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quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Aliados traem Dilma na repatriação



Apenas três semanas após a reforma ministerial, a votação que transferiu para semana que vem o projeto que prevê a repatriação de ativos – dinheiro ilegal depositado em contas do exterior – mostra que o governo ainda enfrenta problemas com a base aliada. Dos nove partidos aliados, apenas um, o Pros, votou integralmente alinhado com a orientação do Palácio do Planalto. A segunda menor taxa de traição (7%) foi do PRB, do ministro do Esporte, George Hilton. Dos 15 deputados da legenda, apenas um votou contra.

A radiografia da votação, fornecida pela direção da Câmara dos Deputados, revela que houve dissidências em todas as outras oito legendas que apoiam o governo e que foram contempladas com ministérios e cargos importantes no segundo e terceiro escalões. Uma nova votação foi acertada entre os líderes para semana que vem. A estimativa do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, é que, aprovada, a repatriação pode representar perto de R$ 30 bilhões de recursos novos.

Na base aliada do governo, o maior índice de votos pelo adiamento foi registrado pelo PCdoB, que tem o ministro da Defesa, Aldo Rebelo. Dos 10 parlamentares votantes na sessão, 100% opinaram pela retirada do projeto da pauta desta quarta-feira (28).

Na lista da infidelidade, o PR e PSD ficaram com a 2ª e 3ª colocações. No PR, partido que detém o Ministério dos Transporte, 21 deputados votaram e 10 pelo adiamento - uma taxa de traição de 48%. No PSD, do ministro das Cidades, Gilberto Kassab, que chegou a ser pensado como alternativa para esvaziar o poder do PMDB, foi registrado um percentual semelhante, 45%. Dos 22 deputados presentes, 10 foram contrários ao governo.

No PP, que domina a máquina da Integração Nacional, com o ministro Gilberto Occhi, dos 23 deputados que estiveram na sessão, oito encaminharam pelo adiamento - infidelidade de 35%. Do PMDB, contemplado com sete pastas, inclusive a mega-estrutura da Saúde, compareceram 44 e 13 chancelaram o adiamento.

O próprio PT, partido da presidente Dilma Rousseff, colocou 50 parlamentares em plenário. Nada menos do que 15 petistas votaram contra o Planalto. Uma dissidência elevada de 34% em se tratando do partido do governo.

A votação da repatriação é estratégica por dois motivos. Ela será o primeiro teste de votação relevante após a reforma e a última esperança da equipe econômica para fazer dinheiro novo ainda em 2015, já que a CPMF só será votada ano que vem e ainda está cercada de incertezas.

“Os coordenadores políticos do governo precisam enquadrar os ministros destes partidos para evitar sustos na semana que vem. A reforma melhorou a correlação de forças em favor do governo, mas é preciso atenção permanente para evitar sustos”, alerta um dos líderes do governo no Congresso.JB

2 Comentários:

Água Tônica disse...

Olá a Todos!

O título da postagem resume a baixa sintonia entre governo e a base "aliada". Considerando o momento político que atravessamos, podemos classificar cada derrota como uma tragédia, some-se a isso o fato de as lideranças do PT continuarem com discursos absolutamente incompreensíveis, vazios e ultrapassados.

Dilma Coelho disse...

Espero que o PT não se acovarde e convide esses traíras a se retirarem. Melhor qualidade do que quantidade. É preciso mostrar firmeza.

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