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sexta-feira, 23 de junho de 2017

Senadores se declaram independentes do governo Temer...Ou, será que querem mais cargos?



Pelo menos dez senadores de partidos aliados do governo Michel Temer resolveram nesta semana se declarar "independentes". Os parlamentares demonstram desconforto com a crise no Planalto e pedem reação do Congresso por uma pauta própria.

Parte desses senadores não se identifica com a agenda das reformas trabalhista e da Previdência. Apesar de não configurar um grupo organizado, alguns senadores se reuniram anteontem e combinaram de fazer discursos em plenário para cobrar uma atuação do Congresso. Eles também já haviam se reunido em um jantar na casa do senador Elmano Férrer (PMDB-PI).

"Eu tenho muita tranquilidade de aqui falar em relação à independência e, portanto, ao fato de não ter nenhum vínculo ou dependência do governo", afirmou Ana Amélia (PP-RS) em discurso no plenário.

Além de Ana Amélia e Férrer, também fazem parte desse grupo os senadores Cristovam Buarque (PPS-DF), Armando Monteiro (PTB-PE), Roberto Muniz (PP-BA), Acir Gurgacz (PDT-RO), Telmário Mota (PTB-RR), Lasier Martins (PSD-RS), Álvaro Dias (PV-PR) e Reguffe (sem partido-DF).

"Fica este apelo de todos que falaram hoje (anteontem) aqui em plenário ao presidente Eunício Oliveira (PMDB-CE): convoque uma reunião e vamos conversar sobre como sair da crise", disse Cristovam.

Desde a divulgação da delação premiada do empresário Joesley Batista, da JBS, há pouco mais de um mês, o Senado não realiza reunião formal de líderes partidários.

Enfraquecimento. Existem também senadores insatisfeitos nos partidos considerados mais fiéis ao presidente, como o líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO), e os tucanos Eduardo Amorim (SE), Ataídes Oliveira (TO) e Ricardo Ferraço (ES).

A dissidência é reforçada por senadores que integram partidos aliados, mas se colocam abertamente como oposição, como os peemedebistas Kátia Abreu (TO), Hélio José (DF) e Eduardo Braga (AM) e Otto Alencar (PSD-BA).

Reunindo esses perfis, os insatisfeitos já somam mais de 18 parlamentares. Na terça-feira, Amorim e Hélio José votaram contra a reforma trabalhista na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), ajudando a impor uma derrota a Temer na Casa.

'Le Monde': A crise moral e ostracismo diplomático do Brasil





A crise econômica e os escândalos de corrupção do Brasil são relatados em um longo artigo publicado pela jornal francês Le Monde

O jornal acrescenta que o país atravessa um cenário de sem precedentes e influencia a imagem do Brasil no exterior negativamente.

O texto intitulado "A estrela pálida do Brasil na cena internacional” diz que o presidente brasileiro ignorou a ameaça da Justiça e foi para Rússia em viagem oficial, posando até mesmo ao lado do chefe de Estado russo Vladimir Putin em um espetáculo do balé Bolshoi, em Moscou.

De acordo com a autora, a viagem, que termina na Noruega nesta sexta-feira, é uma demonstração do ativismo internacional de um presidente que está determinado a mostrar que seu país não está paralisado.

Para Le Monde, apesar da Operação Lava-Jato, Temer busca convencer os outros países que o Brasil não se transformou em uma República das Bananas, mas a tentativa é em vão.

A crise moral no país se aprofunda e o mergulha em um ostracismo diplomático, afirma o jornal em seu editorial, e acrescenta que é Impossível não notar que nenhum chefe de Estado vai visitar o país,diferentemente do que acontecia à época de Lula, admirado por pesos pesados da política internacional como o ex-presidente dos EUA Barack Obama, por exemplo.

Especialistas consultados pelo Le Mondem avaliam que a destituição de Dilma e os escândalos de corrupção também fragilizaram a imagem do Brasil dentro da América Latina, onde o país também não exerce mais uma liderança.

É necessária uma limpeza de sua paisagem política para o país voltar aos tempos áureos, finaliza Le Monde.Leia também: Impunidade e lentidão da justiça marcam 12 anos do 'mensalão tucano'

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Impunidade e lentidão da justiça deixam tucanos soltos



Ao que tudo indica, pelo menos até aqui, tucanos envolvidos em corrupção continuam a contar com uma "ajudinha", para continuar impunes. A maior suspeita, porém, incide sobre o próprio Judiciário... Revelado durante a CPI dos Correios, em 2005, somente em 2009 a denúncia do mensalão tucano foi recebida. E desde então, em situação oposta ao do caso batizado de "mensalão do PT", o mensalão tucano virou um símbolo da morosidade judicial. Leia mais aqui

terça-feira, 20 de junho de 2017

Justiça Federal rejeita queixa-crime de Michel Temer contra Joesley Batista



Foi rejeitada nesta terça-feira (20/6) a primeira queixa-crime do presidente Michel Temer contra o empresário Joesley Batista, dono da JBS. Em liminar, o juiz Marcus Vinícius Reis Bastos, da 12ª Vara Federal de Brasília, afirma que “manifestação eventualmente ofensiva feita com o propósito de informar, debater ou criticar, desiderato particularmente amplo em matéria política, não configura injúria”.

A queixa foi apresentada nesta segunda-feira (19/6) por causa de uma entrevista concedida por Joesley à revista Época, da Editora Globo. Nela, o empresário acusa Temer de chefiar "a maior e mais perigosa organização criminosa do Brasil" e que tem agido para obstruir o trabalho do Judiciário. Joesley também afirma que o presidente “não fazia cerimônia” ao pedir dinheiro para o PMDB. A mesma queixa foi apresentada à Justiça comum de Brasília.

