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terça-feira, 28 de outubro de 2014

Só depois das eleições, Estadão conta que irmão da Dilma é tão simples que seu carro é um fusca.


Até domingo não interessava desmentir Aécio. Depois que passou as eleições o jornal Estadão resolveu desengavetar uma reportagem sobre Igor Rousseff, irmão da presidenta Dilma adepto da vida simples como Pepe Mujica, acusado de forma mentirosa por Aécio Neves em um debate de ter sido funcionário fantasma na prefeitura de BH.

Eis a matéria:

IRMÃO DA PRESIDENTE, O EX-HIPPIE DE PASSA TEMPO

Morador do interior mineiro, Igor Rousseff saiu do anonimato após acusação de ter sido servidor fantasma.

Diego Zanchetta - Enviado especial a Passa Tempo

Adepto da filosofia budista e ex-hippie, Igor Rousseff, advogado de 67 anos que agora tenta criar tilápias, é o único irmão da presidente reeleita. Ele mora há quase duas décadas na pequena e
bucólica Passa Tempo, cidade no interior de Minas Gerais com cerca de 8 mil habitantes e duas dezenas de cachoeiras. Ontem à noite ele recebia, em sua pequena casa com portão baixo de
madeira e um fusca verde na garagem, amigos que entravam sem bater para cumprimentá-lo pela vitória da irmã.

Igor estava com Valquiria Faleiro, de 47 anos, chefe do setor de contabilidade da prefeitura de Passa Tempo, sua mulher desde 2006. Ele voltou no sábado de Brasília para poder votar na irmã. Durante a semana, com Dilma em seus últimos compromissos de campanha, resolveu ficar com a mãe de 91 anos, que está doente, no Palácio do Planalto. Lá assistiu, sozinho em um quarto de hóspede, ao último debate presidencial. Menos de 24 horas depois estava no centrinho de Passa Tempo de chinelos e bermuda, comprando uma caixinha de cervejas no único mercado da cidade. “Achei que era fantasma e não me enxergavam”, disse ao ser abordado pela reportagem do Estado no fim da tarde de sábado, tentando ironizar as acusações, feitas pela campanha de Aécio Neves (PSDB), de que teria sido funcionário fantasma da prefeitura de Belo Horizonte entre 2003 e 2009. Em seguida,
aceitou conceder entrevista exclusiva no “puxadinho” com churrasqueira que construiu no quintal de casa. “Demorei quatro anos pra fazer esse ‘puxado’, pedreiro aqui tá muito caro. Custa R$ 120 por dia de serviço”, contou.

Aposentado há dois anos, Igor busca incrementar a renda com um projeto para tentar entrar no mercado de criação de tilápias. “Tem gente que vende por R$ 50 o quilo do filé da tilápia. Estou com outro colega em um negócio que pode render 300 toneladas (por mês)”, afirma. Antes, ele ocupou funções diversas - já foi desde controlador de voo em São José dos Campos a porteiro de hotel de
luxo em Quebec, no Canadá.

Ele garante nunca ter pedido nenhum tipo de favor à irmã dez meses mais nova. E até faz críticas ao papel de guerrilheira de Dilma durante a juventude. “Eu achava errado (ela ir para a luta armada contra a ditadura). Os dois lados (militares e estudantes) estavam errados. Não se ganha nada impondo a violência”, disse o irmão da presidente.

Na mesma época que a irmã militava na clandestinidade, ele morava nos Estados Unidos e estava em contato com líderes do movimento hippie dos anos 70. “Quando eu voltei e ela estava na cadeia, no presídio Tiradentes, eu ia com minha mãe visitá-la.” O irmão diz também que não gostava de Leonel Brizola, o líder político que inspirava Dilma. Enquanto a irmã seguia carreira política dentro do PDT e já era secretária no governo do Rio Grande do Sul, Igor morava em um trailer na Bahia.

Quando a irmã se tornou ministra, em 2003, ele ainda morava no mesmo trailer, em um terreno cedido por um amigo em Passa Tempo, onde acabou construindo sua casa. “Eu sempre gostei mais
da iniciativa privada, tive boas oportunidades”, argumenta. Advogado, Igor também cursou jornalismo e história. Fala francês e inglês fluentes.

