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quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Mesmo diante de perguntas "rola-bosta", Lula nocauteia Globonews.

Esperava mais do jornalista Roberto D'Avila, agora na Globonews, na entrevista com o presidente Lula.

D'Avila já foi um quadro brizolista importante, deputado do PDT pelo Rio na Constituinte (colega de Lula), vice-prefeito do Rio pelo PDT e secretário estadual de Brizola.

Com a oportunidade de fazer uma entrevista exclusiva daquelas consagradoras para qualquer jornalista, fez perguntas ruins de doer, com a mesma pauta repetitiva "rola-bosta" (1) do PIG (Partido da Imprensa Golpista), que não acrescentam nada de novo para o telespectador.

Não queria que as perguntas fossem chapa-branca, mas provocativas no sentido de provocar o debate sobre grandes temas de interesse nacional e até internacional.

Fica comprovado que a Globo é o túmulo do jornalismo político. Todo mundo que vai pra lá tem que seguir a cartilha de virarem porta-vozes "rola-bosta" dos patrões.

Quem salvou a entrevista foi Lula com algumas respostas inteligentes e tem horas que até desconcertantes para o jornalista.

Começou com uma "pegadinha" suja que não deu resultado: D'Avila lembrou o telespectador anti-petista que era hora de bater panelas. Disse que no avião em que veio uma pessoa a seu lado mostrou uma mensagem no celular convocando a bater panelas na hora da entrevista, e o que o presidente Lula achava destas manifestações.

Pelo-amor-de-Deus! Um jornalista experiente que entrevistou outros chefes de estado estrangeiros, que viveu os bastidores da política por dentro, se prestar a esta mediocridade? Ainda mais que isso até já perdeu a novidade e esfriou. Em vez de perguntar coisas muito mais importantes, até no contexto mundial?

Mas Lula tirou de letra, dizendo que dureza era na ditadura que proibiam de protestar. Agora ele não se incomoda com cada um se manifestar como quiser. Quem quiser "bater panela, bater cabeça..." que faça como quiser.

Aqui perto de casa não houvi paneleiro nenhum batendo panela. Se preferiram bater cabeça, aí eu não sei dizer.

Depois outra pergunta grosseira, desqualificando Dilma. Quis atribuir a crise à Lula por ter sido ele quem escolheu Dilma como sucessora, sem que ela fosse "nem vereadora" (como se ministra e secretária de estado não contasse nada). Outra mediocridade jornalística, porque esse questionamento está com prazo de validade vencido há 5 anos, desde as eleições de 2010.

Lula explicou que não é justo jogar toda a culpa em Dilma, porque a economia mundial toda está em crise e Dilma controlou os efeitos desta crise o quanto pode no primeiro mandato. O erro que pode ter havido é ter apostado além da conta em subsídios e desonerações para empresas manterem o crescimento e o emprego. E tem o problema do Congresso ter votado pautas-bomba que atrasam a recuperação do crescimento. Lula ainda deu duas boas respostas desconcertantes.

A primeira é que, se ter mandato político antes fosse critério para ser presidente, quase todos os presidentes do Brasil eleitos que o antecederam tiveram vários mandatos e falharam. Lula disse que o mais importante é o conhecimento e o compromisso com as necessidades do povo e isso a Dilma tem como poucos.

Ainda na pauta de crise, crise, crise... Lula disse que tem gente que parece um pai que na primeira febre quer jogar a criança fora, que só quer cuidar do filho quando ele esta bem. Os críticos, como os jornalistas e a oposição, tem de entender que o Brasil precisa ser cuidado nas horas boas e nas horas de crise.

Sem sutileza, D'Avila ainda tentou bater na tecla de intrigar Lula com Dilma, sobre interferências no governo, indicação de ministros, inclusive de Meirelles na Fazenda, o que Lula refutou dizendo haver "muito boato, muita bobagem". "Eu não quero tirá-lo nem quero colocá-lo. O Levy, o ministro da Fazenda é um problema da presidente Dilma", disse. Completou com outra resposta desconcertante, dizendo que fica pasmo ao ver no noticiário coisas atribuídas a ele em conversas com Dilma, onde nem ele nem ela disseram o que publicam.

Outro desperdício de pergunta foi sobre se Lula teria interesse em conversar com FHC para resolver a crise política. A pergunta é ruim porque é mero exercício de querer valorizar o papel de FHC que ele não tem mais. Primeiro porque o PSDB, com uns 50 deputados e ainda por cima golpistas, nem tem cacife para liderar pactos propositivos dentro do Congresso, e muitos desses 50 deputados não estão nem aí para o que FHC diga.

Lula usou palavras suaves e educadas para dizer que não, porque não vê utilidade. Disse que FHC teria que conversar com o PSDB primeiro. Traduzindo para o popular disse que é inútil conversar com FHC porque o PSDB não tem e não quer soluções, quer atrapalhar o governo porque acham que precisam destruir mais o Brasil do que FHC destruiu para os tucanos terem chance de voltar ao poder.

Ainda na pauta "rola-bosta", as eternas perguntas sobre corrupção, mensalão, lava-jato. Recebeu as respostas já conhecidas de que os governos petistas  não varreram a sujeira para debaixo do tapete. Disse que com o tempo (leia-se: quando passar a guerra política antipetista), a história vai mostrar que Lula e Dilma fizeram leis e tomaram atitudes para acabar com a impunidade e afastar a corrupção da política.

D'Avila perguntou até sobre investigação em cima do filho. Lula disse que o filho dele também tem que explicar o que gera dúvidas. Ele diz que só fica indignado com a baixaria de colocar seu nome e de seus familiares ligados a qualquer coisa que alguém tenha feito de errado e com a deslealdade de quem joga sujo espalhando boatos e criando suspeitas que sabem serem falsas só para desgastá-lo. Que o perseguem, diferente do tratamento que dão aos outros políticos queridinhos da mídia.

Além das boas respostas de Lula, de útil mesmo na entrevista só vi uma informação interessante. Que a gente até já via, mas faltava uma liderança política de peso falar.

Lula disse que a crise política hoje se deve em grande parte à falta de consistência dos partidos. Disse que antes as bancadas de parlamentares compunham o governo nos ministérios e seguiam a orientação dos ministros e das lideranças partidárias. Hoje, além de ter 28 partidos no Congresso, dentro das bancadas dos partidos está havendo boa parte que não seguem a orientação do próprio partido. Dava um bom debate, inclusive sobre as decisões do STF que incentivaram a infidelidade partidária. Mas D'Avila fugiu do assunto.

(1) Leonardo Boff comparou o besouro rola-bosta, "que vive dos excrementos de animais herbívoros, fazendo rolinhos deles com os quais, em sua toca, se alimenta", para criticar os ataques do blogueiro Reinaldo Azevedo à Oscar Niemeyer. O termo passou a ser usado também para outros jornalistas do PIG que se alimentam sempre da mesma pauta contra o trabalhador, o pobre e contra o pt.

2 Comentários:

felicioaable disse...

A midia convencional brasileira hoje montou uma ditadura que nenhum Dirigente ou Chefe de Estado ou Grupo Político conseguiu montar.
Felicio Chamon

Elisabete Otero disse...

Concordo com o RDA, Dilma não foi vereadora, mas foi Secretária Municipal da Fazenda em Porto Alegre, foi por duas vezes Secretaria Estadual de Minas e Energia,Presidente da Fundação Estadual de Economia e Estatística e depois Ministra de Minas e Energia e da Casa Civil. Será pouca experiência ?

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