Somente o caso da Justiça Federal teve decisão. E, na liminar, o juiz Marcus Vinícius Bastos afirma que a entrevista foi concedida para corroborar o que fora afirmado na delação premiada assinada com a Procuradoria-Geral da República. Portanto, não havia intenção de difamar o presidente, mas apenas de garantir que o acordo prevaleça, diante da possibilidade de rediscussão de seus termos pelo Supremo Tribunal Federal.

O magistrado chegou a essa conclusão a partir da própria petição de Temer, assinada pelo advogado Renato Oliveira Ramos. “Não diviso o cometimento do crime de injúria, tendo o querelante [Joesley] feito asserções que, em seu sentir, justificam o comportamento que adotou (refiro-me aos fatos que indicou no acordo de colaboração). Na malsinada entrevista, narrou fatos e forneceu o entendimento que tem sobre eles, ação que se mantém nos limites de seu direito constitucional de liberdade de expressão”, escreveu o juiz.

Na delação, Joesley acusa Temer de tê-lo incentivado a subornar o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para que não faça delação premiada. Ele também acusa o presidente de pedir doações eleitorais para o PMDB, mas ficar com uma parte.

As declarações de Joesley serviram para a PGR pedir a abertura de inquérito contra Temer por organização criminosa e corrupção passiva, além de obstrução a investigações. A Polícia Federal já concluiu o inquérito e indiciou o presidente e o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR). Ainda não houve denúncia. Clique aqui para ler a liminar.Representação Criminal 0024702-34.2017.4.01.3400 Conjur

Impunidade e lentidão da justiça marcam 12 anos do 'mensalão tucano'



Ao que tudo indica, pelo menos até aqui, tucanos envolvidos em corrupção continuam a contar com uma "ajudinha", para continuar impunes. A maior suspeita, porém, incide sobre o próprio Judiciário
Se o chamado "mensalão do PT" fez os jornalões criarem manchetes espetaculosas, analistas e colunistas fazerem ilações à vontade e foi assunto interminável nos meios políticos e jurídicos, o mensalão tucano, –  apesar de ter menos réus e mais amigos no STF – ganhou da mídia tradicional o apelido de "mensalão mineiro", para descolar o caso do envolvimento de figuras do PSDB. Mesma mídia que varreu o escândalo para debaixo do tapete. Pois o mensalão tucano segue parado na Justiça confirmando o receio de todos os que esperam do Judiciário uma atuação imparcial, pouco importando para o desfecho do processo as características pessoais do réu – como sua filiação partidária. Revelado durante a CPI dos Correios, em 2005, somente em 2009 a ....Continue lendo aqui

Temer é derrotado na reforma trabalhista no Senado



Michel Temer  sofreu a primeira derrota na reforma trabalhista no Senado. Nesta terça-feira (20), ao contrário do que previa o Palácio do Planalto, o relatório do senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) foi rejeitado por 10 votos contrários e 9 favoráveis na CAS (Comissão de Assuntos Sociais).

Antes do início da sessão, o governo contava com a aprovação do texto por 11 votos favoráveis e 8 contrários.

A rejeição da matéria na comissão representa uma derrota política do governo do Michel Temer, que conta com a aprovação da reforma trabalhista no Congresso, principalmente após o agravamento da crise política.

O parecer aprovado pelo colegiado foi o voto em separado do senador Paulo Paim (PT-RS), que apresentou mudanças no texto encaminhado pela Câmara dos Deputados.

Apesar do revés, o resultado da votação não interrompe a tramitação da proposta do governo. Isso porque o posicionamento do colegiado é um parecer e a decisão final cabe ao plenário do Senado.

Por isso, mesmo com a derrota, a matéria agora é encaminhada para a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), onde deve ser lida pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), nesta quarta-feira (21).

A previsão é que o colegiado possa votar o texto na semana que vem, no dia 28, última etapa antes da análise pelo plenário do Senado.

A ausência do senador Sérgio Petecão (PSD-AC) e os votos dos senadores Otto Alencar (PSD-BA) e do tucano Eduardo Amorim (SE) foram decisivos para a derrota.

Antes do início da sessão, o governo contava com o apoio dos parlamentares das duas siglas que compõe a base aliada. A ausência de Petecão abriu caminho para o voto contrário de Alencar.

Apesar de pertencer ao PSDB, principal aliado do governo Temer, Amorim votou contra o relatório de Ferraço.

Durante a sessão, senadores de oposição e da base governista trocaram críticas. A presidente da CAS, senadora Marta Suplicy (PMDB-SP) ouviu provocações de seus ex-colegas de partido, o PT.

"Vossa Excelência sabe o quanto um trabalhador de São Paulo sacoleja dentro de um ônibus para chegar ao seu local de trabalho. [...] Nós estamos tirando daquele que é pobre, que se ferra, que está no trânsito, que tem que enfrentar filas, que tem que pegar ônibus com chuva, com sol. É deste que nós estamos tirando, não é do empresário", afirmou a líder do PT no Senado, Gleisi Hoffmann.

Marta se mostrou incomodada, mas disse que na condição de presidente do colegiado não ia falar sobre "seus sentimentos" sobre a reforma. "Poderemos nos encontrar depois para conversarmos longamente", respondeu.

Antes do início da votação, Jucá já previa a derrota do governo. Ele repetiu diversas vezes, que independente do resultado desta terça-feira, o governo do presidente Michel Temer seria conhecido pela criação de vagas e melhoria do mercado de trabalho.

"Quero dizer, com muita tranquilidade, que independente do resultado aqui, amanhã essa matéria estará na CCJ. Nós vamos ler amanhã essa matéria, na quarta-feira que vem vamos votar e ela estará à disposição do Senador Eunício Oliveira, presidente do Senado, no dia 28, para pautar quando ele entender que é o momento", disse.

domingo, 18 de junho de 2017

Tucano Beto Richa vai a Londres na mesma semana em que é condenado por outra viagem internacional

E no mesmo dia em que a PGR pede ao STJ que abra novo inquérito para investigá-lo por caixa 2 na Lava Jato.


