Pages

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Abastecimento de água em Nova York é "bolivariano", ao contrário da "moderna" Sabesp.


Onde já se viu os habitantes de Nova York afrontar a Fox, a revista Veja e preferir o "bolivarianismo" na hora de abastecer com água suas casas?

Para piorar, esses novaiorquinos "bolivarianos" não seguiram a cartilha do Consenso de Washington, como a Sabesp segue.

Horror dos horrores, ainda pagam "bolsas" para fazendeiros da agricultura familiar preservar os mananciais.

E, cruzes! Os fazendeiros são organizados em um Conselho. Que coisa mais "bolivariana" esse troço de conselhos.

Agora termina a ironia sobre os fatos reais, e continuam as informações:

O serviço de abastecimento de água em Nova York é estatal e sem fins lucrativos.

A cidade não privatizou o serviço, como recomendava o Consenso de Washington e o FMI aos países em desenvolvimento na década de 90.

Também não criou nenhuma empresa com ações em Bolsa para distribuir dividendos às custas da tarifa d'água paga pelo cidadão.

Apesar da cidade ser cortada pelo Rio Hudson, cujas águas poderiam ser usadas para abastecer estações de tratamento, a solução adotada é diferente.

Há mais de um século, a cidade prefere trazer água pura das montanhas distantes cerca de 200 km. A água dispensa estações de tratamentos complexas, sendo apenas filtrada e desinfectada.

Quando as águas começaram a ser ameaçadas de poluição, um funcionário "bolivariano" do Departamento de águas da Prefeitura, em vez de aderir ao projeto de gastar bilhões com grandes empreiteiras para construírem estações de tratamento, preferiu negociar diretamente com fazendeiros que habitam as montanhas com nascentes, para receberem dinheiro como remuneração para preservar a água limpa. Eles preservam as matas ciliares e criam rebanhos de forma a não contaminar as águas.

O custo para preservar revelou-se 85% menor do que aquilo que seria necessário investir nas estações de tratamento. Já foram investidos cerca de US$ 1,5 bilhão nos fazendeiros para manejo ambiental. Isso economizou cerca de US$ 10 bilhões em estações de tratamento.

Se os novaiorquinos quiserem comprar ações de alguma empresa de abastecimento de água, não encontrará empresa que abastece sua cidade. Mas encontrará em Wall Street ações da Sabesp, empresa controlada pelo governo de São Paulo, em mãos tucanas há 20 anos.

A Sabesp não deixa faltar ações e dividendos na Bolsa de Nova York, mas se por acaso esse novaiorquino precisar vir à São Paulo, corre o risco de não ter água da Sabesp, pelo menos em alguns dias ou horas do dia, dependendo de onde se hospedar.

Para quê serve a privataria na Sabesp?

A prefeitura de Nova York investe no sistema de abastecimento todo dinheiro arrecadado da tarifa de água. A tarifa não visa ser acima dos custos e investimentos necessários. Não visa gerar lucros para distribuir dividendos para ninguém.

O prefeito de Nova York não vai à Obama pedir R$ 3,5 bilhões para não faltar água na cidade. Em São Paulo, o governador Geraldo Alckmin foi à presidente Dilma pedir socorro de R$ 3,5 bi para fazer obras, apesar de já ter distribuído em dividendos aos acionistas da Sabesp um valor maior do que isto.

Os "gênios" dos banqueiros demotucanos alegavam que abrir o capital da Sabesp era para atrair capitais privados nas Bolsas de Valores para investimentos. Para a Sabesp ficar atrativa aos investidores precisava pagar dividendos altos a partir do rico dinheirinho pago pelo cidadão na conta d'água. Na hora em que precisa de R$ 3,5 bilhões para investir, cadê os investidores privados da Bolsa? Não existem. Alckmin foi bater na porta do Planalto.

Sem querer, até o Globo Rural detona indiretamente Alckmin:

Em 2010, bem antes do "apagão" de água do Alckmin, o Globo Rural fez uma reportagem com os "bolivarianos" de Nova York:

1 Comentários:

Henrique Dias disse...

Quer dizer privatizar a água dos bovinos pode, a deles não.

Postar um comentário


Meus queridos e minhas queridas leitoras

Não publicamos comentários anônimos

Obrigada pela colaboração