Ele defende a reeleição da irmã. Mas de jeito nenhum pede votos aos amigos ou faz campanha. Igor sorri quando questionado se dava expediente na prefeitura de Belo Horizonte, entre 2003 e 2009, quando já morava em Passa Tempo. “Esse menino (Aécio Neves) tá exagerando”, afirmou, sorrindo, o adepto da filosofia budista. Ele afirma nunca ter faltado ao serviço enquanto esteve na função de assessor especial da Secretaria de Planejamento. “Eu só voltava aqui (Passa Tempo) nos finais de semana. Sempre fui muito próximo do Fernando (Pimentel, ex-prefeito da capital mineira)”, relata, com voz pausada.

As acusações, porém, revoltam a mulher de Igor e seu filho, o médico cardiologista Pedro Rousseff, de 45 anos, que tem casa de veraneio e consultório em Passa Tempo. Foi o filho quem comprou para o pai a maior parte dos móveis de sua casa. “A gente sempre tá percebendo uma piadinha, uma alfinetada até de quem era nosso amigo. Foi muita calúnia contra meu pai. E meu filho também fica sofrendo bullying na escola em Belo Horizonte por conta disso”, disparou Pedro.

Em meio ao clima de “Fla-Flu” entre petistas e tucanos que também contagiou a pequena cidade mineira, a cunhada de Dilma passou a última semana reclusa. Só saía para trabalhar ou ir à padaria. Na sexta-feira, a reportagem encontrou Valquiria indo pra casa a pé, carregando uma sacola de plástico que tinha ricota caseira e um litro de Sukita. “Foi-se o nosso sossego, que a gente tanto gostava, com essas denúncias todas, o anonimato que o Igor lutou tanto para preservar”, lamentou.

Ufologia. O jeitão simplório e caipira de Igor, nascido e criado na capital Belo Horizonte, o tornou rapidamente querido entre os moradores de Passa Tempo. Ele chegou na cidade pela primeira vez em 1989, acompanhando um amigo que pretendia conhecer o ufólogo Antonio Faleiros. Hoje com 73 anos, o especialista em disco voadores se tornou a pessoa mais próxima do irmão de Dilma na cidade.

“Mas o Igor não acredita em ETs, como o amigo dele. Veio aqui tirar um barato e acabou ficando. Uma vez ele perdeu a carteira na pracinha e menos de cinco minutos depois um rapaz achou e foi
devolver. O Igor gostou tanto daquilo, falou na mesma hora que ia morar em Passa Tempo para sempre”, recorda o ufólogo. Faleiro construiu, em 1981, no alto de uma serra de Passa Tempo, o
primeiro observatório de óvnis da América Latina. O amigo de Igor queria conhecer o local, por onde passavam à época mochileiros do mundo inteiro. Esse mesmo amigo também mudou para Passa
Tempo e mora lá até hoje. Só que Igor perdeu a amizade de mais de 30 anos, no ano passado, após o amigo lhe pedir um favor na prefeitura de Belo Horizonte.

“Ele tem pavor de qualquer pessoa que venha pedir favor a ele por causa da irmã ou pelo sobrenome. Quem fizer isso vai perder a amizade de uma pessoa maravilhosa, simples de tudo. Não adianta, ele não gosta dessa coisa de ‘irmão da Dilma’ de jeito nenhum”, avisa Faleiro sobre o amigo. Foi ele quem arrumou o terreno onde Igor colocou seu trailer quando resolveu se fixar em Passa Tempo.

6 Comentários:

Unknown disse...

Que figura. Melhor fariam se o deixassem em paz

Fabricio Azevedo disse...

Enquanto isso, a irmã do Aécio....

Gilson Raslan disse...

É a vida que passa, mostrando ao povo o caráter (ou será falta dele?) de um play boy que pretendia chegar à presidência da república a qualquer preço, assassinando reputação de uma pessoa tão pura, como demonstra ser esse cidadão.

Marilson Richards disse...

E agora Aécio?

Marilson Richards disse...

Ágora pede pro Aécio desmentir os fatos apresentados. E mostrar que falou a verdade

Profa Lérida Povoleri disse...

Já conhecia a pessoa maravilhosa que é ele. O Valor Econômico há uns tempinhos publicou sobre ele. Achei fantástica a história da mãe indo de avião de carreira para se tratar de alguma doença porque ele se escusou em pedir qualquer ajuda à Dilma para a mãe. É realmente um bom caráter e, como diz o ditado, isso é formação de pai e mãe. É de casa.

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