#PartiuEuropa

Na mesma semana em que Beto Richa, Fernanda Richa e o Governo do Estado do Paraná foram condenados a devolver dinheiro para os cofres públicos por conta de gasto irregular com estadia de final de semana em Paris, durante uma viagem internacional no ano de 2015 que tinha como destino a cidade de Xangai, na China, o governador tucano bateu as assas mais uma vez. Agora, foi a Londres, na Inglaterra.

Beto participa da Global Expansion Summit que iniciou na noite deste domingo (18) e só acaba na terça (20). Mas resolveu antecipar sua viagem. Beto embarcou logo na última quarta-feira (14), véspera do feriado de Corpus Christi, prolongando assim seu afastamento dos afazeres no Palácio Iguaçu.

Desta vez, tratou de noticiar que teria aberto mão das tais diárias. Mas os advogados da ação popular movida no caso de mau uso do dinheiro do contribuinte quando da estadia em Paris, integrantes de um coletivo de juristas intitulado “Direitos Pra Todxs!”, preferem o estilo São Tomé: só acreditam vendo. Eles devem monitorar o portal da transparência do estado para verificar se Beto irá detalhar no seu retorno os custos dessa outra viagem e se não haverá ônus para o erário.

Entenda a condenação


Imagem do telejornal da RPC que noticiou a condenação.
Na foto, a comitiva que foi a Xangai, via Paris.


Em 2015, Beto Richa, Fernanda e uma comitiva de empresários paranaenses e assessores viajou para Xangai, com a finalidade de estabelecer parcerias comerciais por lá. Até aí, parecia estar tudo dentro da normalidade. Mas o casal e comitiva resolveram passar o final de semana em Paris, sem agenda oficial na Cidade Luz e as informações de lá para cá não convencem nem os mais fieis apoiadores do governador de que haveria uma justificativa plausível para isso. A viagem toda custou aos cofres públicos do Paraná cerca de 160 mil reais.

Se dividido o valor pelo tempo em que esteve fora (13 dias), Beto teria despendido em média 12 mil reais diariamente (conforme levantamento do jornal Folha de São Paulo em 13/10/2015) e, com base nessa média, cerca de 24 mil pelas 48h da “parada técnica” em Paris, quase um ano de salário de professor da rede estadual.

Aliás, os 160 mil reais gastos com a viagem toda equivalem a cinco anos do salário médio de um professor recém contratado pelo estado no Processo Seletivo Simplificado (PSS) para atuar em jornada de 40h. Ou 53 salários desse mesmo profissional, se incluirmos na conta o benefício do auxílio transporte.

Beto recebeu uma antecipação para as diárias de quase 40 mil reais. O que ele disse que devolveu acima do necessário nada mais eram que as sobras das diárias de viagem ou menos de 4 mil reais. A imprensa em geral acatou essa versão, reproduzindo sua nota e conferindo ao governador o “privilégio” do contraditório, ou seja de ouvir o outro lado da história (isso deveria ser um direito universal, mas não é assim que funciona na prática da seletividade cotidiana). De modo que figurou como palatável a resposta oficial.

O vício da apropriação do público pelo privado



Na época, o deputado petista Tadeu Veneri apresentou um pedido de informações sobre o final de semana em Paris, que foi sumariamente ignorado (por que não dizer ridicularizado?) pela Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), sob a alegação de que o procedimento parlamentar era apenas uma estratégia para desgastar a imagem do governador. Esqueceram de que se tratava de interesse público e tem a ver com o uso da máquina pública a serviço de interesses particulares. Para desviar a trajetória e incluir Paris no roteiro da comitiva, em vez de ir como sugeriam as diversas agências de viagem, pelos Estados Unidos ou via Istambul (Turquia), Beto chegou a gastar 20 mil reais com passagem. Outros trechos possíveis eram ofertados por valores que vão de 5 a 6 mil reais.

Mesmo o trecho pesquisado como sendo a mais cara alternativa de viagem a Xangai, o que incluiria Paris, previa uma escala de 3 horas (não de 48h) no aeroporto da capital parisiense. Não justificaria a hospedagem em hotel 5 estrelas, na avenida dos Champs-Élysées, próximo ao Arco do Triunfo e com vista privilegiada da Torre Eiffel.


Fachada do Hotel Napoléon, de Paris. Imagem do site do hotel.

Mesmo com a negativa da Alep ao pedido de informações, uma ação popular tramitou, movida pelo coletivo de juristas “Direitos Pra Todxs!”. Beto, Fernanda e o Estado do Paraná foram condenados em primeira instância pelo mau uso do dinheiro público. A sentença manda que devolvam esses gastos indevidos.

A decisão judicial é importante por acenar para um basta no uso da máquina público para fins privados, porque torna clara a ilegalidade do ato e abre um precedente para a cobrança de responsabilização administrativa. Em um único final de semana, a comitiva de Beto Richa gastou um dinheiro do erário que deixou de ir para escolas, para a saúde pública ou para qualquer outra área prioritária. Vale destacar (e a Folha chamou a atenção para isso em sua matéria na época) que a viagem se deu em um momento de crise financeira do Estado, diante da qual o governo paranaense justificava aumento de impostos e congelamento de investimentos.

Beto viajou mais cedo para Londres esta semana, levando na bagagem outra notícia: a de que a Procuradoria-Geral da República (PGR) encaminhara para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) um pedido de abertura de inquérito para investigá-lo no âmbito da Lava Jato por participação em esquema de caixa 2. Beto foi citado na delação premiada de empresários da Odebrecht e integra a segunda lista de Rodrigo Janot. Uma vez acatado o pedido, será o terceiro inquérito que Beto Richa responderá no STJ. Um deles envolve denúncias de fraudes em obras nas escolas do Paraná e o outro investiga licenças ambientais em Paranaguá.

LEIA o teor da ação popular. E da petição inicial.

