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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

A Justiça malufou


Exemplos recentes dão motivos para reforçar o descrédito dos brasileiros no Judiciário
 A lista de políticos divulgada como sendo produto da delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa carece de grandes novidades. De uma forma ou de outra, a maioria dos nomes já havia sido liberada em ritmo variável, de acordo com o calendário eleitoral.

O comitê tucano instalado na Polícia Federal imprimiu ritmo acelerado até o fechamento das urnas, na tentativa vã de emplacar o candidato da oposição. O esforço culminou com aquela capa de uma revista que entrou para a história como uma das maiores vergonhas da imprensa nacional.

Ainda assim a lista de Costa tem seus atrativos. Apesar de ter dito publicamente no Congresso que a bandalheira na Petrobras vem de longe, o ex-diretor acusou sobretudo gente que pertence à base do atual governo. Houve duas exceções: Eduardo Campos (PSB) e Sérgio Guerra (PSDB), unidos por uma circunstância trágica, a morte, normalmente nestas horas sinônimo de anistia ampla e preventiva.

Chama a atenção também que a operação Vaza Jato, paralela à investigação oficial, esteja sendo tão parcimoniosa quanto às supostas delações da outra testemunha-chave, o doleiro Alberto Youssef.

Ele pareceu útil para construir aquela capa já referida, desmoralizada no mesmo dia por seu próprio advogado. Fala-se que ele tem sua própria lista de políticos, mas estranhamente os nomes não pingam com tanta sofreguidão quanto os apontados por Costa.

Por que será? Um palpite: o doleiro atua com o ilícito faz muito tempo. Foi personagem destacado na finada CPI do Banestado, criada para investigar esquema de corrupção e lavagem de dinheiro que teve seu auge entre 1996 e 2002. Youssef estreou ali no papel de delator premiado. Jurou se afastar do crime, mas a carne é fraca. A CPI acabou em pizza, como de costume.

Salvos casos isolados --entre eles o de doleiros como Youssef--, nenhum dos políticos e milionários citados na época conheceu o xadrez. Presume-se, no entanto, que a agenda de Youssef seja bem mais ecumênica e explosiva que a do ex-diretor da estatal.

Presume-se, repita-se, uma vez que a Lava Jato tem sido marcada por procedimentos nada ortodoxos. Todos têm o direito de desconfiar quando o suposto fato de se apontar um retrato na parede já vira indício de incriminação de um ex-presidente! A espetacularização e o viés partidário, infelizmente, conspiram contra a reputação de um trabalho investigativo que poderia, e ainda pode, espera-se, contribuir para a depuração do habitat político e empresarial brasileiro.

Motivos para descrença na imparcialidade judicial, aliás, só têm crescido nos últimos tempos. Nem se fale dos momentos vexatórios oferecidos por magistrados que desrespeitam normas em blitz e aeroportos e ainda contam com a retaguarda de seus pares. O buraco está acima. Um dos exemplos mais frescos envolve o deputado Paulo Maluf, de currículo sobejamente conhecido.

O parlamentar é perseguido no mundo inteiro, menos no país onde cometeu crimes. Pode viajar ao exterior apenas na imaginação, lendo as placas das ruas do bairro chique onde mora em São Paulo. Pois bem, aqui no Brasil Maluf recuperou o status de ficha-limpa. Para isso, o Tribunal Superior Eleitoral, à sua moda, mandou os escrúpulos às favas. Manobrou, aguardou a viagem de um dos ministros a favor da condenação do deputado para refazer a votação original e inverter o placar. Chocante. Assim é duro achar saída neste beco. - Artigo de Ricardo Melo, colunista da Folha

4 Comentários:

MEDICOBH55 disse...

Globo deflagra estratégia para manter Cardozo na Justiça
dom, 21/12/2014 - 13:44
Atualizado em 22/12/2014 - 09:06
Luis Nassif
Cardozo e Daniello: a garantia de que os vazamentos não serão coibidos.


Reportagem de O Globo de hoje sustenta que o Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo e o delegado geral da Polícia Federal Leandro Daniello deverão ser mantidos nos respectivos cargos por Dilma Rousseff.

As alegações são risíveis.

"Dilma também teria decidido manter Cardozo no cargo porque o ministro tem tido papel importante na linha de defesa do governo contra denúncias que surgem na Lava-Jato. O ministro foi o primeiro a contestar publicamente a suspeita de que parte do dinheiro de um dos empreiteiros investigados abasteceu a campanha da presidente em 2010. Em meio a críticas da oposição, o ministro alegou que a doação foi devidamente registrada. Disse também que o dinheiro foi para o PT, e não para a campanha da presidente".

Cardozo não tomou nenhuma atitude em relação aos vazamentos da Lava Jato, sequer daquele que resultou da capa falsa de Veja e que poderia ter decidido as eleições; não mantém nenhuma influência sobre a Polícia Federal, nenhuma interlocução com o Ministério Público e o Supremo Tribunal Federal. Deixou o governo sem defesa em inúmeros episódios, sob a alegação de sua falta de iniciativa devia-se ao espírito "republicano". Nas poucas vezes em que saiu em defesa do governo, precisou ser empurrado para o centro do ringue - em uma delas, pela própria Dilma.

Há quase consenso no Palácio sobre o papel inócuo de Cardozo, não apenas na defesa do governo como no dia-a-dia da pasta, mesmo por parte de auxiliares que o tratam com carinho.

Por seu turno, Daniello é um delegado discreto, mas ferozmente crítico em relação ao abandono da PF pelo governo federal e, especialmente, pelo Ministro da Justiça

Para se preservar no cargo e não entrar em dividida, Cardozo adotou uma estratégia dúbia. Não leva para a presidente nenhuma demanda da PF porque sabe que Dilma, assoberbada por uma infinidade de problemas, não gosta de auxiliares que lhe tragam mais um.

Para compensar essa falta de iniciativa, Cardozo entrega à PF o que ela não necessita: palavras, elogios, retórica, declarações de apoio inócuas e liberdade absoluta para vazar dados, mesmo de de depoimentos sob sigilo judicial, alimentar o noticiário contra seu governo. Para os agentes - e para a mídia - é jogo sem riscos.

O grande projeto de uma Polícia Federal de primeiro mundo implodiu quando, pressionando pelos grupos de mídia e pelo Ministro Gilmar Mendes, Lula tirou o delegado Paulo Lacerda do comando e colocou o substituto Luiz Fernando com a incumbência de esvaziar a Satiagraha. Vazamentos, empenho da PF em buscar provas contra Dilma e Lula têm como espoleta a maneira como o governo desmoralizou as investigações da Satiagraha e o abandono a que a PF foi relegada na gestão Cardozo.

A volta de Lacerda para o comando da PF poderia ser um ato de ousadia do governo Dilma. Mas é tão improvável quanto qualquer iniciativa de regulação de mídia.

De qualquer modo, mantidos Cardozo e Daniello, o cenário da Lava Jato será o mais adequado para a oposição, deixando o governo sem sua última linha de defesa.

http://oglobo.globo.com/brasil/operacao-lava-jato-levara-dilma-manter-cardozo-daiello-14888892

Carlos Morelli disse...

Acredito piamente na justiça brasileira, aliás um Feliz Natal pra todos, meu pedido para o Papai Noel foi um Iphone 6

Fernando disse...

Gente rica é besta.

sergio m pinto disse...

Ô Estadão! Não se abandona um aliado ferrado no meio da estrada, Principalmente quando o aliado não sabe para onde vai!

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