleito por razões financeiras ou por ser um presumível líder de grupos influentes.

Claudio Elias Do Nascimento disse...

Muito bom esse blogger

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