Fora dos trilhos



Tivessem as obras metroferroviárias a mesma celeridade com que se acumulam suspeitas de práticas ilícitas no setor, a Grande São Paulo poderia se vangloriar de possuir um dos sistemas de transporte de massa mais extensos do mundo.

Pelo contrário, escândalos diversos somam-se à ineficiência dos governos tucanos, que se sucedem no Estado desde 1995, em atender as demandas da população em um serviço tão vital.

No episódio mais recente, o Ministério Público paulista apresentou denúncia de que a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) superfaturou em R$ 538 milhões seis contratos de manutenção de trens, de 2012 a 2013, na gestão de Geraldo Alckmin.

Um ex-presidente e três diretores da empresa estadual são apontados como coordenadores de um cartel. Segundo a denúncia, contratos firmados com valores abaixo daqueles de referência no mercado, em aparente economia para o Estado, foram, sete meses depois, reajustados em até 83%.

A promotoria afirma ter encontrado provas contra quatro empresas contratadas. Outras vencedoras da licitação também já respondem a ações por casos similares.

No começo de maio, ex-dirigentes da CPTM e ex-executivos de multinacionais do setor —como a alemã Siemens, a francesa Alstom e a japonesa Mitsui— tornaram-se réus por suspeita de fraude nas licitações da linha 5-lilás do Metrô, em esquema que teria sido articulado de 1999 a 2000, na gestão de Mário Covas.

Essas investigações originam-se de depoimentos da Siemens, que em 2013 revelou a autoridades brasileiras a existência de um cartel do qual fazia parte. O grupo teria se articulado durante as administrações de Covas, José Serra e Alckmin, a partir de 1998.

Ainda que nenhum desses expoentes tucanos tenha sido implicado pessoalmente nas suspeitas, a imagem de eficiência e retidão vendida pelo partido sai fustigada diante da profusão de indícios de malversação —afora o atraso inequívoco das obras do setor.

Há pelo menos 15 anos os governos do PSDB prometem a ligação do aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, com o centro de São Paulo. Na gestão Alckmin, todas as obras em andamento para a expansão da rede do metrô em São Paulo estão fora do prazo.

Também difícil de explicar é a morosidade das investigações e punições. Passados quase quatro anos, desconhece-se ainda a real extensão do esquema. Para prejuízo da população, o trajeto na Justiça segue tão lento e tortuoso quanto o dos trilhos paulistas.Editorial da Folha

Temer não tem condições de conduzir reformas nem "reformas"



O Brasil está sendo cobra­do pela ONU por pretender, com "reformas" das leis trabalhistas e de aposentadoria, transgre­dir o compromisso interna­cional, do qual é signatário, de não fazer qualquer retro­cesso em legislação de fins sociais e em direitos da pes­soa. Já sob cobranças por violação de direitos huma­nos, o Brasil curva-se à nova desonra com uma peculiari­dade: a transgressão vem de um governo sob acusa­ções de delinquência que in­cluem, além de grande parte do Congresso, o próprio ocupante da Presidência da República. Tudo muito coe­rente.

Michel Temer conta com as duas "reformas" para rece­ber do poder empresarial o apoio que o mantenha no Planalto até o fim de 2018. Até agora, nenhuma das gravações e acusações aba­lou esse apoio. É o que o PSDB, na condição de repre­sentante político das classes mais favorecidas, confirma com sua recente decisão de con­tinuar aliado a Temer e inte­grante do governo.

Falada inúmeras vezes, a pressa governista de aprovar as "reformas" é falsa. O Planalto não se move para isso. E seus parlamentares, ou se refe­rem a dificuldades na ban­cada governista, ou tapeiam com uma atividade inócua. Esticar no tempo é esticar o apoio do poder privado.

Quem pensar a sério na re­lação entre essas "reformas" e a situação atual do país, não pode fugir à obviedade simples e forte: Temer não tem condições de conduzir reformas nem "reformas". Sejam condições intelec­tuais, políticas, morais, e quaisquer outras. É só um fantoche. À espera de que alguém conte os seus feitos ou os silencie por dinheiro.

O Congresso, com mais de uma centena de deputados e senadores pendurados na Lava Jato, não tem condi­ções de examinar, discutir, aprimorar e votar projeto algum que tenha implicações mais do que superficiais. Está demonstrado na combinação do projeto do governo com as contribuições de parlamen­tares. Coisas assim: acordos entre o patronato e empre­gados poderiam desrespeitar e sobrepor-se às leis.

Isso é tão ilegal, obtuso e de tamanha sem-vergonhi­ce, que dificulta imaginar-se sua origem em gente de go­verno e do Congresso. E não é um, não são dois, ou pou­cos, comprometidos com a criação delirante. Com cada uma delas. São muitos.

No plano da intenção de­sumana, mesmo a mais sim­plória das medidas propos­tas representa o conjunto numeroso. É a redução do tempo vago a título de al­moço, de uma para meia ho­ra. Ninguém leva uma hora comendo. O desatino dos proponentes da redução desconhece que a hora é também para descanso, ao fim de quatro horas de tra­balho e antes de mais qua­tro. Não é preciso lembrar do trabalho operário: as quatro horas de pé dos vendedores de lojas fala de uma exaustão que centenas de deputados e senadores ja­mais sentiram. E se o expediente total não se altera, seja o das atuais oito horas ou das doze propostas, retirar meia hora de descanso não muda o tempo de atividade laboral. A redução do alegado almoço é só uma mani­festação a mais da nostalgia escravocrata.

O projeto governamental de "reforma" da Previdên­cia, por sua vez, estava tão carregado de arbitrariedades e desprezo por seres huma­nos, no original do ministro da Fazenda, que foi estraça­lhado por cortes – sem, no entanto, tornar-se inteligen­te e com alguma sensatez.

