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quarta-feira, 9 de julho de 2014

Só o Sobrenatural de Almeida explica quatro gols em seis minutos.

Quatro gols em seis minutos. Entre os 23 e os 29 minutos do primeiro tempo a Alemanha ampliou o placar de 1 x 0 para 5 x 0.

Coisas inexplicáveis e imponderáveis como estas, Nelson Rodrigues atribuía ao "Sobrenatural de Almeida". Pois foi o que baixou contra a equipe brasileira, para dar um apagão geral na defesa por 6 minutos.

Dali para frente o resultado estava definido. No segundo tempo os alemães ainda fizeram dois gols e o Brasil fez um. Nem nos nossos piores pesadelos e nem nos melhores sonhos dos alemães alguém pensava que isso pudesse acontecer.

Pode-se dizer que a Alemanha tem um melhor conjunto, mais entrosado, com uma base que joga há seis anos junta, e o Brasil não tinha uma seleção tão forte como teve em outras Copas que venceu, não vinha jogando bem como na Copa das Confederações e os resultados vinham aos trancos e barrancos (mas vinham). Ainda assim, todos, inclusive os alemães esperavam um jogo difícil, equilibrado. Gana arrancou um empate de 2 x 2 com a Alemanha. A Argélia empatou de 0 x 0 no tempo regulamentar, só perdendo de 2 x 1 na prorrogação. A França só perdeu de 1 x 0 para os alemães. Com o Brasil, mesmo sem Neymar, todos sabíamos que podíamos ganhar ou perder, mas não por placar tão desastroso e jamais levando 4 gols em seis minutos.

É tão inusitado que é difícil até crucificar jogadores, técnicos ou quem quer que seja. Jogo jogado, cada um tem na cabeça o que faria diferente, quem convocaria, quem escalaria, mas não creio que houve corpo mole, falta de vontade, ou coisas do tipo. Sei que os jogadores são profissionais, tem sua independência financeira (e é até justo que quem teve origem humilde aproveite seu talento), mas todos tinham o sonho de serem campeões, e mais ainda no Brasil. O tal choro nos pênaltis com o Chile não me preocupou, pois foi sinal de que sentiram a dor que seria perder e davam valor a cada vitória suada a caminho do título sonhado. Quem já jogou sabe que quando rola a bola, só passa pela cabeça do jogador ganhar, sem essa de desequilíbrio emocional. Só quando o jogo vira um revés grande como neste, os jogadores se deprimem durante o jogo. Mas nem abalo emocional pelo primeiro e segundo gol explica quatro gols em seis minutos. Foi preciso dar tudo certo para eles e tudo errado para gente. Foi um momento mágico para eles e completamente desastroso para nós.

Sei que é difícil para muitos, sobretudo as crianças e adolescentes que estão vendo suas primeiras Copas, mas melhor virar a página, esquecer esse jogo e seguir em frente. Futebol é esporte do imponderável, há zebras do mais fraco vencendo o mais forte, e há zebras de goleadas entre duas equipes que deveriam ser equilibradas. E na Copa do Mundo, depois da primeira fase, cada jogo é eliminatório. Não dá para ter revanche, nem para se recuperar.

Ser país sede nunca foi garantia de vitória, e ganhar ou perder é do jogo. De 1982 para cá só a França conseguiu vencer em casa. A própria Alemanha, tricampeã, perdeu em 2006 e a Itália, tetracampeã, perdeu em casa em 1990. Vamos lembrar que ganhamos cinco títulos em outros países, às vezes eliminando o dono da casa e "estragando" a festa deles.

Ficamos mal acostumados a não nos contentarmos com nada diferente do primeiro lugar no futebol, mas se não fossemos um país de boleiros, estaríamos tristes com a goleada, que foi ponto fora da curva, mas não acharíamos tão ruim chegarmos entre os quatro finalistas, o que nos colocou bem próximos de podermos ser campeões, caindo só no penúltimo degrau. No fundo, tirando este jogo desastroso, o resto não é um resultado tão mau assim.

E a Copa no Brasil continua sendo a Copa das Copas, infelizmente com esse desastre dentro de campo triste para a gente, mas continua sendo um congraçamento com outros povos, levando para o mundo nossos valores humanistas, nosso jeito de ser misturados, tolerantes, sincréticos, além de conquistarmos mercado internacional na indústria do turismo e entretenimento por vários anos, gerando empregos e desenvolvimento aqui.

Pé Frio do Aécio estava no Mineirão


2 Comentários:

Rogerio Godoy disse...

Esse pé frio barra até o mick jagger

Da jacque San disse...

E o sem vergonha saiu de fino antes do final, bem típico dos tucanos, abandonar o País que representa!

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