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quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Delcídio diz que primo de José Serra (PSDB), Gregório Preciado, está por trás de Baiano




Delcídio foi diretor de gás da Petrobras entre 1999 e 2001, nomeado por FHC; Cerveró foi seu principal assessor; Paulo Roberto Costa também

 Em conversa gravada pela Operação Lava-Jato  o senador Delcídio Amaral (PT-MS) afirma que o empresário Gregório Marin Preciado é a pessoa por trás do lobista e delator Fernando “Baiano” Soares. Preciado é descrito pelo Ministério Público Federal (MPF) como operador no episódio que envolveria pagamento de propina milionária na aquisição da refinaria de Pasadena pela Petrobras.

Delcídio teve suas declarações captadas por gravações.A gravação fora feita pelo filho de Cerveró, Bernardo, por estar desconfiado que o outro advogado de seu pai, Edson Ribeiro, estaria fazendo um "jogo-duplo": atrapalhando o acordo de delação de seu pai para ganhar dinheiro de um acordo com Delcídio e excluir nomes da delação.A conversa havia sido gravada por Bernardo no último dia 4 de novembro, em um quarto de hotel em Brasília.  Na conversa mantida com Bernardo, filho do ex-diretor de Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, e com o advogado Edson Ribeiro, ele fala sobre a delação premiada de Baiano e afirma que Preciado seria a pessoa não identificada a participar de uma reunião realizada na Espanha e investigada pela Lava-Jato:

“E você vê como é que ele é (Fernando Baiano), como é matreiro? A delação, quando ele conta quando ele me conheceu, quando eu era diretor e o Nestor era gerente [da Petrobras]. Que ele foi apresentado a mim por um amigo, que ele poupou, que é o Gregório Marin Preciado. E as conversas que nós ouvimos é que em uma dessas reuniões que ocorreram, eu não sei com relação a qual desses projetos, houve uma reunião dessa na Espanha que os caras já rastrearam quem ‘tava’ nessa reunião. E existiu um espanhol nessa reunião que eles não souberam identificar. Bingo, é o Gregório!”

Delcídio prossegue dizendo: “Ou seja, Fernando está na frente das coisas, mas atrás quem organiza é o Gregório Marin”.

Em seguida, o senador relata um almoço com o também senador José Serra (PSDB-SP) e sugere que ambos conversaram sobre Preciado no contexto da Operação Lava-Jato. O empresário, de origem espanhola, é casado com uma prima de Serra. Delcídio se equivoca e diz que Serra é cunhado de Preciado.

“O Serra me convidou para almoçar outro dia… Ele Gregório é cunhado do Serra. E uma das coisas que eles levantaram nessa reunião na Espanha, eu não sei se sobre sondas ou Pasadena, mas houve um reunião na Espanha, e existia esse espanhol que não foi identificado. E é o Gregório. É o Gregório. O Nestor conheceu o Gregório”, diz.

Segundo a delação premiada de Baiano, Preciado teria obtido entre US$ 500 mil e US$ 700 mil pela suposta cessão de uma empresa sob seu controle e registrada em nome de seus parentes para o recebimento e distribuição de propina de US$ 15 milhões relativa à aquisição pela Petrobras da refinaria americana de Pasadena. A empresa citada por baiano é a Iberbrás Integración de Negocios y Tecnologia.

Passou da hora de investigar o esquema desde o início


A prisão do senador tucano-petista Delcídio Amaral reforça a pressão para que seja investigado o início do atual esquema de corrupção na Petrobras. Delcídio foi diretor da estatal no governo de Fernando Henrique Cardoso, e na ocasião chefiou vários empregados. O próprio Fernando Henrique Cardoso admitiu, em seu livro que compila anotações que fez na Presidência da República, que fora alertado que “um escândalo” acontecia na Petrobras. O ex-presidente relata que havia necessidade de uma intervenção na estatal, mas, apesar da gravidade dos fatos, ele não a faria.

Já a prisão do banqueiro André Esteves tem componentes muito discutíveis. O delator Nestor Cerveró teria dito que ouviu do empresário Pedro Paulo Leoni Ramos que o senador Fernando Collor teria recebido de Esteves entre R$ 6 milhões e R$ 10 milhões. Porém, em ocasião anterior, envolvendo o senador Aécio Neves e o ex-governador de Minas Gerais Antonio Anastasia, ambos tucanos, o juiz Sérgio Moro e a PGR decidiram nada fazer contra os dois por terem sido citados indiretamente por um delator, que teria ouvido de um terceiro a citação do nome dos integrantes do PSDB. Por que ambos não tiveram o mesmo tratamento dado ao banqueiro?

1 Comentários:

Roberto Duarte disse...

quando se trata do PSDB sempre tem um tratamento diferente

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