Não é preciso acrescentar leviandade alguma às que mantêm a crise. E a agra­vam a cada dia. Os dois te­mas das "reformas" não in­teressam só ao governo e à visão patronal. Revolvem a vida de uns 150 milhões de brasileiros. Ou mais. E isso não é coisa para ser mani­pulada por Michel Temer e seu grupo de políticos, la­ranjas, intermediários, cor­ruptores e corrompidos. Artigo de Janio de Freitas

PowerPoint da caridade

Tirar do ar de repente as postagens incômodas virou epidemia na chamada “República de Curitiba”. Quem andou se beneficiando recentemente desse recurso também, a exemplo da  Prefeitura Municipal, foi o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da Força Tarefa da Lava Jato no Ministério Público Federal (MPF).

Segundo informações do Portal Paraná/UOL, Dallagnol tratou de se explicar e publicar resposta aos questionamentos e críticas que circulavam nos grupos de Whatsapp e nas redes socais, depois que uma empresa do ramo de palestras revelou que o “cachê” cobrado por ele para apresentar-se situa-se na faixa dos 30 a 40 mil reais.

Elementar, meu caro leitor!

Não demorou para a publicação sair do ar (não foi autorizada por Dallagnol e nem por sua equipe) e, em seu lugar, surgir uma nota de retratação. O procurador do “PowerPoint”, por sua vez, declarou em nota que, em 2016, teria repassado integralmente os valores recebidos para o Hospital Erasto Gaertner – como acontece com emendas parlamentares – e que, este ano, cerca de 90% do dinheiro arrecadado com suas palestras seria destinado à caridade. Com ele, só ficariam cerca de 10% para despesas pessoais e pagamento de tributos.

A caridade em questão seria um fundo (descrito assim, de forma bem genérica) para bancar despesas decorrentes da atuação de servidores públicos em operações de combate à corrupção. Mas que fundo é esse? Quem o gerencia? Como se dão os repasses? Como são aplicados concretamente?

Sem maiores elementos para não confiar nas explicações contidas na resposta do coordenador da Força Tarefa da Lava Jato, o leitor fique, por agora, apenas com as suas próprias convicções em torno desses fatos.


Na descrição dos feitos do palestrante, site reforça o motivo da notoriedade: a perseguição a Lula.

sábado, 17 de junho de 2017

Moro terá 15 dias para explicar autorização para divulgar áudios de Lula na Lava Jato



Na revista época, a notinha informa que o  juiz Sergio Moro terá 15 dias para apresentar defesa em processo disciplinar que apura sua conduta na autorização da divulgação de áudios do ex-presidente Lula em março de 2016, entre eles o de uma conversa com a então presidente Dilma Rousseff. O corregedor nacional da Justiça, João Otávio de Noronha, adiou o julgamento do processo para ouvir o juiz federal. Vamos aguardar

'Temer é o chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil', diz Joesley Batista



Joesley Batista, um dos donos da JBS, disse em entrevista à revista Época que Michel Temer é o "chefe" da "maior e mais perigosa organização criminosa desse país", estabelecida na Câmara dos Deputados. O empresário afirma que, junto com outros políticos do PMDB, como Eduardo Cunha, Henrique Eduardo Alves e Geddel Vieira Lima, Temer montou um esquema para receber propina em troca de apoio no Congresso e em órgãos do governo.

"O Temer é o chefe da Orcrim da Câmara", diz Joesley. "Quem não está preso está hoje no Planalto. Essa turma é muita perigosa. Não pode brigar com eles. Nunca tive coragem de brigar com eles. Por outro lado, se você baixar a guarda, eles não têm limites."

O executivo destacou que o núcleo político comandado por Michel Temer foi o grupo "de mais difícil convívio" que ele já teve na vida. "Daquele sujeito que nunca tive coragem de romper, mas também morria de medo de me abraçar com ele."

Joesley ressalta que Geddel seria o principal interlocutor entre o empresário e Temer. "De 15 em 15 dias era uma agonia terrível. Sempre querendo saber se estava tudo certo, se ia ter delação, se eu estava cuidando dos dois. O presidente estava preocupado. Quem estava incumbido de manter Eduardo Cunha e Lúcio Funaro, apontado como operador do ex-presidente da Câmara calmos era eu."

Questionado se Geddel falava em nome de Michel Temer, Joesley responde, "sem dúvida". "Depois que o Eduardo foi preso, mantive a interlocução desses assuntos via Geddel. O presidente sabia de tudo. Eu informava o presidente por meio do Geddel. E ele sabia que eu estava pagando o Lúcio e o Eduardo. Quando o Geddel caiu, deixei de ter interlocução com o Planalto por um tempo. Até por precaução."

Segundo Joesley, existia uma hierarquia entre Funaro, Cunha e Temer. "A pessoa a qual o Eduardo se referia como seu superior hierárquico sempre foi o Temer. Sempre falando em nome do Temer. Tudo que o Eduardo conseguia resolver sozinho, ele resolvia. Quando ficava difícil, levava para o Temer. Essa era a hierarquia. Funcionava assim: primeiro vinha o Lúcio. O que ele não conseguia resolver pedia para o Eduardo. Se o Eduardo não conseguia resolver, envolvia o Michel."

"O mais relevante foi quando Eduardo tomou a Câmara. Aí virou CPI para cá, achaque para lá. Tinha de tudo. Eduardo sempre deixava claro que o fortalecimento dele era o fortalecimento do grupo da Câmara e do próprio Michel. Aquele grupo tem o estilo de entrar na sua vida sem ser convidado", declarou Joesley, questionado se realmente precisava tanto do grupo de Eduardo Cunha, Lúcio Funaro e Temer.

Após o primeiro contato dos dois, em 2010, Temer teria solicitado favores ao executivo, como o pagamento do aluguel de um escritório em São Paulo. Joesley conta ainda que a relação com o peemedebista sempre foi institucional, "de um empresário que precisava resolver problemas e via nele a condição de resolver problemas".

O portal da revista publicou online apenas alguns trechos da entrevista, que também fala, entre outras coisas, sobre a forma como o PSDB de Aécio Neves entrou em leilões para comprar partidos nas eleições de 2014.

Réu do mensalão tucano se beneficiam de prescrições e mostra que a justiça não pune tucano



Quase uma década depois da denúncia sobre o mensalão tucano ser apresentada pela Procuradoria-Geral da República, mais um réu no caso –o quarto, dos 12 iniciais– não deve ser julgado.

Ex-diretor de uma estatal mineira, Lauro Wilson de Lima Filho fez 70 anos em maio e pediu à Justiça para ser beneficiado pela prescrição. Acusado pelo crime de peculato (quando o funcionário público desvia recursos), seu processo estava na fase que antecedia o julgamento. A Justiça ainda não se manifestou sobre o pedido.

Falta de sentença não é exceção no mensalão tucano. A única relativa ao episódio, fez um ano e meio nesta sexta-feira (16). É a condenação de Eduardo Azeredo, ex-presidente do PSDB, a 20 anos e dez meses de prisão por peculato e lavagem de dinheiro.

Segundo a PGR, ele liderava um esquema que desviou R$ 3,5 milhões (R$ 14 milhões em valores atualizados) de empresas públicas para irrigar sua fracassada campanha de reeleição ao governo de Minas Gerais, em 1998.

Azeredo recorre em liberdade e seu julgamento em segunda instância ainda não tem data marcada. Desde março, a ação contra ele aguarda para ser pautada pelo desembargador Adilson Lamounier.

Antes de Lauro Wilson, as ações contra Walfrido dos Mares Guia, ex-vice-governador de Minas, e Cláudio Mourão, coordenador financeiro da campanha de Azeredo, também prescreveram por causa da idade. Um terceiro réu, Fernando Moreira Soares, morreu em 2015.

As prescrições aconteceram porque, aos 70, o prazo para que eles fossem julgados caiu pela metade, de 16 para oito anos –tempo maior que o ocorrido entre o fato (1998) e a denúncia (2007).

Atualmente, seis processos penais correm na Justiça de Minas Gerais sobre o caso. Um deles envolve os publicitários Marcos Valério, Ramon Hollerbach e Cristiano Paz, condenados no mensalão petista e considerados os operadores dos dois esquemas.

O processo foi aceito pelo Supremo Tribunal Federal em 2009, mas desceu para a Justiça de Minas em 2014, após Azeredo e Clésio Andrade (PMDB) renunciarem respectivamente aos cargos de deputado federal e senador. No Estado, a ação foi dividida.

Hoje, o processo de Clésio –que era sócio de Valério e candidato a vice-governador– é o mais atrasado de todos. Ele sequer foi ouvido porque entrou com recurso em que questionava a legitimidade de uma juíza para julgá-lo.

Outra ação, contra José Afonso Bicalho, que dirigia o extinto Bemge (banco estatal de Minas) em 98, passou a tramitar na segunda instância em 2015.

Em 2018, ele completa 70 anos. Segundo o Tribunal de Justiça de Minas, o processo está na fase de instrução.

As outras ações, como a de Lauro Wilson, estão na fase das alegações finais, última vez que as partes se manifestam no processo. Wilson era um dos diretores da antiga Comig (atual Codemig, companhia de desenvolvimento do Estado) e liberou pagamentos de publicidade a um evento que foram usados, segundo a Procuradoria, na campanha do então governador.

Já Valério havia conseguido suspensão de tramitação da ação no ano passado, porque tentava negociar delação com o Ministério Público, que concluiu que o publicitário não tinha o que oferecer.Na Folha

Que feio, Greca!

Prefeitura de Curitiba orienta comissionados a criarem perfis fakes para postar elogios à administração nas redes sociais e criticar sindicato.
Mas o tiro saiu pela culatra.

.O prefeito de Curitiba, Rafael Greca (PMN), protagonizou mais um papelão nesta semana. Ele, que já era famoso pelo inesquecível fracasso da Nau Capitânia, na comemoração dos 500 anos do Descobrimento, quando foi ministro do Esporte e Turismo de FHC, e por admitir na última campanha eleitoral que "vomitou com cheiro de pobre", está se superando neste segundo mandato como prefeito da “República”.

Depois de ter convocado uma reunião de secretariado para discutir pelas redes sociais a epidemia de suicídios juvenis por causa do jogo da Baleia Azul e depois de sair da cidade para comemorar o aniversário da esposa, Margarita Sansone, em Buenos Aires, enquanto a população sofria com temporais e o funcionalismo decretava greve para impedir a votação atropelada na Câmara Municipal de um pacote de maldades, que ele batizou de “ajuste”,  o monarca curitibano continua errando na mão.

Primeiro, tirou do ar no feriado de Corpus Christi o espaço de avaliação da página da Prefeitura no Facebook, impedindo os internautas de comentarem e darem notas ao perfil institucional. Impedindo uma interação que não havia sido considerada um problema até então. É que a verdade dói! E nem todo político sabe lidar com ela.

Nesta sexta-feira (16), Greca levou mais um tundão na internet. Através dos grupos de comissionados no Whatsapp, gestores municipais conclamaram os cargos de confiança da administração municipal a montarem “perfis fakes”, acessarem a postagem de uma rádio local no Facebook, onde foi publicada notícia sobre a crise com os servidores, e deixarem comentários elogiosos à gestão municipal e de ataques ao sindicato e à greve.

Isso mesmo: perfis fakes! Mas o tiro saiu pela culatra. A postagem gerou até o fechamento desta matéria quase 200 comentários e na esmagadora maioria deles, nada elogiosos à administração de Greca. Pelo menos cinco dos dez administradores regionais de Curitiba, cargo com status de secretário municipal ou de subprefeito, usaram seus próprios perfis nas redes sociais para acatarem a ordem expressa da Prefeitura, defenderem seus salários e mostrarem serviço.

Também se prestaram à mesma exposição comissionados em outros cargos de direção, como chefes de núcleos das secretarias municipais que ficam nas regionais da cidade. Uma das “opiniões” que gerou mais comentários de resposta foi a do administrador regional da Cidade Industrial de Curitiba (CIC), Raphael Keiji Assahida. Mais de 30 interações. Também dedicaram tempo nesta sexta-feira para cumprir as ordens sem se esconderem atrás de fakes os fieis escudeiros regionais: Janaína Gehr (Boa Vista), Márcio Nunes (Cajuru), Gerson Gunha (Fazendinha/Portão) e Guacira Civolani (Matriz).


Salário de administrador regional (cargo comissionado) | Portal da Transparência - PMC.



A desastrada tentativa de recuperar a popularidade do prefeito deu com os burros n’água. Assim como a Nau Capitânia. Altos salários foram expostos, desmentidos da gestão vieram à tona e a crítica da administração de Greca, que não encontra mais espaço na página institucional do Facebook da “Prefs”,  corre à solta na postagem do site da rádio.  Uma internauta até postou uma resposta dada pelo próprio Rafael Greca em outra ocasião a um crítico da saúde pública na Capital do Paraná. Respondeu ao cidadão o Monarca de Curitiba: “Crianças vomitando ou com febre (se não for alta) não é urgência, tampouco emergência”. Ele não é pai. E muito menos médico.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Em novo depoimento à PF, Joesley Batista reafirma acusações a Temer



De volta ao Brasil desde domingo passado (11), o empresário Joesley Batista, dono da JBS, prestou novo depoimento à Polícia Federal nesta sexta-feira (16), reforçando as acusações ao presidente Michel Temer. De acordo com seus advogados de defesa, o conteúdo foi o mesmo apresentado com provas na delação premiada firmada com a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Segundo o empresário, o ex-assessor e ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB), preso desde o último dia 3, recebeu dinheiro que seria destinado a Temer e, em contrapartida, o grupo JBS receberia benefícios do governo. Posteriormente, a Polícia Federal filmou Rocha Loures saindo de um restaurante em São Paulo com uma mala com R$ 500 mil em dinheiro. 

Na operação, que resultou na delação de executivos da JBS, Joesley Batista gravou uma conversa com Michel Temer no Palácio Jaburu, residência do presidente da República. O encontro não foi registrada na agenda do presidente. No diálogo, a Procuradoria-Geral da República sustenta que Temer deu aval para que Joesley mantivesse uma mesada para o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB), preso na Lava Jato, com o objetivo de ele não fazer delação premiada.

Dias depois, Temer acusou o dono da JBS de distorcer e editar a gravação, e pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF), que abriu inquérito contra o peemedebista a pedido da PGR, para que o processo só tivesse andamento após a perícia do áudio pela Polícia Federal. A PF ainda não concluiu a análise da gravação.

Na última quarta-feira (14), foi a vez de a PF ouvir Eduardo Cunha como testemunha no inquérito da JBS. Preso desde outubro, Cunha disse que seu silêncio "nunca esteve à venda", negando que tenha recebido propina para não fazer delação. O ex-presidente da Câmara negou, também, que tenha sido procurado por Temer com o objetivo de negociar o seu silêncio.

Joesley responde Temer

A assessoria de Joesley Batista respondeu às acusações de Michel Temer, de que o empresário teria feito a delação, comprado dólares antes da alta da moeda em decorrência da divulgação da gravação, e estaria "livre e solto" em Nova york, nos Estados Unidos. A nota informa que o empresário viajou para a China e não para “passear na Quinta Avenida, em Nova York, ao contrário do que chegou a ser noticiado e caluniosamente dito até pelo presidente da República”.

Segundo a nota, o empresário participou de reuniões de trabalho em Brasília, na segunda-feira, e em São Paulo, na terça. O texto informa que Joesley continua a morar e a criar seus filhos no Brasil.

O empresário saiu do país em um jatinho particular pouco depois da divulgação de gravações feitas por ele de uma conversa com o presidente Michel Temer. O áudio motivou a abertura de um inquérito contra o presidente no STF.

Michel Temer vira 'vampiro' em jogo de zumbis, chamado de Conde Temeraire.Personagem é um corrupto feiticeiro



A empresa norte-americana CoolMiniOrNot (CMON) anunciou a criação de um personagem semelhante ao presidente Michel Temer para o jogo de tabuleiro "Zombicide: Green Horde".

Chamado de Conde Temeraire, o personagem é um corrupto feiticeiro das trevas e tem nome e rosto semelhantes ao do mandatário brasileiro. Na campanha publicitária da CMON, divulgada nas redes sociais, ele é descrito como um conde que "não está satisfeito em roubar apenas seu sangue".

Em uma campanha de arrecadação online, a empresa está promovendo uma "vaquinha" para expandir as miniaturas e cartas utilizadas nas aventuras. A produção do jogo só será confirmada caso o financiamento total chegue a US$ 2,85 milhões. Todos os apoiadores ganharão um "Conde Temeraire".

Na última quarta-feira (14), o valor arrecadado já passava de US$ 2,81 milhões, com o apoio de 18 mil pessoas. A arrecadação deve continuar até o fim de junho.

De acordo com o texto sobre o personagem, a empresa afirma que o Conde habita as densas florestas e "sempre que as pessoas pensaram que ele estava derrotado, ele se ergueu outra vez, para começar um novo reinado de terror".

"Sua particular forma de insanidade foi exarcebada por seu vampirismo". "A Peste Negra foi de fato benéfica para o conde, pois ele prefere os súditos que comem cérebros em vez de usá-los", ressalta a CMON.

Na ilustração feita pelo jogo, Temeraire aparece com uma capa vermelha esvoaçante e segurando um lampião. As roupas e o penteado lembram também o filme Drácula de Bram Stoker, de 1992.

O "Zombicide: Green horde" é um jogo de tabuleiro cooperativo para um a seis jogadores. Ele pode ser jogado apenas com as próprias peças, além de ser compatível com outras extensões do "Zombicide". Os jogadores controlam uma série de sobreviventes fantasiosos da era medieval que lutam para livrar a terra deles de uma invasão de zumbis controlados pelo próprio jogo.A informação esta no jornal do Brasil

Veja a tradução do texto da miniatura do "Conde Temeraire"

"Tudo que eu faço é pelo bem maior"

O Conde Temeraire tem sido um incômodo na floresta do sul por um período de tempo que se assemelha com eras. Todas as vezes que o povo acha que o derrotou, ele escapa e ressurge e retoma seu reinado de terror novamente. Sua particular forma de insanidade foi intensificada pelo seu vampirismo, mas ele continua acreditando ser um lorde justo, um que as pessoas querem como líder em suas vidas. A peste negra foi uma bênção ao Conde, já que ele prefere súditos que comam cérebros ao invés de usá-lo.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

FHC esqueceu o que disse. Agora diz que diretas representaria um golpe constitucional



 Um levantamento da Agência Lupa, publicado nesta quinta-feira (15), apontou as diversas contradições nas declarações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Em curtos intervalos de dias, o tucano deu declarações favoráveis e contrárias ao posicionamento do PSDB no governo de Michel Temer.

FHC chegou a afirmar que "preferiria atravessa a pinguela [governo Temer], mas se ela continuar quebrando, será melhor atravessar o rio a nado", para declarar, dois dias depois, que o PSDB não tem mais condições de continuar na base aliada.

“Se tudo continuar como está, com a desconstrução contínua da autoridade [de Temer], pior ainda se houver tentativas de embaraçar as investigações em curso, não vejo mais como o PSDB possa continuar no governo”.

Eleições Diretas

Fernando Henrique também se contradisse ao opinar sobre a necessidade de eleições diretas, diante da crise do governo Temer. No ano passado, FHC reclamou a necessidade de "fazer uma emenda ao Congresso para a eleição direta porque eu não vejo como alguém novo, sem ter o leme na mão, legitimidade, vai fazer”. Na semana passada, no entanto, durante o julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE, o ex-presidente disse que "uma emenda constitucional para antecipar eleições diretas representaria, neste caso sim, um 'golpe constitucional'".

Renúncia de Temer

Em meados de maio, FHC disse, sem citar Temer, que "se as alegações de defesa não forem convincentes, e não basta argumentar que são necessárias evidências, os implicados terão o dever moral de facilitar a solução, ainda que com gestos de renúncia". Dias depois, já no início de junho, o tucano disse que não havia motivos para Temer renunciar: "Quando o presidente Temer falou e eu também quando escrevi não tinha conhecimento da gravação. Eu não creio que a gravação seja suficientemente forte para levar a destituição de um presidente (…) Não vi que houvesse um elemento decisivo".

 Em artigo publicado no dia 7, Fernando Henrique Cardoso muda de posição sobre eleições diretas, apoio do PSDB ao governo e renúncia de Temer.

"Uma emenda constitucional para antecipar eleições diretas representaria um golpe constitucional"

CONTRADITÓRIO

 No texto, o ex-presidente discutia cenários caso o TSE determinasse a cassação da chapa Dilma-Temer. FHC escreveu que a opção pela eleição direta seria golpe e a classificou como "inconsequente". No entanto, em entrevista a Mário Sérgio Conti em dezembro de 2016, ele comparou o governo Temer a uma "pinguela" [ponte frágil] e disse que, se o atual governo caísse, seria "preciso logo fazer uma emenda ao Congresso para a eleição direta porque eu não vejo como alguém novo, sem ter o leme na mão, legitimidade, vai fazer".

"É preciso dar uma oportunidade de reflexão e, quem sabe, de revigoramento, a quem está no governo"

CONTRADITÓRIO 

Em 18 de maio, um dia depois de o jornal "O Globo" divulgar o conteúdo da delação da JBS e as acusações feitas contra o presidente Michel Temer, FHC postou em seu Facebook um texto que dizia que "se as alegações de defesa não forem convincentes, e não basta argumentar que são necessárias evidências, os implicados terão o dever moral de facilitar a solução, ainda que com gestos de renúncia". Alguns dias depois, à Rádio Bandeirantes, ele disse que não havia motivos para Temer renunciar. "Quando o presidente falou, e eu também quando escrevi, não tinha conhecimento da gravação. Eu não creio que a gravação seja suficientemente forte para levar à destituição de um presidente".

"O PSDB não apelou 'ao muro' [ao permanecer no governo], mas à prudência de um tempo maior para que todos, colocando interesses partidários e pessoais em segundo plano, possamos responder com desprendimento: o que é melhor para o Brasil?"

CONTRADITÓRIO

 Um dia depois do afastamento da ex-presidente Dilma Rousseff, no ano passado, FHC disse a "O Globo" que "[O PSDB] tem que entrar para o governo com a disposição de sair. Não é entrar para ficar. O governo tem que cumprir certas funções". Depois, em maio de 2016, a "O Estado de S.Paulo" disse que "se o governo for para um caminho que achamos errado, então o PSDB sai". Um ano mais tarde, em maio de 2017, o ex-presidente disse à BBC que seu partido não tinha que reavaliar sua posição no governo e completou: "O PSDB votou a favor do impeachment e ficaria muito feio depois disso dizer 'não brinco mais'. Tem que dar sustentação. (...) O partido tem que ter convicção". Em entrevista à Rede Bandeirantes, em 22 de maio, FHC afirmou que o partido tem responsabilidade com o governo e que seria "oportunismo" sair. Segundo o tucano, a posição do PSDB é de cautela: "Também não é de dizer que não vamos mudar de posição. Depende, depende de como as coisas acontecem".